#SerMulheremTech

Uma campanha super massa, idealizada pelo site Programaria, usando a #SerMulheremTech começou agora a pouco nas redes sociais. Meninas já estão postando seus depoimentos/desabafos  sobre os desafios enfrentados, as barreiras (a serem) vencidas e as discriminações vivenciadas no dia a dia. Falar é o primeiro passo para dar visibilidade a essas situações de desigualdade e começarmos a discutir o que precisa ser feito para mudar isso!E eu já postei alguns,risos,  um em forma de Poesia Compilada e outro um post normalzinho. Estamos esperando por você!

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vai ter batom vermelho, rímel, salto alto e vestido no curso de Sistemas de Informação da UFRN-CERES, Caicó

aprovada

Conheci a Camila em 2012 por meio do Mulheres, mas só a conheci pessoalmente em 2014 no Code Girl  2 quando mostrei a ela minhas poesias compiladas e disse que queria fazer Direito e puxar alguma linha de pesquisa sobre o Direito Digital. Depois que terminou o evento eu ainda continuei achando impossível seguir carreira na área tecnológica, sim, porque eu já fazia um Técnico Integrado em Informática pelo IFRN-Caicó, e estava meio chateada com algumas disciplinas, com alguns colegas que disseram que eu me sairia melhor escrevendo ao invés de ta programando e principalmente vivia a síndrome do impostor.

O Code Girl terminou, mas seu legado ficou em minha cabeça em forma de uma voz… “E se você fizesse algum curso na área tecnológica? E se…” . Ainda assim dizia que ia seguir carreira na área de Direito porque eu sempre fui envolvida nas causas sociais e sempre fui muito revoltada com diversas coisas que via acontecendo pela minha cidade, por isso, via só o Direito como solução para todos esses problemas.

Mas o tempo foi passando, a Camila me chamou para escrever para o Mulheres e eu comecei a participar de eventos tecnológicos, conheci comunidades como a Python Brasil, projetos como o Pyladies, Django Girls, Rails Girls, Delete seu preconceito… Fiz algumas entrevistas para o Mulheres para entender o que tinha motivado aquelas excelentes profissionais a seguirem na área tecnológica.

Além disso, comecei a escrever para outros blogs e a estudar o Feminismo, virei tutora de Sociologia pelo IFRN-Caicó e me voltei muito para a Filosofia e para as disciplinas técnicas,e então a voz voltou novamente “E se você fizesse algum curso na área tecnológica? E se…”

Eu fui aos poucos me apaixonando pelas aulas do técnico e já tinha defendido meu TCC sobre uma nova proposta de um Jogo Digital Educacional utilizando a Bazinga! Engine  e recebido o primeiro 100 do Curso de Informática do meu Campus, também já tinha feito o ENEM e estava agoniada sem saber se escolhia um curso da área tecnológica ou fazia Direito. Mudava de opção umas duas vezes ao dia.

Com isso, eu via o tempo passando, Dezembro foi acabando e eu tinha cada vez menos tempo para escolher o que eu iria fazer nos próximos anos,rsrs. Ademais, também via meu curso terminando e uma saudade descontrolável de estudar aqueles componentes curriculares novamente, de me aprofundar nos conteúdos e conseguir ajudar ao próximo com todo aquele conhecimento. Como não conseguia escolher a área fui olhar com bastante atenção meu Lattes e decidi que o melhor seria continuar na área.

Beleza, já escolhi a área, mas e aí, qual curso escolher dentre tantos em tecnológica? Olhei as grades de diversos cursos e optei pelo Bacharel em Sistemas de Informação pela UFRN. Coloquei minha nota pelo SISU e hoje recebi a notícia que tinha sido aprovada. Foi felicidade demais, primeiro porque sou filha de uma empregada doméstica e meu pai tem esquizofrenia, segundo porque eu tinha sofrido bullying por parte de uma professora que disse que eu nunca conseguiria chegar numa faculdade porque era burra e não sabia interpretar textos direito, por isso, perdi dois anos de estudos lá no fundamental e quando menos vi eu estava em um Segunda-feira chuvosa no Seridó do RN na frente do meu notebook sabendo que estava com  a cadeira garantida no Ensino Superior.

Bem, o que tiro disso tudo? Quando conheci a Filosofia descobri o que que queria para o meu futuro, além disso, passei a acreditar mais em meu potencial e deixar para trás a síndrome do impostor. Quando comecei a participar dos eventos tecnológicos e escrever para o Mulheres percebi que não estava só e que podia fazer tudo e muito mais do que tinha pensado em fazer por meio do Direito só que utilizando a tecnologia.

Por isso, por mais que você tenha passado por traumas na infância, tenha uma desconfiança no seu potencial, por mais que seus colegas digam que é melhor você escrever um artigo à programar um sistema, nunca, nunca deixe isso atrapalhar seus sonhos, porque no final dará tudo certo.  Ah! Só mais um comentário: vai ter batom vermelho, rímel, salto alto e vestido no curso de Sistemas de Informação da UFRN-CERES, Caicó

Programando um futuro feminista: Code Girl

 

<!– Como falei para vocês na entrevista que fiz com o Fernando Masanori fiquei de compartilhar  uma série de posts sobre este lindo evento chamado Code Girl 3 que aconteceu na última Sexta(20) em Natal,RN.  Sendo assim, dando prosseguimento aos posts achei o  relato da Bianca Brancaleone, publicado no “Casa da mãe Joanna“, e que a seguir vocês podem conferir. –>

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No dia 20 de novembro eu estava pela primeira vez em Natal falando para o maior e talvez mais importante público da minha vida.

Eram mais de 500 meninas entre idade de colégio e começo de faculdade que ansiavam pelo terceiro ano consecutivo ouvir um pouco de mulheres já formadas e no mercado de trabalho sobre suas carreiras, dia a dia e desafios na área em que escolheram se aventurar em tecnologia. Algumas moravam por perto, outras bem longe – caravanas levaram mais de 4 horas de viagem para chegar a Natal para o evento.

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Conheci o projeto do Code Girl provavelmente pelo Facebook, e desde então já ~shipei~ o projeto – mostrar para meninas que tecnologia pra para todo mundo. Durante o Campus Party de 2015, vi umas mulheres com camisetas do evento e puxei papo – para minha surpresa, eram as próprias organizadoras do evento! Conversei muito com a Profª Cláudia Ribeiro e as “Code Girls” Suzy Oliv e Naya Rocha, e como não podia deixar de ser, saí amando ainda mais o projeto.

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Em maio veio o convite para palestrar no evento – eu, no aeroporto, fazendo minha primeira viagem internacional – topei na hora. A ideia era falar da minha formação e experiência como profissional de arquitetura de informação, usabilidade e experiência do usuário, coisa que já adoro fazer sempre pois acho que é uma área de trabalho muito gratificante e, pensando no mercado, é uma direção muito boa também.

Algumas semanas antes do evento, gravei um vídeo para a página do Facebook e pedi para que me adicionassem caso quisessem, e nesse momento já começou meu contato com muitas das meninas. Mensagens falando como elas estavam ansiosas com o evento, como elas tinham interesse na área e queriam ouvir mais sobre, e a organizadoras confirmando como elas estavam empolgadas para o evento.

Atualizei algumas apresentações que já havia feito e fui, e ainda fiquei até a madrugada anterior refinando e pensando exatamente no que ia dizer – sem muitos jargões técnicos nem muitos termos que usamos sem necessidade em inglês. Minha apresentação era as 14h50, então teria tempo de ficar bem nervosa antes de subir ao palco.

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Eu mesma estava curiosíssima para todas as outras apresentações do dia. O evento começou com a palestra da Profª Rosiery Maia falando sobre Robótica, com sua filhinha Bruna passando slides e, claro, 2 robôs no palco e 2 de brinquedo de sua filha!

A apresentação seguinte foi da Klarissa de Souza sobre perícia digital – ela trabalha na PF e mostrou aparelhos e programas comuns no dia a dia de um perito que examina celulares, computadores, tablets e qualquer outro aparelho eletrônico que possa ser averiguado.

Na volta do almoço, tivemos uma videoconferência com a super Camila Achutti, que falou sobre empreendedorismo e como validar uma ideia de produto digital – logo na sequência comecei a me preparar para apresentar enquanto ouvia a Raquel Almeida falar do dia a dia dela na Thoughtworks como desenvolvedora e como eles presam pela diversidade e conscientização no ambiente de trabalho, apenas confirmando o que já ouvi bastante sobre a postura da empresa.

Dado o horário, era minha vez de subir ao palco.

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Diferente de outras apresentações, não estava (tão) nervosa dessa vez. De alguma maneira, eu pensava que não estava sendo analisada, julgada como profissional ali naquele palco – eu estava mostrando o que eu fazia, como pensava e o que gosto de fazer para centenas de meninas (e alguns meninos) que estavam naquele momento da vida que muitas de nós já passamos, de dúvidas do que seguir na vida, do que estudar, com que trabalhar. Foi ótimo, foi lindo, tudo fluiu bem e o final da apresentação também tive uma foto com o público que considero como o mais especial que já tive até hoje.

Descendo do palco ganhei abraços e pedidos de foto, no final do evento, foram tantas fotos, carinho e curiosidade vindo das meninas que eu estava em êxtase, com aquele sentimento de “é isso que eu preciso fazer na vida”.

Após minha apresentação, um grupo de meninas que participaram de um projeto chamado “Programando meu futuro” receberam seus diplomas e, para finalizar, Fernando Masanori falou sobre como a comunidade da linguagem de programação Python atua pela diversidade e inclusão pelo mundo inteiro.

Após essa parte “aberta” da programação, como já de costume, após o break da tarde, voltam apenas as meninas para o auditório, onde é aberto para perguntas e, de certa maneira, desabafos. Todos os palestrantes sobem ao palco e, em muitos momentos, o que fazemos é apenas ouvir.

Relato frequente é “eu gosto muito de tecnologia mas ninguém nunca me apoiou, mas depois desse evento eu tenho certeza que quero estudar e trabalhar com isso”, com suas variáveis chegando ao extremo de uma das participantes chorar muito enquanto dizia que a mãe nunca a havia deixado jogar, que ela gostava de design e programação e que só conseguiu apoio para estudar nessa área depois de casada, e que ela ia seguir nesse caminho com mais certeza depois do evento. Conheci uma menina de 13 anos que já ganhou hackaton (uma “corrida” para desenvolver ou planejar algum projeto ou produto multimídia) e uma mulher de mais de 40 anos que cursava desenvolvimento de sistemas mas tinha muita dificuldade e nenhum apoio e parou. Ela me perguntou o que podia fazer para estudar tecnologia, pois ela “sentia no coração” que ela gostava de TI, e não administração, como estava cursando. Falei para ela fazer cursos livres pela internet mesmo, até se sentir confiante e, se achar que era necessário, entrar na faculdade novamente – mas que nem sempre a educação formal era caminho que ela poderia ser uma ótima profissional de TI mesmo sem um diploma na área.

No fim do dia ganhei muitos novos amigos, eles podem estar apenas no meu Facebook por enquanto, alguns falando no chat, outros apenas observando as coisas (ás vezes nem tão úteis) que compartilho por lá, mas podem ter certeza que se eles acham que eu os inspirei, com certeza fui muito mais inspirada por todos eles pela vontade e persistência de continuar em uma carreira que muitos ainda dizem, não é para meninas – elas estão e MUITO aí para provar o contrário!

Por: Bianca Brancaleone