Imigrante Digital

O que significa esse termo na prática?

Por Claudia Nascimento

Imigrante é definido nos dicionários de Língua Portuguesa como “aquele que passa a residir em país estrangeiro.”

Como sabemos, outros países tem cultura, hábitos, horários, comida, idioma, gírias, diferentes do nosso país de origem, onde aos poucos fomos introduzidos em todas essas informações desde nosso nascimento.

Imigrantes digitais, somos os da geração acima de 40 anos que não nascemos rodeados de tecnologia por todos os lados. Exemplo: nossos brinquedos dependiam muito mais de nossa imaginação pra existir do que se mexerem, falarem, andarem sózinhos. Fui ter TV com 6 anos de idade e nem ligava pra ela. Telefones eram raríssimos, a maioria usava os filhos mais novos pra mandar recado. Éramos todos, quase sem excessão, muito magros, porque comíamos pouco açúcar e andávamos o dia todo.

Bem, mas aí as mudanças que antes eram feitas em décadas e dava pra todo mundo se acostumar, passaram a ser tão rápidas que quando os pais conseguiram ter seus próprios perfis no Facebook  e se conectar com parentes e amigos, os adolescentes já quase nem usam Face e estão na terceira ou quarta rede social que nem sabemos o nome.

Sim, imigrar não é fácil e nem simples. Mas somos imigrantes por necessidade, o mundo mudou, precisamos reconhecer e voltar a aprender. Essa semana estava vendo Netflix com meu neto de 4 anos e ele queria assistir Carros que eu não encontrava. Ele dizia: escreve o nome vovó. E eu fiquei olhando para o controle sem saber como encontrar o lugar onde se escreve a busca do filme. Pensei: calma, vamos tentar. Resolvi analisar a tela e o controle. O campo BUSCA na TV é verde, no controle tem uma tecla verde. Bingo!!! Consegui.

Sei que parece rídiculo, mas essas mudanças de atitude tem me feito muito bem pra auto estima, me dado confiança de que posso aprender e reaprender. Em outros tempos teria chamado um filho pra fazer.

Sim, meus companheiros de jornada +50, estamos em outro país, outra cultura, outras formas de comunicação. Nosso país sem telefone celular, sem microondas, sem carros automáticos, sem TVs inteligentes, geladeira frost free, internet, compras online, aplicativos, ….não existe mais. Pelo menos não pra você que está lendo este texto.

print( “ E este lance de Feminismo em TI ajuda em alguma coisa? ” )

Continuar seguindo carreira em TI ouvindo diariamente que este não é um lugar para mulher ou que até mesmo a culpa de terem poucas mulheres em Tecnológicas é nossa e tão somente nossa, porque simplesmente não queremos ou porque por sermos mulher deveríamos optar por áreas que não envolvam lógica ou cálculo, reduz o contexto histórico a nada reforça diversos estereótipos.

Por causa dessas questões surgem grupos de discussões sobre a nossa atuação na área de TI. São em grupos como esses que mulheres são capacitadas e que homens também podem ser, afinal, os grupos não buscam excluir os meninos, até porque se isso acontecesse não faria nenhum sentido a sua existência. O que acontece é que nesses espaços busca-se dá maior prioridade de participação às meninas, já que infelizmente ainda somos minoria, e, às vezes, é mais fácil expor uma situação em que estejamos passando por problemas, seja em casa com nossos familiares ou na facul/trabalho sobre a área de TI, em ambientes em que existam mais mulheres, porque já temos pouco espaço para fala e se formos deixar que os meninos falem por nós ou que nos aconselhem no lugar de outras manas, a questão talvez nem seja realmente de conforto para quem se encontra em tal situação.

Quando ouvimos indagações como: por que a existência de grupos como esses, por que fazer uma campanha para financiar a participação de mulheres em um evento de TI e não de homens ? É nessas horas que precisamos ampliar as discussões sobre o Feminismo em TI, criando mais grupos de discussão e fortalecendo os já existentes, para que mais mulheres estejam inseridas em eventos das comunidades, porque o que buscamos não é a superioridade, mas sim a igualdade, para que tenhamos a certeza de que ao participarmos de um evento/aula e ao fazermos uma pergunta não sejamos ridicularizadas só porque somos mulheres e fizemos aquela pergunta.

Até meus 18 anos não entendia o significado do Feminismo muito menos como ele poderia contribuir para meu empoderamento na área de TI. Eu dizia que machismo em TI não existia porque nunca tinha presenciado nada, nem tão pouco minhas amigas falavam sobre isso, e eu acabava reproduzindo o discurso de que tudo não passava de “mimimi”, mas foi por meio de um evento como o Code Girl que me foi apontado um cenário de inclusão e atuação das mulheres na área, bem como as suas dificuldades em ter que lidar com os discursos e práticas machistas em distintos ambientes e então eu comecei a estudar sobre o Feminismo e a me empoderar enquanto estudante da área.

E aí, aqui eu quero deixar registrado algo bem importante: Feminismo é chegarmos em um evento da Python ou da JS e [INSIRA_AQUI_SUA_COMUNIDADE] e vermos que tem várias de nossas colegas na grade de palestrantes, isso tem um nome e se chama representatividade. Eu vi representatividade na Python Nordeste 2015, estou vendo pelas Python Brasil e espero continuar vendo por diversos outros eventos porque isso IMPORTA E MUITO. Mas só representatividade não basta, é preciso que toda a comunidade entenda o objetivo desses grupos.

É de suma relevância que quando os meninos afirmarem “ Eu sou a favor da participação das mulheres na área de TI e colaboro com esses grupos” eles digam isso porque realmente concordam com o que está por trás dessa frase, e que não estejam camuflando e reforçando a ideia de “Quanto mais mulheres trabalhando/estudando com eles, mais oportunidades de conseguir namorar com alguma”. Sim, pois quando vemos ALGUNS meninos empoderando nossa participação percebemos que esses ALGUNS não falam isso porque realmente querem nossa atuação/nos admiram, mas sim porque nos querem como um objeto bonitinho de enfeite para aquele ambiente. A eterna coisificação da mulher também entra aqui.

Quanto às pessoas que fazem críticas a existência de comunidades de empoderamento das mulheres na área de TI, convido elas a participarem de algum evento organizado por estes grupos e compreenderem a sua dinâmica. A desconstrução é diária e não é nada feio ou vergonhoso voltar atrás em um pensamento, feio e vergonhoso é continuar repercutindo o discurso machista em busca de likes.

Bem, dito isso, acho que só me resta fazer uma última pontuação:

Return Feminismo em TI++;

[S.R.]

Publicado originalmente em :

Medium

Inteligência Artificial está na moda. Tecnologia, também.

Quem me acompanha nas redes sociais sabe que durante esta semana fui ao São Paulo Fashion Week. Vi desfile e tudo! Mas estava interessada mesmo é no stand da Microsoft. WTF? Microsoft no SPFW? WHY?

Sim, pessoal! E se você já é leitora ou leitor do blog talvez você não tenha se espantado tanto, afinal sempre digo por aqui que tecnologia está em todo lugar, mas de fato existe um primeiro estranhamento no fato.

Bom, logo na chegada percebi que era um recorte de ambiente muito diferente do meu, mas que tinha muita personalidade, vi um milhão de estilos e fiquei pensando que não existia qualquer regra por ali… cada um tinha seu estilo e ponto.

Aí cheguei no stand da Microsoft, me identifiquei, tinha câmera, monitor e um laptop. Só. Tinham amigos e uma galera se divertindo com a proposta que eu ainda não tinha entendido bem, mas que tinha como slogan: Inteligência Artificial está na moda.

O Januzzi que é diretor de inovação da Microsoft me recebeu e explicou tudo: usando os produtos de IA da Microsoft, um caracterizador de estilo e um recomendador de desfile foi implementado. Com algumas fotos, em pouquíssimo tempo e com o processamento de um laptop, o programa descrevia toda a sua aparência, inclusive com a sua idade, e com isso definia qual era o seu estilo e se tivesse algum desfile na agenda com seu estilo no dia, ele recomendava! 🙂 Muito amor né?! Amei a solução e fiquei encantada com as novidades de IA da Microsoft!

Mas, o que eu queria contar mesmo foi a minha leitura dessa ocupação de um espaço como moda por tecnologia. E fiquei feliz e triste pelo mesmo motivo: as pessoas que interagiam com a experiência ficavam maravilhadas com a “mágica “. Vou me explicar:

Porque isso é bom: tenho convicção que todos saíram de lá pensando como podiam fazer diferente e repensar tecnologia e, inclusive, moda. Provocou a reflexão da mudança de paradigma e curiosidade em todas as pessoas que interagiram com a ferramenta e não foram poucas.

Porque isso é ruim: todo mundo acha que é mágica. Não consegui ver ninguém querendo saber como funciona de verdade, para maioria ser mágica está bom. Só que na sociedade atual essa falta de literacia digital ainda é muito grande e muito arriscada. Tem um milhão de problemas aí fora no mundo real que poderiam estar resolvidos com tecnologia.

Reflitam. Precisamos entender de uma vez por todas que tecnologia está em tudo.