Mulheres techies: um terreno masculino cada vez mais ocupado por elas

Por Daniel Salman
Partner Press & PR

São jovens e têm cargos importantes relacionados à tecnologia. Aprimoram seu talento e se preocupam com sua imagem, sem que nenhum preconceito ponha em dúvida seu desempenho.

Poderia ser um grupo de amigas jogando conversa fora numa mesa de bar: jovens, lindas, simpáticas e arrumadas, cada uma em seu estilo. Mas não: é um grupo de especialistas em tecnologia que somam títulos como “UX Designer”, “Performance Marketing”, “Data Scientist”… ocupações e áreas que, para quem tem mais de 30 anos, podem ser tão distantes das clássicas “medicina”, “direito”, “economia”, como Plutão do Sol.


Inúmeros estudos mostram que equipes com grande diversidade de conhecimentos e opiniões obtém melhores resultados e maior inovação. Isto é o que acontece com a
Nuvem Shop, a plataforma que permite criar lojas online profissionais, da qual as entrevistadas fazem parte. Apesar de serem especialistas graduadas, que trabalham com análise de dados e estratégias digitais e de marketing, reconhecem que às vezes não sabem como explicar a seus pais, companheiros e/ou amigos o que realmente fazem, inseridas em um mundo onde a maioria são homens.

 “Eu trabalho com muitas empresas, nas quais os postos importantes são ocupados por homens, mas nem minha idade e nem meu gênero são um condicionante do que posso fazer”, diz Victoria Blazevic (23), que se dedica a Branding e Comunicação na empresa.
“A demanda nos cargos técnicos é tão grande que as oportunidades vão se equiparando. Existe o preconceito de que o homem é analista e quem planeja, e que a mulher não pode fazer essas coisas, mas não é assim”, completa Virginia Milano, (26) Designer da Nuvem Shop.

As meninas, como especialistas, acreditam que o olhar feminino acrescenta muito à tecnologia: “Somos mais observadoras de alguns comportamentos humanos que talvez para os homens passem despercebidos e temos a capacidade de pensar no outro muito desenvolvida”, acrescenta Laura Esper (32), graduada em Economia .



Como chegaram a trabalhar com tecnologia?

Natalia Lopes,  (31) Scalable Channel da Nuvem Shop assinala que “é uma área que sempre me identifiquei e gostei muito, mas nunca pensei em seguir carreira por achar mesmo que era algo muito masculino. Mas hoje, trabalhando em uma empresa de tecnologia, vejo que poderia ter seguido esse caminho antes, pois na Nuvem Shop é bem equilibrado o número de homens e mulheres trabalhando”.
Victoria está prestes a se formar em comunicação publicitária e institucional, mas sempre quis se dedicar ao ramo tecnológico: “Buscava um meio desafiador e de rápido crescimento. Para minhas amigas, que se dedicam às humanas, e para minha família, é difícil entender que trabalho em uma plataforma de comércio eletrônico, sem ter uma formação necessariamente em tecnologia. Acreditam que se você não tem conhecimento de tecnologia, não consegue entender a essência do negócio. E, pelo menos no meu trabalho.”

Luane Silvestre, (21), Content Strategist, aponta  que desembarcou na tecnologia quase por acaso. “Por conta de um curso técnico de informática, para o qual desenvolvi um sistema em parceria com a prefeitura municipal. Foi uma experiência maravilhosa e, particularmente, não senti um tratamento diferente pelo meu gênero – talvez pelo ambiente em que eu estava. Mas sei que, infelizmente, isso permanece comum”.

 

Os desafios das mulheres no mundo das TI

Existe um fato particular e preocupante: de acordo com os dados de grandes empresas tecnológicas, as mulheres representam apenas 30% da força de trabalho em áreas relacionadas à engenharia e à tecnologia. Esta desigualdade é conhecida como “disparidade de gênero”.
Por isso quisemos saber quais são os desafios de gênero vistos da perspectiva de nossas convidadas.


Natalia: “Acho que o principal é ter muito conhecimento. Penso nisso porque é uma forma de mostrarmos que temos voz, que sabemos do que estamos falando e passando essa segurança”.
Laura: “Há poucas mulheres em posições de gerenciamento, e isso vai mudar com o tempo. Nos Estados Unidos, por exemplo, já existem programas de formação em colégios secundários orientados a mulheres, para que comecem desde criança”.
Virginia: “Nós, mulheres, temos que nos fazer escutar e nos tornarmos referência no mundo da tecnologia, onde hoje 90% delas são homens”.

Luane: “Acredito que vá além da área de TI e se estenda para todas as Exatas: não deixar que o estranhamento alheio seja um fator desencorajador, e sim um incentivo para permanecermos firmes em nossos propósitos e mostrarmos a que viemos. Porque matemática não é coisa só de homem e nem literatura, coisa de mulher. Conhecimento é algo tão rico e amplo que, ao meu ver, nem merecia tantas divisões.Não dá para dizer que não existe uma diferença em relação a outras áreas. Sim, ainda somos poucas na tecnologia e as pessoas soltam um olhar de surpresa quando veem mulheres se dedicando a TI. Quando é admiração, ok. O problema é se ele significa desconfiança” conclui Luane.


Atualmente no setor da tecnologia, a educação de qualidade pode vir de diferentes e valiosos  lugares sem distinção de gênero. Existe toda uma quebra de paradigma que vem junto com a geração dos Millennials, as TI e as novas formas de trabalho, onde a mulher vai ocupando seu espaço e buscando ser cada vez mais referente.

Duas Startups que estão mudando a realidade brasileira

É muito fácil você desistir de algo quando parece impossível, a final não existe um jeito de fazer, então é mais tranquilo de jogar as mãos para o céu e dizer:  – Ok, isso não tem como!

Pessoas que criam negócios incríveis, destes que você admira, estilo Uber, Airbnb, Tinder, Facebook e afins certamente passaram por momentos assim, só que não levantaram as mãos e disseram que não havia como, simplesmente buscaram encontrar um jeito de fazer.

“O IMPOSSÍVEL É UMA QUESTÃO DE OPINIÃO.” – Chorão (Charlie Brown Jr)

Se estiver procurando uma grande ideia de Startup sugiro que veja este check list – Como Encontrar Uma Boa Ideia Para Uma Startup

Nessa linha gostaria de apresentar para você dois cases muito bacanas de Startups de sucesso que desafiaram o convencional e estão indo muito bem.

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UM ESTRANHO PARA JANTAR COM VOCÊ – DINNEER

Você aceitaria que alguém que você não conhecesse fosse jantar na sua casa? E se essa pessoa pagasse por isso? Você pagaria para jantar na casa de um desconhecido?

Estamos em plena era do sharing economy (economia compartilhada) em que as pessoas cada vez mais têm interesse em encontrar maneiras diferenciadas de receita através de consumidores atendendo consumidores, você aproveitando aquilo que tem para ganhar um extra.

O Dinneer habilmente percebeu o movimento que as pessoas estão abrindo suas casas para estranhos desde que o Airbnb provou que isso era possível. E gerou a questão – Por que não fazer isso para refeições?

A ideia foi justamente essa, muitas pessoas estudam gastronomia e não tem um restaurante para testar seus pratos e precisam de outras pessoas além dos amigos para avaliar as refeições. Tem muita gente que sabe cozinhar muito bem e precisa de uma graninha extra. Existe também muita gente que recém chegou na cidade e está querendo criar novos laços…

O que logo no inicio pareceu esquisito, quando você apenas viu as perguntas iniciais – olhando agora parece uma excelente ideia – e É! O Dinneer estava fazendo um grande sucesso, já realizou ações com grandes marcas e abriu operação no exterior.

O Flavio Estevam um grande amigo, CEO do Dinneer sempre foi alguém que buscou desafiar o convencional e dessa vez acertou a mão em cheio.

Aqui tem um podcast muito bacana de uma entrevista que fiz com ele contando a realidade do empreendedorismo – Qual É A Realidade Do Empreendedorismo – Entrevista Com Flavio Estevan
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VOCÊ SE INCOMODA COM O LIXO, MAS O QUANTO? – B2BLUE

Eis um dos piores problemas da humanidade, que todas as pessoas sabem ser terrível e esta piorando. Alguns tentam ajudar fazendo pequenas ações de sustentabilidade, outros fazem um pouco mais que isso, mas muitoooo poucos realmente tomam isso como uma missão.

Pois a B2Blue foi no nível extremo disso, não só ajudar nessa questão, como criar um negócio sustentável a partir disso.

O novo mundo das Startups não visa responder questões de problemas sociais, ambientes e outros que temos apenas com leis de incentivo, ONGs ou arrecadações. O que a Revolução das Startups trouxe foi uma nova maneira de pensar estimulando encontrar oportunidades de negócio sobre este tipo de questão.

Neste caso a situação é: as empresas precisam descartar, normalmente esse lixo vai para aterros ou rios. Porém, muito do que é descartado em uma empresa, outra precisa comprar como material base de produção. O que fazer? Ligar os pontos.

O que é descartável para uma empresa, pode ser o insumo da outra. A B2Blue justamente se deu conta de criar um portal para que ambas as partes se encontrem e possam realizar essa negociação na plataforma.

O que seria lixo vira uma receita extra para a empresa. O que possivelmente seria comprado mais caro no mercado, vira um insumo mais barato vindo de outra empresa que iria descartar aquilo. O rio, aterro e outros lugares que receberiam esses entulhos não vão mais receber… Quem ganha? Todo mundo.

Muitas pessoas aqui também diziam que era impossível darmos um jeito nessa questão, apostando que apenas pelas vias tradicionais existiam maneiras de remendar a situação. O B2Blue provou mais uma vez que o impossível as vezes é questão de se dedicar a encontrar um jeito.

Faz tempo que conversei com a Mayura em um meetup em São Paulo e ela transbordava sua preocupação com o meio ambiente. O inspirador é ver ela fazendo algo a respeito do meio ambiente, numa questão tão crucial de uma maneira totalmente diferente e com resultados impressionantes.

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ORGULHO MONSTRO DESSES DOIS

Esses são dois cases brasileiros muito bacanas de empresas que hoje estão indo super bem, iniciada por jovens e que causam grande impacto. Espero que esses dois cases lhe inspire a começar a buscar uma jornada empreendedora que você acredite e seja significativa para muita gente.

 

Poucas Mulheres em Ciência e Tecnologia

A discriminação de gênero é um assunto de forte impacto social. Vivemos, de maneira geral, em um mundo patriarcal e machista. São pensamentos que devem ser combatidos para que as mulheres possam ter direitos iguais aos dos homens seja qual for sua área de atuação. Para evitar que as mulheres fiquem para trás, os países precisam tomar medidas práticas para mudar o rumo dessa situação. Esse posicionamento é defendido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), que aponta que esse atraso constitui um obstáculo a mais no que diz respeito ao progresso das mais variadas nações. Segundo Claude Akpokavie, membro do Gabinete para as Atividades dos Trabalhadores da OIT, “As mulheres tendem a estar sobre-representadas nas áreas de humanidades e ciências sociais, e sub-representadas na ciência e tecnologia. É necessário implementar medidas para reparar este desequilíbrio.”

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Entenda os porquês

Segundo a OIT, a grande diferença entre homens e mulheres nos campos científico e tecnológico está fortemente ligada às percepções que a maioria das pessoas têm em relação aos papéis de gênero e com as atitudes, a partir dessas percepções, em sociedades distintas. Isso vale tanto para os países desenvolvidos quanto para os que estão em desenvolvimento. Nesse sentido, pode-se afirmar que a maioria dos países encorajam as mulheres a seguirem carreiras “mais amenas”. Ainda segundo a OIT, há vários exemplos de histórias que revelam grandes discrepâncias em diversos países do mundo e que dificultam a participação das mulheres na ciência e tecnologia, tanto na escola quanto no mercado de trabalho.

 

Discriminação de gênero

Um estudo da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, afirma que muitas mulheres graduadas em cursos nas áreas das ciências sofrem discriminação quando tentam assumir cargos de investigação científica. O governo do Irã, por exemplo, já fez declarações onde foi afirmado que as mulheres serão excluídas de diversos programas universitários, como, por exemplo, física nuclear e engenharia eletrotécnica. Outro exemplo dessa discriminação de gênero acontece na China, onde várias universidades exigem que as mulheres tenham notas de entrada superiores, nos cursos de ciências, em comparação com as notas exigidas para estudantes do sexo masculino.

 

Influências sociais – estereótipos

Jane Hodges, diretora do gabinete para a Igualdade de gênero da OIT, afirma que “Em comparação com os homens, é menos provável que as mulheres estudem engenharia, ciências computacionais ou física. Os estereótipos em relação às mulheres representam-nas como sendo menos interessadas ou menos capazes em certas matérias – como matemática e ciência. Isto reduz inevitavelmente no seu acesso a profissões melhor remuneradas, ou a mercados de trabalho que podem oferecer melhores oportunidades. No entanto, quando são encorajadas, as mulheres atingem níveis de excelência nas áreas científicas”. Jane acrescenta ainda que é muito importante que as mulheres que atuam nas áreas de ciência e tecnologia não sejam mantidas apenas nos níveis mais baixos de trabalho. Segundo Jane, “Embora as mulheres preencham mais de 60% dos postos relacionados com tecnologias de informação e comunicação nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), apenas 10 a 20% são programadoras de computadores, engenheiras, analistas de sistemas ou designers”, afirma. “A educação e formação por competências – e uma mudança nas atitudes – são vitais para assegurar que as mulheres não sejam deixadas para trás” concluiu a diretora de gabinete Jane Hodges.