Programando um futuro feminista: Code Girl

 

<!– Como falei para vocês na entrevista que fiz com o Fernando Masanori fiquei de compartilhar  uma série de posts sobre este lindo evento chamado Code Girl 3 que aconteceu na última Sexta(20) em Natal,RN.  Sendo assim, dando prosseguimento aos posts achei o  relato da Bianca Brancaleone, publicado no “Casa da mãe Joanna“, e que a seguir vocês podem conferir. –>

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No dia 20 de novembro eu estava pela primeira vez em Natal falando para o maior e talvez mais importante público da minha vida.

Eram mais de 500 meninas entre idade de colégio e começo de faculdade que ansiavam pelo terceiro ano consecutivo ouvir um pouco de mulheres já formadas e no mercado de trabalho sobre suas carreiras, dia a dia e desafios na área em que escolheram se aventurar em tecnologia. Algumas moravam por perto, outras bem longe – caravanas levaram mais de 4 horas de viagem para chegar a Natal para o evento.

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Conheci o projeto do Code Girl provavelmente pelo Facebook, e desde então já ~shipei~ o projeto – mostrar para meninas que tecnologia pra para todo mundo. Durante o Campus Party de 2015, vi umas mulheres com camisetas do evento e puxei papo – para minha surpresa, eram as próprias organizadoras do evento! Conversei muito com a Profª Cláudia Ribeiro e as “Code Girls” Suzy Oliv e Naya Rocha, e como não podia deixar de ser, saí amando ainda mais o projeto.

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Em maio veio o convite para palestrar no evento – eu, no aeroporto, fazendo minha primeira viagem internacional – topei na hora. A ideia era falar da minha formação e experiência como profissional de arquitetura de informação, usabilidade e experiência do usuário, coisa que já adoro fazer sempre pois acho que é uma área de trabalho muito gratificante e, pensando no mercado, é uma direção muito boa também.

Algumas semanas antes do evento, gravei um vídeo para a página do Facebook e pedi para que me adicionassem caso quisessem, e nesse momento já começou meu contato com muitas das meninas. Mensagens falando como elas estavam ansiosas com o evento, como elas tinham interesse na área e queriam ouvir mais sobre, e a organizadoras confirmando como elas estavam empolgadas para o evento.

Atualizei algumas apresentações que já havia feito e fui, e ainda fiquei até a madrugada anterior refinando e pensando exatamente no que ia dizer – sem muitos jargões técnicos nem muitos termos que usamos sem necessidade em inglês. Minha apresentação era as 14h50, então teria tempo de ficar bem nervosa antes de subir ao palco.

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Eu mesma estava curiosíssima para todas as outras apresentações do dia. O evento começou com a palestra da Profª Rosiery Maia falando sobre Robótica, com sua filhinha Bruna passando slides e, claro, 2 robôs no palco e 2 de brinquedo de sua filha!

A apresentação seguinte foi da Klarissa de Souza sobre perícia digital – ela trabalha na PF e mostrou aparelhos e programas comuns no dia a dia de um perito que examina celulares, computadores, tablets e qualquer outro aparelho eletrônico que possa ser averiguado.

Na volta do almoço, tivemos uma videoconferência com a super Camila Achutti, que falou sobre empreendedorismo e como validar uma ideia de produto digital – logo na sequência comecei a me preparar para apresentar enquanto ouvia a Raquel Almeida falar do dia a dia dela na Thoughtworks como desenvolvedora e como eles presam pela diversidade e conscientização no ambiente de trabalho, apenas confirmando o que já ouvi bastante sobre a postura da empresa.

Dado o horário, era minha vez de subir ao palco.

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Diferente de outras apresentações, não estava (tão) nervosa dessa vez. De alguma maneira, eu pensava que não estava sendo analisada, julgada como profissional ali naquele palco – eu estava mostrando o que eu fazia, como pensava e o que gosto de fazer para centenas de meninas (e alguns meninos) que estavam naquele momento da vida que muitas de nós já passamos, de dúvidas do que seguir na vida, do que estudar, com que trabalhar. Foi ótimo, foi lindo, tudo fluiu bem e o final da apresentação também tive uma foto com o público que considero como o mais especial que já tive até hoje.

Descendo do palco ganhei abraços e pedidos de foto, no final do evento, foram tantas fotos, carinho e curiosidade vindo das meninas que eu estava em êxtase, com aquele sentimento de “é isso que eu preciso fazer na vida”.

Após minha apresentação, um grupo de meninas que participaram de um projeto chamado “Programando meu futuro” receberam seus diplomas e, para finalizar, Fernando Masanori falou sobre como a comunidade da linguagem de programação Python atua pela diversidade e inclusão pelo mundo inteiro.

Após essa parte “aberta” da programação, como já de costume, após o break da tarde, voltam apenas as meninas para o auditório, onde é aberto para perguntas e, de certa maneira, desabafos. Todos os palestrantes sobem ao palco e, em muitos momentos, o que fazemos é apenas ouvir.

Relato frequente é “eu gosto muito de tecnologia mas ninguém nunca me apoiou, mas depois desse evento eu tenho certeza que quero estudar e trabalhar com isso”, com suas variáveis chegando ao extremo de uma das participantes chorar muito enquanto dizia que a mãe nunca a havia deixado jogar, que ela gostava de design e programação e que só conseguiu apoio para estudar nessa área depois de casada, e que ela ia seguir nesse caminho com mais certeza depois do evento. Conheci uma menina de 13 anos que já ganhou hackaton (uma “corrida” para desenvolver ou planejar algum projeto ou produto multimídia) e uma mulher de mais de 40 anos que cursava desenvolvimento de sistemas mas tinha muita dificuldade e nenhum apoio e parou. Ela me perguntou o que podia fazer para estudar tecnologia, pois ela “sentia no coração” que ela gostava de TI, e não administração, como estava cursando. Falei para ela fazer cursos livres pela internet mesmo, até se sentir confiante e, se achar que era necessário, entrar na faculdade novamente – mas que nem sempre a educação formal era caminho que ela poderia ser uma ótima profissional de TI mesmo sem um diploma na área.

No fim do dia ganhei muitos novos amigos, eles podem estar apenas no meu Facebook por enquanto, alguns falando no chat, outros apenas observando as coisas (ás vezes nem tão úteis) que compartilho por lá, mas podem ter certeza que se eles acham que eu os inspirei, com certeza fui muito mais inspirada por todos eles pela vontade e persistência de continuar em uma carreira que muitos ainda dizem, não é para meninas – elas estão e MUITO aí para provar o contrário!

Por: Bianca Brancaleone

3 comentários sobre “Programando um futuro feminista: Code Girl

  1. carduglo disse:

    Bianca, assim como o Python, como o Massanori entre outros, você passou, depois do PythonBrasil11 a ocupar um lugar de destaque na minha vida! Hoje vc é minha “referencia”, todas vez que tenho contato com Django, me remeto a memoria do “Mezzanino”(E ai minha angustia toma conta de mim, porque preciso estudá-lo mais profundamente, minha próxima prioridade após o vestibular que vai ser 06/12) e daquela potiguar em cima daquele palco nos dando uma demonstração de sua eficiência e competência. Prezo muito as pessoas que se desenvolvem e que trazem nos olhos o prazer de empreenderem seu próprio negócio.Saber que continua sua caminhada incentivando outras meninas a assumirem com vc nessa caminhada, nos incentiva ainda mais.Obrigado menina pelo carinho pela atenção e por estar sempre compartilhando conosco suas emocioantes excperiencias. Com meus respeitos!

    • Bianca Brancaleone disse:

      CARDUGLO, emocionada com seu comentário! Procuro estar sempre a disposição no que puder ajudar – e quem quiser vir junto, com certeza somos mais fortes assim! Abração e estamos aí :*

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