Quando o medo não é bom conselheiro

por Claudia Nascimento, post especial + 50 e a Tecnologia

Acredito que a maioria dos +50, assim como eu, tem medo de aprender coisas muito diferentes e incluo nisso usar  tecnologia. Lembro quando era criança que algumas esposas tentavam aprender a dirigir com seus maridos. Fracasso total, juravam nunca mais entrar num carro e dirigir, saíam convencidas de que jamais conseguiriam. O ditado “ temos mais paciência por dinheiro que por amor” se aplica nessas situações.

Quem não pediu ao filho pra explicar algo no celular e computador e eles fizeram tão rápido que nem dá tempo de definir um passo a passo, sem contar que quando vamos usar já não lembramos da explicação e se pedimos ajuda de novo lá vem impaciência. Aí resolvemos deixar pra lá.

Tenho uma sugestão: chame seu filho, coloque o arroz, a panela e os ingredientes na pia e mande fazer o arroz, explique como deve proceder e saia de perto, sente na mesa na hora do almoço e aguarde o arroz pronto. Se fizeram com certeza entraram no You Tube e usaram um passo a passo. Pois é, existe passo a passo pra tudo. Vou usar os exemplos que domino: pra passar uma camisa, existe uma sequência de gestos, pra cozinhar também, nós estamos tão acostumados que achamos que nascemos com uma colher numa mão e um ferro na outra. Não nascemos, aprendemos.

Somos uma geração de avós totalmente diferentes, e avôs também. Muitos trabalham, cumprem metas, se viram pra não depender de ninguém, provavelmente viveremos até os 90 anos ou mais de forma totalmente diferente de nossos pais e avós.

Digo isso porque precisamos usar a tecnologia e tudo que ela pode fazer por nós, teremos que usar bem o celular, o Skype pra conversar com amigos, filhos, netos, sem precisar sair de casa, nos proteger de fraudes que os espertinhos querem nos impor. Usar os aplicativos do banco sem ficar na fila, nos divertir fazendo vídeos, editando fotos da família.

Quando precisarmos tomar remédios e monitorar nossas possíveis doenças, precisaremos de aplicativos que nos monitorem, que nos lembrem. Nada disso exclui o afeto, o carinho, os abraços, o cheiro de bolo com café que só a gente sabe fazer. Mas quem disse que tecnologia é inimiga do afeto? Diz a ciência que a mudança mais significativa nos rumos da humanidade foi a descoberta do fogo. Somos a única espécie que cozinha alimentos, que se aquece com o calor do fogo, mas ele foi e ainda é usado para destruir, se vingar e matar. Vamos voltar para as cavernas? NÃO, vamos fazer direito. Então é isso, convido você a encontrar alguém para te ensinar a usar o computador.

Escreva com suas palavras o passo a passo de cada ação num caderno, quando ficar dias sem usar volte a ele e relembre, vai demorar até começar a fazer sem pensar e principalmente a perder o medo, será devagar, mas pense em tudo que já fez na sua vida por amor e faça mais uma, dessa vez  por amor a você.

2 comentários sobre “Quando o medo não é bom conselheiro

  1. Brenda Costa disse:

    A mais pura verdade, depois que li, percebi que faço isso em casa. Na “rua” tenho a maior paciência para ensinar, dentro de casa a impaciência bate. Terei mais cuidado com isso

  2. Valdigleis disse:

    Belo post, percebi graça a esse texto que as vezes deixo a impaciência prevalecer e acabo não ajudando minha mãe a entender e a usar a tecnologia. Obrigado pelo belo texto!

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