Programando na FFLCH-USP (Hãããm???)

Hoje o post é bem pessoal, mas indispensável! Não podia deixar de contar essa minha experiência para vocês!

Há umas duas sexta-feiras atrás, eu acordei e minha irmã, aquela da linguística computacional (Essa aqui!), me convidou pra ver a famosa aula com ela (mentira!! eu que me convidei!!!) lá na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. De maneira bem genérica a aula é de programação em Python com a resolução de problemas aplicados a linguística, por exemplo como faz um algoritmo para o T9 do seu celular funcionar? Uma aula muito interessante! A que eu assisti foi sobre N-gramas! Foi muito bacana!

Bom, mas não estou aqui pra falar da matéria em si, e não porque ela não mereça, mas o que eu queria compartilhar é um fato incrível que ela está promovendo…

A primeira ótima surpresa foi chegar e já ver 5 meninas esperando para entrar na sala. Fiquei radiante de ver uma maioria feminina fazendo a matéria, afinal dos 12 alunos regularmente matriculados (os poucos que resistiram depois da fase de trancamentos), 9 eram meninas…siiiiim 75% da turma!!!UHUUULLL quem disse que programar é coisa de homem??!!!

Logo em seguida chegou o professor Marcos Lopes, ele me recebeu muito bem e eu ressaltei minha surpresa sobre o fato de termos uma turma com a maioria feminina e a fala dele foi: “Quando a gente dá algo mais difícil só sobram as meninas mesmo. Elas são muito dedicadas”. Fofo, não!?

Bom, superada a empolgação inicial a aula começou com o outro professor, o Marcelo Ferreira. Além da matéria ser super interessante, eu estava vendo ali estudantes independente do sexo desbravando uma mundo totalmente novo pra eles e gostando de estar ali. Percebi que todos que estavam ali sabiam que aquilo não era fácil, mas todos enxergavam a oportunidade de aprender e aprender muito independente se serem homens ou mulheres. Ali não existia nenhum preconceito ou impedimento. Queria que todo mundo visse aquilo e tomasse como exemplo….professores que querem ensinar e alunos dedicados independente de gênero!

Queria que as meninas e mulheres se sentissem apoiadas na empreitada de aprender o que elas quisessem e se isso for programação, que seja e que ela recebam incentivo : )

Sinceramente ganhei o meu dia, o mês e o semestre! hahaha. Ver que o mundo tá caminhando para frente, tanto na igualdade de gêneros, quando no interesse pela programação!hahahahah

Ver mulheres tendo a certeza que, mais do que programar são capazes de tudo, absolutamente tudo! E além disso ver homens apoiando-as nessa empreitada! : )

beijos felizes e esperançosos!

Linguística Computacional

Olá, aqui quem fala é…a irmã gêmea da Camila, dona deste blog! Vou me apresentar rapidinho. Sou a Carolina Achutti e faço Letras na USP com dupla habilitação, português e linguística.Confesso que meu xodó é a linguística, larguei o sonho de lecionar literatura para fazer ciência.

Atualmente, estudo aquisição de linguagem, pois considero a aquisição de nossa primeira língua a maior façanha que podemos realizar durante toda a vida, sem grandes sofrimentos adquirimos uma língua que irá nos conectar com o mundo.É maravilhoso, percebem? Alguém que tentou aprender uma nova língua depois de crescidinho sabe do quão difícil é, mas por que será que isso acontece tão naturalmente quando somos bebês?Será que somos todos prodígios quando crianças??? NÃO NÉ?HAHAHAHA

Explicar esse processo  é uma das tarefas centrais da lingüística, mas chega de falar disso, se vocês se interessarem peçam pra Camila me requisitar novamente! 😉

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 Hoje vim falar com vocês sobre outra coisa, comecei a fazer uma disciplina que chama-se Linguística Computacional.Foi amor à primeira vista, apesar de achar tudo muito complexo e difícil tenho me encantado dia após dia com a programação, antes tarde do que nunca né galera?Vocês já estão no caminho da luz a mais tempo!rs

Vamos lá, é um campo super multidisciplinar que envolve inteligência artificial,  informática e a queridinha da linguística,  utilizamos  processos computacionais para a manipulação da linguagem humana. A busca é desenvolver, através de um modelamento lógico-formal, sistemas com capacidade de reconhecer e produzir informação apresentada pela linguagem natural.

Tudo isso começou na década de 1950 e deve-se em grande parte aos EUA que usavam computadores para traduzir de forma rápida e  automática documentos redigidos em outras línguas.Até hoje não alcaçamos traduções perfeitas, mas a qualidade de tradução, atualmente, é bastante razoável. Isso evidencia a consolidação desta área de pesquisa, que se dedica, basicamente, ao desenvolvimento de métodos, algoritmos e softwares que deêm condições para o computador  lidar com uma língua natural de forma útil e sensata aos nossos olhos.

Além da aplicação tradutológica, temos também, reconhecimento de fala, síntese de voz, máquinas de busca, correção automática em processadores de texto, extração de informações de texto, sumarização automática, enfim, a aplicabilidade é gigante e cresce dia após dia.

Inicialmente tivemos que nos familiarizar com conceitos da matemática e da lógica (o que foi uma desgraça pra quem já estava há quase quatro anos TOTALMENTE afastada da matemática!!). Depois partimos para os elementos básicos do Python, com ênfase na biblioteca NLTK (Natural Language Toolkit). Tudo super desafiador para alunos de Letras sem nenhum tipo de conhecimento em programação, mas extremamente surpreendente.É uma ferramenta muito poderosa, polpa muito trabalho e torna tarefas que desenvolveríamos “na base do suor” muito mais seguras, pois neutralizam o erro humano. Incrível. Fica aí uma fagulha de esperança de que as pessoas se voltem pra a linguagem como objeto de estudo, as grandes empresas já perceberam isso e já estão de olho nessa ciência que a cada dia se coloca no cenário científico e sai dos gabinetes universitários.

Por fim deixo a seguinte notícia: Um programa de computador elaborado por três pesquisadores brasileiros — Cícero Nogueira dos Santos, da IBM Research, Eraldo Rezende Fernandes e Ruy Luiz Milidiú, ambos da PUC-Rio – conquistou o primeiro lugar na  XVI Conference on Natural Language Learning (CoNLL) 2012 Shared Task, a mais importante competição internacional em Linguística Computacional.

Viram só, já estamos na décima sexta conferência sobre o tema, com o Brasil campeão e você nem sabia disso…coisas que só o mulheresnacomputacao.com faz por você!

Mil beijos.

Dia da mulher e educação das meninas.

tuxmulher

Ebaaaaaa!!!!! Feliz día da mulher mulherada!!!! Parabéns pelo nosso dia!!!!!

UUUUUHHHHHUUUUUULLL

Bom, mas eu não vim aqui só pra dar parabéns pra vocês. Acabei de ver uma palestra sobre a importância das mulheres na tecnologia do  Ben Horowitz. Olha aí:
Abaixo coloco uma livre-tradução dos trechos que eu mais gostei:
“Se você educa uma menina, em média, você educa cinco pessoas. Em média, cinco pessoas são educadas porque, se você educa uma menina, ela educará pelo menos quatro outras pessoas durante o curso de sua vida. Isso é apenas estatística. Se você educar um garoto, e tiver sorte você vai educar uma pessoa. E isso é porque eles estão com fome e eles não sabem o que fazer “, ele brinca  e continua, “e não deveria ser tão surpreendente para nós.”
“Então, basicamente, sem direitos paras mulheres, sem meninas indo para a escola, sem meninas aprendendo coisas, sem meninas se tornando parte delas, então você terá um monte de analfabetismo e você terá um monte de pessoas com fome que não sabem o que fazer, e isso é uma boa receita para a violência. Se tivéssemos que voltar no tempo, talvez o que não deveríamos ter tentado era empurrar o mundo para a democracia, mas talvez devêssemos ter brigado por um mundo com direitos para as mulheres. Talvez fosse a primeira coisa, pois uma vez que temos os direitos das mulheres, podemos falar sobre liberdade de imprensa e democracia.”
“Você lembra da Borders (uma famosa livraria dos EUA)? A Amazon a comeu. Existia propaganda direta, foi comida pelo Google. Existiam filmes desenhados a mão, a Pixar os comeu e a Disney teve que comprar a Pixar para continuar no mercado. Alguns de vocês lembram da Kodak. Existia também uma empresa chamada Fotomat. A fotografia digital e o Facebook comeram a Fotomat, a comeram no almoço e ninguém percebeu.”

“Pagamentos e dinheiro estão começando a serem comidos por empresas como a Square e PayPal. O meu celular comeu minha calculadora, ele comeu o meu relógio, ele comeu minha câmera, ele comeu meu Dayrunner e como um adolescente, ainda está com fome. Então, o software está comendo o mundo. E a próxima comida será a educação. Depois os serviços financeiros. E vai continuar. E se o software  vai comer o mundo, a pergunta que temos que fazer é: que tipo de mundo teremos??? E eu acho que a resposta é, o futuro da humanidade depende inteiramente da tecnologia. Porque, veja, o que vai acontecer se os softwares comerem o mundo e todos os programadores forem meninos? Primeira coisa, haverá uma escassez de programadores, porque os meninos não educam ninguém. E acho que é o que temos agora – temos uma escassez de programadores. E por isso é tão importante – o trabalho que você está fazendo aqui é tão importante . “

“E então eu apenas gostaria para fechar, citar um grande filósofo/rapper Drake que diz: ‘Eu sei que as coisas são difíceis, mas garota você pode, garota você pode, olha oq ue você conseguiu e agora tudo que eu posso dizer é “Eu estou tão orgulhoso de você.”

E eu também quero encerrar esse post especial do dia da mulher dizendo isso: Eu estou tão orgulhosa de vocês, mulheres na computação!

Mil beijos!