Hackaton iamtheCODE

Com apoio da Microsoft, iamtheCODE promove seu primeiro hackaton no Brasil

Iniciativa reúne meninas para discutir objetivos sustentáveis da ONU e aprender sobre programação

 

Com o apoio da Microsoft, a organização iamtheCode realizou no Brasil a primeira edição de seu hackathon, que tem o propósito de discutir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU). O evento aconteceu neste final de semana (21 e 22), na cidade de São Paulo. O hackathon está alinhado à missão da Microsoft de empoderar cada pessoa e cada organização a atingir mais por meio de tecnologia.

Participaram da iniciativa cerca de 60 jovens, com idade entre 9 e 16 anos, provenientes de ONGs apoiadas pela Microsoft no Brasil. Antes do hackaton, as meninas contaram com aulas sobre programação e palestras. A iamtheCODE já capacitou mais de 7 mil meninas, em 50 países.

O hackathon iamtheCODE teve quatro circuitos e desafios, de acordo com os seguintes objetivos da ONU: fome zero e agricultura sustentável, educação de qualidade, igualdade de gênero, consumo e produção responsáveis e parcerias e meios de implementação.

O circuito principal foi criado em parceria com a Gastromotiva, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscpi) que utiliza o poder da comida e da gastronomia como um agente social de mudança, buscando transformar as vidas de pessoas que vivem em situação de exclusão e vulnerabilidade.

As melhores ideias das meninas serão desenvolvidas e apoiadas por programas locais de incubadoras com orientação e co-criação de soluções.

Ao engajar mulheres e meninas em projetos para resolver os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU por meio de tecnologia e inovação, a proposta da iamtheCODE é fazer com que mais meninas se interessem por tecnologia e possam participar da revolução dos dados que está em andamento. O hackathon funciona como ponto inicial para recrutar jovens meninas para os clubes digitais da iamtheCODE. No Brasil, ele deve ser fundado na Bahia, após a entrega de 10 kits, com computadores e outras ferramentas.

Paula Bellizia, CEO da Microsoft Brasil, será uma das embaixadoras do projeto com Cynthia Zanoni e Lisiane Lemos, executivas da empresa. Elas vão integrar um time formado por Michele Obama, ex-primeira dama dos EUA, Ameenah Gurib, presidente das Ilhas Maurício e Syvia Coutinho, presidente da instituição financeira UBS no Brasil.

 

iamtheCODE

O iamtheCODE é o primeiro movimento global liderado unicamente por africanos para mobilizar governos, setor privado, organizações filantrópicas e fundações para avançar no fortalecimento de disciplinas como ciência, tecnologia, engenharia, artes, matemáticas, empreendedorismo e design. São áreas que desempenham um importante papel de suporte aos objetivos sustentáveis da ONU, especificamente: Educação, Igualdade de Gênero, Crescimento Econômico com Igualdade e Inovação.

Um pilar fundamental do iamtheCODE é empoderar jovens mulheres ao redor do mundo, de forma a melhorar suas condições econômicas. Sua missão é criar uma geração de mulheres e meninas programadoras até 2030, medindo os indicadores globais e monitorando o seu progresso por meio de dados, que são fundamentais para promover igualdade de gênero e melhorar a qualidade de vida das mulheres.

 

Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (SDGs)

Para entender melhor como a Microsoft e outras empresas de tecnologia da informação conseguiram avançar com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, a Microsoft patrocinou o relatório da Global E-Sustainability Initiative (GeSI) e Accenture chamado “#SystemTransformation”. O relatório apontou que a tecnologia digital pode ajudar a colocar todos os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável ao alcance, permitindo uma ampla gama de oportunidades econômicas e sociais em todo o mundo.

Essas diretrizes incluem 17 objetivos que servem como um plano diretor orientado para enfrentar os maiores desafios do mundo e garantir que ninguém seja deixado para trás. Indivíduos inovadores são extremamente necessários para se unirem a países e parceiros para transformar planos globais ousados e ambiciosos em ações reais. Veja a lista com os 17 objetivos clicando aqui.

Dia dos Professores: Não temos muitos motivos para comemorar.

Nesse dia dos professores fiz um post fofinho nas redes sociais sobre como adoro ser professora e me senti vazia. Quero mesmo refletir o papel desses milhares de professoras e professores para a sociedade brasileira. O meu país, o Brasil, é um lugar onde educação e educadores não são prioridades. Onde vejo professores sendo violentados, literalmente. Onde falar que você é professor é motivo de piada. Se você for professor de educação pública básica então , você merece o pior da nossa nação canarinha.

Eu já andei por muitas escolas, na cidade e no país inteiro, públicas e privadas, com mega laboratórios e dentro de barcos e tenho convicção que não vi nem um centésimo do que deveria ter visto tenho um diagnóstico: Não temos muitos motivos para comemorar. Na verdade temos congelamento por 20 anos dos investimentos em educação. Na verdade temos descaso com pesquisas científicas. Na verdade temos professores mal remunerados. Na verdade temos escolas que não podem falar de gênero, nem de política. Na verdade temos um sistema do século 19 que está ensinando sobre o século 20, sem se preocupar que já estamos no século 21.

Ser professora/professor é ser agente transformador. Ser professora/professor é ser alguém que se preocupa com o aprendizado de outras tantas e tantos. Ser professora/professor é dar um jeito de tirar o melhor de outros seres humanos sem muito recurso ou manual de receita ( porque quem fala que tem começou errado já que cada ser humano/aluna(o) é diferente). Mas ser professor no Brasil é conviver com uma realidade e enfrentar tudo e todos! E como disse Paulo Freire: “Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão”. Se queremos mudança temos que refletir, tentar, testar, errar, medir e criar.

Ainda com Paulo Freire na cabeça, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Tenho certeza que o dia que esse país reconhecer as/os professora(e)s e parar de pintá-los como vilões por governos, pais e mídias, nós vamos andar pra frente finalmente.

Não podemos mais colocar a culpa na(o)s professora(e)s tendo um sistema educacional inteiro fracassado (e aqui nesse balaio tem ensino privado, público, superior, vocacional, o MEC inteiro). E não é a Camila que está falando isso, é a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico): a(o) professa(o)r brasileira(o) trabalha muito e sua formação ainda deixa a desejar (TALIS2013).

E que bom seria se o único problema fossem os números de horas. A(O) professa(o)r brasileiro também enfrenta o desafio de salas com maior número de alunos e, mesmo assim, tem disponível o mesmo tempo para gastar com o planejamento da aula e correção de trabalhos e provas. Isso, claro se a gente olha a folha de pagamento teórica, porquê na prática seria ainda pior.

Fica a reflexão: mesmo que ela/ele queira, será que a(o) professa(o)r brasileira(o) consegue preparar uma aula/atividade/dê o nome que quiser em que os alunos tenham tantas oportunidades de aprender quanto dos seus colegas em países da OCDE?

Será que adianta a gente pedir mudança e não lutar por política pública? Estou aqui num exercício de mea culpa. Uma reflexão compartilhada meio egoísta, mas genuína: fazer um currículo como dissertação de mestrado que viabiliza qualquer professor a dar oportunidade de turma desenvolver letramento digital e não lutar por mais dignidade e tempo para que ela/ele o possa fazer/praticar adianta?

Precisamos clamar por mudanças estruturais isso sim!Precisamos valorizar professoras e professores como agentes transformadores. Precisamos das professoras e professores desse país!

Preparados? Vamos juntos?

Invitation irréfutable (leia-se: convite irrecusável)

Quando alguém que você admira muito te faz um convite, primeiro você se espanta e depois você aceita sem pensar em nada no intervalo dessas duas sensações. Minha vinda para Paris foi assim. Recebi um convite e nem me preocupei em avaliar as condições, se o evento seria legal, quem estaria comigo ou qualquer outra coisa totalmente plausível quando você vai deixar sua casa e ficar pelo menos 22hs voando (ida e volta) num treco que tem asa e para em outro continente.

Aí conseguir ajeitar as coisas pra praticamente passar o final de semana em Paris, se alguém me contasse quando eu tinha 10 anos que um dia, nem tão longe assim eu ia passar um final de semana em Paris eu ia rir copiosamente da cara dessa pessoa e falar: “Ninguém passa o final de semana em Paris”. Pois é, cá estamos no vôo de volta desse final de semana.

Mas sabe o que também me faria rir copiosamente se alguém me falasse?! Que eu ia estar em um evento em Paris de estudantes brasileiros, dezenas deles, que estudam no Velho Continente e querem mudar o país dando educação de qualidade sem deixar ninguém para trás e por isso montaram uma organização chamada BRASA. Mais do que isso, que eu ia falar para todos eles e todas elas sobre educação e o que vem mudando no mundo, mas o que especialmente estamos fazendo em uma empresa que foi concebida por mim e por um sócio com menos de 30 anos e que nessa mesa ia estar uma pessoa que você admira muito por fazer política pública para educação que até já tinha sido secretária e ministra. E que por estar nesse evento ia conhecer muita gente bacana inclusive o Embaixador, gente da UNESCO, do Banco Mundial, da Câmara de Comércio e muitos estudantes incríveis com histórias de vida ainda mais incríveis. E não foi isso que aconteceu esse sábado? Chocante né!?

Acho que eu nem preciso falar o quanto o evento me fez refletir sobre um milhão de coisas, mas como ninguém vai ler se eu listar todas as 1 milhão de coisas separei as 3 que ficaram mais latentes.

Como é bom ser a pior da sala de vez enquanto.

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Já reparou que a gente constantemente se sente o melhor da turma, do evento, da aula, da competição e acha isso incrível e por isso acaba sempre procurando lugares onde a gente tenha essa sensação. Com certa frequência a gente foge de lugares que a gente sabe que não vai entender direito, ou que a gente não conhece as pessoas, mas elas parecem vividas e com mais experiência? Poucas vezes nos damos essa oportunidade. Aí depois que você acaba virando referência, com frequência te dão o palco e o microfone. Isso não é ruim ou está errado, pelo contrário, é incrível. Só que você para de frequentar lugares opostos, onde você está lá e tem plena convicção que não é referência coisa nenhuma e que tem tanta gente que já andou estradas tão mais longas que a sua, ou até mais curtas, mas mais relevantes. Você para de se dar a oportunidade de só escutar, de criar as suas referências. E é por isso que ser o pior da sala é a oportunidade de ser o que mais vai aprender coisa nova. Pensa nisso e não foge dessa situação.

Esse final de semana significou isso para mim! Poder ouvir pessoas incríveis sobre temas que nem sempre tenho a oportunidade. Porque que eu só posso ouvir e me interessar sobre Educação e Tecnologia? E a Amazônia, onde anda? E o cenário político, como está?

Paris mudou.

Vim para Paris 3 anos atrás para um evento de tecnologia e inovação. Tinha acabado de voltar dos Estados Unidos e estava inserida no meio no Brasil. Cheguei aqui e vi um evento muuuito aquém do que eu esperava. Na época minha leitura foi: Paris está comentando o mesmo erro que nós e querem “copy-and-get” os Estados Unidos. Parece que por terem sido berço de muitas ciência e inovação no passado, eles não queria pisar nesse passado e embarcar no século XXI. Tudo ainda era bem analógica e qualquer coisa que abria automático já era inovação. Startup também não era um assunto atrelado a inovação, não existiam muitos encontros ou espaços para esse tipo de agente dentro do país.

Voltei esse final de semana e fiquei em choque. Tudo mudou. Temos o maior espaço dedicado a aceleração de startups do mundo, o Station F. Uma enormidade. Temos co-working público, temos WeWork na Lafayette, temos incentivos fiscais, temos pólos de competência espalhados pela França toda, onde governo, universidade e iniciativa privada se encontram para gerar inovação, vi uma juventude que tem empreendedorismo e inovação na grade obrigatória das universidades, vi crianças que tem programação desde o inicio da escola pública, vi ensino ativo e alunos produzindo trabalhos de conclusão de curso dignos de exposição. E o mais incrível, não é que o governo banca tudo isso?!

Nem sei bem explicar o que rolou, mas a galera mais esperta que eu tive a sorte de encontrar me deu uma explicação que fez sentido. Em tempos de Brexit, governos fora da sanidade mental, o poder tinha que ir para algum lugar, já que não existe vácuo de poder, com inteligência um governo jovem está investindo para que cada vez mais venha para, França, especificamente Paris, o poder de inovação e tecnologia da Europa. Eu não sei vocês, mas eu comecei na hora meu Duolingo de Francês.

Colaboração e propósito podem com tudo.

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Falar de colaboração e propósito tem virado piegas e ninguém mais aguenta mais ver meia dúzia de pessoas que primeiro discute os seus cargos e depois vai criar a empresa. Que começa movimentos incríveis nas redes sociais e depois acha que é suficiente. O que eu vi aqui foi uma organização de jovens que colabora de verdade tem um propósito muito claro. Como ouvi de uns homens mais inteligentes que conheci e que pra variar foi nesse final de semana: O exílio é o melhor remédio para o patriotismo, onde a inversa também é verdadeira. Você só consegue ver o quanto seu pais é importante e as suas qualidades e dificuldades , quando você não pode estar nele. O BRASA é algo que todos os estudantes que por algum motivo estão fora do país deveriam conhecer, procurar, ajudar e conviver. Google it now!

Vou só dar um exemplo, eles todos se esforçam para conseguir estar em um mesmo lugar para o Summit que foi o evento que eu participei, e você vê eles todos se organizando indo no evento não só para escutar, mas para produzir, mudar, gerar. Eles podiam só estar usufruindo do status de ter uma dupla titulação de duas faculdade muito incríveis, falar 4 línguas e terem a tal da vivência internacional, mas não….eles ao invés de viajar por 23 euros para a Escócio porque o vôo estava barato eles passaram o final de semana discutindo o cenário brasileiro em 3 âmbitos: meio ambiente, educação e acesso a capital.

Por isso digo e repito, colaboração e propósito podem resolver tudo quando apontados com intenção para um direção.

Diversidade em STEM é um problema do mundo.

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A discussão de gênero era latente, todos se preocuparam em usar mais do que o artigo feminino nas construções dos discursos, eles estava realmente discutindo o papel da mulher em todos os âmbitos e sabe porque? Aqui na França o problema também de baixa diversidade também existe, são poucas nas STEM, mas sabe qual foi a diferença que todas elas me apontaram? Todos já mudaram a cultura e entendem que isso é um problema, tomam atitudes, pois percebem a importância. Os professores não fazem piadas machistas por medo de sofrer retaliação do grupo feminista da instituição, mas porque eles entenderam que é idiota. Aqui a mudança quantitativa ainda não veio, mas a qualitativa está aí para todo mundo ver.

Mil beijos!