Já ouvi muitos questionamentos e críticas sobre minha capacidade técnica para área e até hoje ainda me perguntam se escolhi o curso certo.

Gente, estes dias pude conversar com uma alagoana arretada que está fazendo aquela zoada maravilhosa quando o assunto é mulheres na Computação. Ela é a Júlia Albuquerque, tem 20 anos, estuda Ciência da Computação da UFAL, é pesquisadora no Laboratório de Tecnologias Inteligentes, Personalizadas e Socias (TIPS) do Instituto de Computação, Colaboradora-Voluntária do Wo Makers Code, bolsista TIM-OBMEP (IMPA), Técnica em Informática pelo Instituto Federal de Alagoas. Enfim, já deu para perceber que a Júlia é aquele tipo de pessoa que amamos, né?! Então, com vocês a minha conversa com a Júlia.

 

Mulheres: De onde veio esta vontade de cursar  BCC?

Júlia:Eu sempre tive a certeza, desde o ensino fundamental, de que iria cursar algo na área de exatas, mas não sabia o que exatamente. Foi ao ingressar no curso técnico de informática (como um acaso e não uma escolha minha propriamente) que me apaixonei por programação na disciplina de Algoritmo do primeiro ano.

Infelizmente, apesar do encanto que tive ao estudar pela primeira vez programação, não era estimulada nem dentro nem fora de casa a seguir na área. Talvez por falta de representatividade, não tinha nenhuma mulher na família que trabalhasse com Computação ou professora de Informática no Instituto, nem mesmo tinha uma referência além das paredes de casa ou da escola. A decisão de fato, depois de muito pensar, só veio no final do curso, quando comecei a participar mais de eventos.

Esses eventos de tecnologia não só abriram minha visão sobre o leque de possibilidades que a área poderia me oferecer, como também me deram, como uma lindo presente, a representatividade feminina em TI que antes não tinha. E a cada dia tenho mais certeza de que estou no caminho certo e ajudando a construir algo que pode mudar a vida de muitas pessoas. Esse é o objetivo. ^_^

julia

Júlia Albuquerque

Mulheres: Já enfrentou algum tipo de preconceito por estar na área de TI?

Júlia:Sim, já sofri preconceito. Começou no ensino médio técnico, não só por querer me aprofundar na área, mas também me envolver desde muito cedo com competições de matemática, física e exatas no geral. No caso dessas competições, ser uma das poucas mulheres e ainda assim ganhar uma medalha, gerava desconforto em algumas pessoas acompanhado de alguma piadinha. Já ouvi muitos questionamentos e críticas sobre minha capacidade técnica para área e até hoje ainda me perguntam se escolhi o curso certo.

 

Mulheres: Já organizou algum evento?

Júlia: Sim, já organizei e pretendo continuar. Por ter nascido no interior de Alagoas, poucas vezes tive contato com eventos dessa natureza. Após buscar muito e ter tido várias oportunidades de conhecer e entender a importância que esses eventos possuem para comunidade, comecei a organizá-los. Me trouxe muita alegria várias vezes ter escutado de meninas que participaram desses eventos que foi um grande incentivo para que elas tomassem a decisão de seguir na área.

Atualmente estou apoiando a organização de alguns eventos de TI, e os voltados para empoderamento feminino são: Rails Girls Maceió (com Marina Limeira), Wo Makers Code (com Esther de Freitas) e PyLadies Maceió (com Alessandra Aleluia).

wmc

Júlia participando do WMC.

Mulheres: Qual a tecnologia que não pode faltar no seu dia a dia?

Júlia: Atualmente eu tenho utilizado bastante JAVA com os projetos da faculdade. Mas o meu engajamento maior, das tecnologias que já utilizei, foram PHP e JavaScript; essas sempre estou utilizando. Mas eu amo aprender, acredito que um programador precisa estar aberto a sempre utilizar e testar coisas novas e se adaptar a depender do trabalho que esteja desenvolvendo.

Mulheres: Algum comentário extra?

Júlia: Eu acredito muito no potencial que todas as pessoas têm para fazer qualquer coisa que elas quiserem fazer. Que as meninas sejam encorajadas a fazer Computação se essa for a vontade delas, e saiba que estamos aqui para ajudá-las e fazermos juntas aquilo que nos traga brilho no olho. E essa é a palavra-chave: brilho no olho. A vontade de mudar o mundo e a vida das pessoas, de fazer a diferença e ser parte da mudança que tanto queremos. Independente de gênero, o que mais importa é fazer o que se faz com amor e propósito.

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