“Nem todo mundo nasceu com uma habilidade excepcional na programação, mas certamente consegue aprender a programar.”

Olá, pessoal! Cá estou de volta com mais uma entrevista. Dessa vez tive a honra de entrevistar as meninas do <Code Girl> a Suzy Oliv, a Cláudia Ribeiro, a Nayara Rocha e a Tainá Medeiros. Foi um papo super divertido e motivador, assim como o é o Code Girl. E eu desde o último evento já estou ansiosa para o próximo que está marcado para acontecer dia 20 de Novembro deste ano por Natal/RN. Então, vamos lá para a entrevista na íntegra. Divirtam-se!

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Mulheres na Computação: O que motivou sua atuação na área tecnológica?

Cláudia: Então, minha motivação nem foi das mais nobre.(risos) A minha irmã mais velha  já trabalhava na área tecnológica e eu via que ela estava se saindo bem, tinha emprego, sempre tinha dinheiro para comprar roupa, viajar, essas coisas e foi um grande incentivo, então eu pensei “bem, acho que essa área é boa”(risos)

Mulheres na Computação:Quando foi que você percebeu a necessidade de equilibrar a proporção entre gêneros na área tecnológica?

Cláudia: Bom, pra mim sempre foi muito frustrante, porque eu dou disciplinas nos últimos períodos no nível superior, e perceber como quase não tinha mulheres trabalhando, estudando nessa área, nossa, foi um choque! Então isso me incomodava bastante porque a gente sempre acredita que é importante ter a representação de homens e mulheres em todas as áreas. Então essa falta de mulheres nos cursos superiores, na academia, isso certamente vai projetar uma falta no mercado de trabalho.

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(Da esquerda para à direita) Suzy,Cláudia, Nayara, Soraya e Tainá

Mulheres na Computação:Com isso surgiu a ideia do “Programar meu futuro”?

Cláudia:Exatamente! A gente estava bastante incomodado com isso, com uma realidade mais específica aqui do IF, mas a gente sabia que isso era representativo de vários outros lugares também. Logo, em atendimento a um edital do CNPQ, inscrevemos esta proposta, e foi até um certo mergulho para entender o que  acontecia exatamente no IF e se era representativo de outros lugares.

Mulheres na Computação:E este nome “Programar meu futuro”?

Cláudia: Então, a gente escreveu este projeto, o Programar meu futuro, o próprio nome já é bastante rico, programar é a essência da nossa área, é como a gente materializa as nossas ideias, nossa criatividade é de alguma forma representada no código, e aí, essa coisa de que a programação ,então, está na base da computação, cria uma perspectiva de futuro para as mulheres, porque hoje todos os produtos tem tecnologia embarcada, então, a programação é quem faz isso acontecer. Logo, se as mulheres não estão participando disso elas estão na verdade no processo de exclusão, isso é realmente preocupante.

Mulheres na Computação:Programar meu futuro tinha ações voltadas mais para dentro do IF ou em outras escolas?

Cláudia:A gente percebeu vários problemas, primeiro as meninas que estavam no ensino médio não estavam considerando os cursos na área de Ti como sendo uma possibilidade, tivemos que ir lá na escola para entender isso, entender também como podíamos transpor esse obstáculo, por isso que lá no programar meu futuro tem uma ação lá na escola do ensino médio, para mostrar para as meninas que programar é uma atividade como outra qualquer, que claro, requer um certo treinamento, um certo conhecimento, mas que qualquer um é capaz de fazer. Eu gosto sempre de utilizar esta metáfora “ nem todo mundo nasceu para ser bailarina, mas você  pode aprender a dançar, ou seja, nem todo mundo nasceu com uma habilidade excepcional na programação, mas certamente consegue aprender a programar.

Mulheres na Computação: Teve uma outra ação?

Cláudia:A segunda ação foi a gente trabalhar a questão da evasão no IF,pois em todas as turmas do superior que passavam por aqui nós tínhamos uma quantidade mínima de meninas que estudavam e se formavam. Na verdade tivemos anos em que nenhum menina se formou. Então nessa vinha nós possibilitamos para as meninas a possibilidade de ir em empresas como por exemplo s TW em Recife, fomos em caravana e mostramos um ambiente de trabalho que era muito legal.

Mulheres na Computação:E o Code Girl, como surge?

Cláudia:Digamos que o Code Girl é a cara externa do Porgramar meu futuro, e claro, ganhou uma dimensão muito grande. Nós não só trazemos mulheres que são referências para as meninas que querem seguir na área ou que já estão, mas queremos mostrar com a presença dessas, que a dificuldade é comum a todas. O que acontece é que e alguma forma, e isso vale para mim também, porque eu tive vários problemas de inserção, de trabalhar em um equipe predominantemente masculina e de eu ser tanto a subordinada como em outro momento eu ser a líder de um grupo de homens, de desenvolvedores. Certamente isso apresentou uma dificuldade e obviamente eu tive a minha forma de solucionar e outras mulheres tem a sua forma de solucionar e vão em frente. O Code Girl faz muito isso, a possibilidade de trazer outras mulheres para falar e de motivar outras mulheres.

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Mulheres na Computação: Então, até qual momento é interessante trabalhar ações como o Code Girl?

Cláudia:Olha, a gente entende que conectar mulheres que estejam na área é  uma coisa que é prazerosa, estimulante, né? Propiciar esta troca de informações… A gente agora está muito preocupada em trazer mulheres para a área, mas a gente entende que em qualquer momento, no futuro, mesmo quando a questão de gênero que a gente acredita não vai ser mais um problema no futuro, quando as mulheres descobrirem que são tão capazes de trabalhar quanto os homens e elas entenderem quanto importante é a presença delas na área, a gente acha que a questão de estimular não será mais necessário, mas ainda assim a gente entende que vai ser um momento muito prazeroso essa troca de informações para a meninas que já estão na área.

Mulheres na Computação: E aí, Tainá, Qual a sua opinião sobre o último Code Girl?

 Tainá: Eu fiquei muito impressionada no último Code Girl porque vi que as meninas tem vontade de trabalhar com games e não se acham capazes, “porque, ai meu Deus eu tou jogando aqui um jogo maravilhoso e eu não vou conseguir fazer isso”, dizem elas.  Então, tem muito desse pensamento e assim que resolvi criar o Meninas também jogam, que tem o mesmo objetivo que o code girl, mas ai já incentivando as meninas na área dos games, logo comecei a ministrar mini cursos de desenvolvimento de games, então elas aprendem a programar fazendo seu próprio jogo.

Mulheres na Computação: Suzy, então, qual o diferencial do Code Girl para os demais eventos de tecnologia?

Suzy: Nós conseguimos estimular as meninas porque tratamos das áreas, então, ah, se eu quiser fazer Direito, Jornalismo, administração, enfim, eu vejo que a computação também é usada, interessante que você juntou a programação com a poesia, e isso é um bom exemplo. Ex-alunas minhas e de Naya, dizem” Ah, eu não gosto da área de programação, mas posso trabalhar na área de designer, posso ser analista de negócios, eu queria ser uma gerente de projeto, então você ver outras perspectivas, e nos outros eventos eu via que falava muito de código e os meninos quase que pulavam no palco e as meninas corriam, porque elas não conseguiam falar, porque os meninos ficavam lá agarrando os palestrantes e as meninas se sentiam excluídas, desmotivavam. O Code Girl é muito motivacional, quando a gente faz aquele café a gente quer levar as meninas a desabafarem. Então, o que a mulher quer? A mulher quer se encontrar em alguma coisa.

Mulheres na Computação: E tu, Nayara, acredita que as áreas de TI no mercado de trabalho precisam ser mais exploradas?

Nayara: Então, Soraya, várias áreas já são bastantes conhecidas, como Direito, por exemplo, as meninas já sabem as áreas que elas podem atuar se escolherem Direito, mas a área da TI ela se tornou tão ampla que as pessoas não sabem direito em que elas podem atuar, e tipo, ainda existe o esteriótipo que TI é só para programador. Seria interessante se a área de TI, que as várias possibilidades de trabalho desta área fossem melhores exploradas, que é justamente o que fazemos no Code Girl.

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