“Se eu sei fazer em Python eu me sinto, hoje, capaz de fazer em qualquer outra linguagem.”

À esquerda Hellen Lemos, ao centro, Soraya Roberta e à direta Débora Azevedo.

Ontem estivemos participando da Semana de Informática do campus IFRN-Currais Novos, no qual, tivemos a honra de participar do minicurso sobre “Programação básica em Python “e a palestra sobre “PyLadies de incentivo à programação em Python”, ministrado por Hellen Lemos(23) e Débora Azevedo(21), representantes do PyLadies Brasil. Para Hellen ”é muito gratificante participar do PyLadies, porque ajudar meninas a descobrirem essa linguagem e fazer com que elas se apaixonem assim como eu me apaixonei, não tem preço”, afirmou a programadora.

Assim como Helen, a Débora é outra apaixonada por Python e seu currículo já é bem amplo na área da informática para quem tem só 21 anos de idade, pois o seu primeiro contato com a tecnologia foi no IFRN-Currais Novos em seu curso técnico em informática, todavia, assim que terminou o técnico optou pela área de linguagens e anos depois retornou para informática. A explicação para isso está na entrevista a seguir que ela nos concedeu.

Mulheres na Computação: Por que você não continuou na área de Informática assim que terminou o seu curso técnico indo cursar Letras/Inglês?

Débora: então, foi muito complicado para mim partir de uma linguagem como portugol, que é um linguagem parecida com o Português e em um bimestre ver c++ e no outro já começar a ver JAVA, além disso, eu não possuía computador, então, passei meu técnico integrado fazendo todos meus códigos na mão e quando eu tinha que colocar os códigos para testar tinha que ir para a casa de amigos ou laboratório do colégio para fazer. E… Assim, foi bem complicado! E… Eu não me sentia apta para fazer aquelas coisas( programar, configurar redes…), porque eu tinha muita dificuldade em desenvolver, mesmo que eu pensasse em uma forma de desenvolver o problema que era passado, eu brigava muito com as linguagens que eu tinha que lidar e eu acabei não me interessando pelas áreas que a gente ver no técnico, que são programação, manutenção, redes e como a gente fazia o Ensino Médio junto com o técnico eu me sentia muito mais atraída pelas disciplinas de Ensino Médio, como literatura, do que com as técnicas e por isso optei por fazer Letras Inglês.

Mulheres na Computação: A partir de qual momento você disse: “eu quero voltar para informática!”?

Débora: Quando eu estava fazendo Letras/Inglês apareceu a oportunidade de fazer um outro curso técnico. Então, eu escolhi redes, porque eu poderia ver infraestrutura, cloud … Várias outras coisas e eu não queria programar… Achava que redes não tinha nada de programação, mas quando olhei a grade curricular descobri que dos 4 semestres, três eu iria ver programação.  E lá vamos nós de novo, vamos programar! (risos) Mas eu queria me dedicar a esse curso. E… Quando eu estava em redes foi que eu vi Python, tinha tido um contato muito pouco com Python quando eu fazia o Ensino Médio, mas eu tinha agora disciplinas em Python. Então assim, eu passei um semestre e meio trabalhando com disciplinas de Python, como programação básica, programação para redes, então a gente viu sockets com Python e também para desenvolvimento web. Foi muito emocionante para mim ver um código que eu fiz sendo executado e aparecer uma animação. Foi muito emocionante para mim ver que a minha primeira biblioteca com empréstimo estava funcionando. É… O Python me empoderou muito! Hoje, eu me sinto capaz de fazer as coisas, por isso eu voltei. Se eu sei fazer em Python eu me sinto, hoje, capaz de fazer em qualquer outra linguagem.

Mulheres na Computação: O que você acha da interação informática com essas outras áreas, como no seu caso, Letras/Inglês? Isso contribui para o seu conhecimento como na hora de programar?

Débora: Uma das coisas mais incríveis depois que eu comecei a fazer Letras/inglês, foi que o meu conhecimento em Inglês aumentou absurdamente, então, coisas que eu tinha visto no Ensino Médio faziam todo sentido agora, por exemplo, aprender a mexer no LINUX, ver comandos, pastas, além de ter me ajudado muito mais a programar e a ver os problemas, tendo em vista que a maioria das linguagens em programação que a gente usa é baseada em inglês.

Mulheres na Computação: Você em algum momento foi questionada porque fazia uma licenciatura em Letras/Inglês e um Curso de Redes?

Débora: No curso de Redes me questionaram muito pelo fato de eu estar fazendo Redes e Letras, mas acontece que, às vezes, as pessoas que estão em uma só área não conseguem ver as pontes entre as áreas, então, eu como uma licenciada em Letras/Inglês tive um pouco mais de facilidade de integrar essas áreas. Por exemplo, disciplinas de linguísticas, elas têm muita relação com áreas de inteligência artificial, processamento de texto, de linguagem natural, então, tem muito haver com a linguística que eu vi em Letras. E… O pessoal da computação, às vezes, tem que aprender isso. Dizer que não existe nada em comum entre as áreas é totalmente ilusório.

Mulheres na Computação: Você sentiu ou sente algum preconceito por ser mulher e fazer um curso na área da computação, pela qual, ainda é mais comum encontrarmos mais homens do que mulheres?

Débora: Ainda não, mas uma coisa que realmente é complicado é, por exemplo, eu ser a única menina na minha turma de TI.

Mulheres na Computação: São quantos alunos?

Débora: São 60 alunos, ou seja, 59 são homens e eu a única garota, então, assim, às vezes, é bem complicado de lidar, como no caso da minha aula de Matemática, tipo, só eu de garota.

Mulheres na Computação: Como você começou a participar do PyLadies?

Débora: O PyL’adies surgiu para mim quando eu estava no finalzinho de redes e por eu ter vários amigos que são da área da computação eu vi eles compartilhando no facebook anúncios sobre o PyLadies, atrás de garotas que quisessem participar do projeto, então, foi quando eu conheci a Gabi, Clara e Kati que são as co-fundadoras do PyLadies aqui no Brasil. É…  Nós nos reunimos, marcamos hangouts para falar como seria participar do PyLadies, além de termos exercícios para fazer. Em suma, fomos muito bem preparadas. E já no primeiro evento as meninas me deram a oportunidade de falar.

Mulheres na Computação: Como está sendo a sua experiência?

Débora: Até agora estamos tendo um feedback muito positivo, porque Python é realmente encantador, foi o que me trouxe de volta para a programação, então, é muito bom as meninas dizerem que está sendo massa! Nós somos, ainda, uma minoria e o que devemos fazer é tentar não se deixar intimidar! Um sorriso que a gente recebe, uma palavra, não tem dinheiro que pague o efeito que você causa na vida das outras pessoas.

Débora Azevedo é Técnica em Informática integrado pelo IFRN-Currais Novos, licenciada em Letras/Inglês pela UFRN-Natal, técnica em redes pelo IFRN e atualmente faz o bacharelado em Tecnologia da Informação também pelo IFRN, atuando como voluntária no PyLadies .

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