Mais determinação e menos comodismo
Cá estou de volta. Dessa vez não vou focar no Poesia Compilada(risos), mas sim como é importante sair um pouco do ambiente sala de aula e buscar conhecer empresas e participar de eventos tecnológicos a fim de passar a admirar mais a área tecnológica e aproveitar todos os seus benefícios quando se faz um curso na área da Informática.
Eu entrei para o curso técnico Integrado em Informática pelo IFRN porque queria um Ensino Médio diferenciado e pensei que poderia aprender a formatar e a instalar programas no computador, mas não foi só isso que aprendi,(risos) tiveram diversas coisas que me motivaram a gostar do curso e buscar cada vez mais aprender sobre a minha área, algumas delas foram os eventos e visitas à empresas.
Pois bem, uma das reclamações que mais escutei e escuto de alguns colegas é que eles não entendem qual o motivo de estarem estudando, por exemplo, como fazer uma function, aprender várias linguagens de programação, estudar conceitos de Engenharia de Software já que não é superior, mas sim um curso técnico. Sabemos que as visitas técnicas, que os estágios ao final do curso, TCC´s servem para sanar estas problemáticas, mas e quando seu colégio está situado há milhares de distâncias de um centro urbano, da sede de uma empresa tecnológica e o que você tem fazer é que se” contentar” em aprender o que o professor compartilha e aguardar que aquilo tudo seja verídico?
Acredito que muitos do que estudam comigo ou que estudam em outros períodos do curso tem esse pensamento justamente por não terem contato com uma empresa da área de tecnologia e principalmente porque não buscam nem se quer pela internet se informar sobre como é a rotina de um profissional na área de tecn. e por isso preferem dizer “professor, já vai passar outra linguagem?”. Para mim, o comodismo gera isso e é um fator entristecedor.
Tentando evitar isso comecei a pesquisar sobre empresas. No meio disso tudo vi que profissionais da minha área também palestravam. Sim, podem achar absurdo e rirem do que falei, mas o que acontece é que a ideia de boa parte de pessoinhas como eu que tinha pouco acesso ao meio digital e que entrou no curso técnico de informática quase que por acaso, é basicamente essa: pensar que um profissional da área de informática vai ficar sentado na frente do PC o dia todo só lendo e escrevendo códigos sem parar e não pode atuar em outras áreas.
Além disso, eu tive uma surpresa quando encontrei o Mulheres na Computação e percebi que tinham mulheres como a Camila falando sobre tecnologia, porque eu realmente pensava que estava no curso errado e que aquilo que estava estudando era coisa só para ser entendida pelos meninos. Ademais, tive outro bom susto quando descobri que a Ada tinha dado um passo enorme para a área da informática.
Todavia, um dos erros que mais vejo é que pouco se fala sobre as ementas dos cursos (irei falar sobre isso em outro post) e muito menos das áreas de um profissional da área tecnológica. Na entrevista que fiz às meninas do Code Girl, a Naya falou sobre este aspecto, porque um vestibulando que coloca como opção um curso de Direito já sabe o que pode executar na sua carreira, mas quem coloca algo na área de tecnológica sabe muito pouco.
Pensando nisso, além de pesquisar sobre empresas comecei a participar de alguns eventos. O primeiro que participei foi Code Girl 2, depois participei do Arduino day, Python Nordeste e por ai foram outros.
Então, o que estava faltando era justamente conhecer algum empresa. Para isso, aproveitei as minhas últimas férias para conhecer o ambiente da HE: labs no RJ, o qual guarda algumas poesias compiladas. Lá realmente pude entender que tudo aquilo que os meus professores falavam era verdade,(risos) tudo naquela visita começou a fazer sentido, desde as functions às várias linguagens que temos que aprender ao longo curso e a importância de se ter uma excelente qualidade de vida no trabalho, como a oferecida pela empresa aos seus funcionários.
Acredito que a junção da falta de informação com o comodismo sejam fatores que levam ou que estão levando alguns dos meus colegas do tec. a não continuarem na área.
Por isso, informe-se, busque fazer contatos, procure saber quem está se destacando na sua área, mesmo que essa pessoa more do outro lado do planeta tente encontrar alguma forma de fazer contato com ela, usa a net para isso, (risos), pesquise sobre empresas de tecnologia, tire um tempinho do seu dia e procure visitar esse local caso seja possível, pesquise sobre palestras na sua região, sobre linguagens, sobre ferramentas que estão prestes a modificar paradigmas e acima de tudo motive-se cada vez mais.
Pode tudo, menos Escola de Princesas!
Recebi o seguinte vídeo de uma amiga. Com a seguinte mensagem depois: Veja e me diga o que acha!
Pensei em um segundo: “Poxa, que preguiça. Levantei as seis, fiz trabalho do mestrado, fui dar aula, voltei pro escritório, paguei o aluguel, voltei para minha casa, preparei a próxima aula de algoritmos, lavei minha própria roupa. Tudo isso de camiseta, tênis, cabelo por lavar, mas batom e maquiagem na cara, afinal essa é a vida real. Vou ver os primeiros 5 segundos e escrever qualquer coisa para ela não achar que deixei ela sem resposta”
Agora são meia noite, e meu despertador da vida real vai tocar as 6 da manhã e eu estou aqui escrevendo esse post, porque entrei no site e vi a seguinte headline:
TODO SONHO DE MENINA É TORNAR-SE UMA PRINCESA
WTF?!?!?!?!?!
Antes de vocês ouvirem tudo que eu tenho para falar vamos ao vídeo:
Galera….juro! Não é zueira! E o slogan é: Educação para a vida real! Aaaaa vai todo mundo catar coquinho na esquina.! Real é ter que se virar, deixar de ir no cabelereiro um dia ou outro porque tem reunião. Deixar de ir um dia ou outro na academia porque tem que ir viajar sozinha para uma conferência de tecnologia. A vida real é se descobrir e ser quem você quiser! Sério! Meu primeiro pensamento foi (depois de WTF??!?!?!??!): como eu vou conseguir convercer essas meninas que errar é normal, que elas podem não casar e não ter filhos e ser feliz, que elas podem sim viajar o mundo com uma mochila nas costas, que elas podem ser engenheiras, que elas podem ser quem elas quiserem. Reparem o verbo: PODEM!
Não estou dizendo que elas precisam ser iguais a mim, mas essas meninas-PRINCESAS se quer têm oportunidade de descobrir um mundo fora dos padrões, elas se vêm obrigadas a se encaixar nesse modelo fundamentalmente rosa, educado e opressor onde as meninas só são legais se forem bonitas, delicadas e fofinhas bem nos moldes de uma socieda patriarcal e machista!
PARA MUNDO! QUERO DESCER!
E aí eu quis morrer mais um pouquinho quando eu entrei no facebook da escola, que diga-se de passagem tem o apoio de mais de 35 mil pessoas e adivinhem qual foi a primeira pergunta que eu vi: “A escola aceita meninos?” E a resposta foi: “meninos não podem participar nem se eles quiserem muito”. QUE MUNDO É ESSE!!! Que em pleno século 21 depois de toda a luta por liberdade de expressão um espaço me faz uma divisão de gênero fundamentalista e ridícula como essa! Sério…devia ter uma lei: pode tudo, menos escola para princesas!
E queria deixar claro que não tem problema nenhum em gostar de princesas, mas ela não precisa ser apresentada só pra esse estereótipo de princesa. Ela pode assistir Valente. Amar os personagens da Hora da Aventura. Acha um máximo a Fiona saber lutar, se casar com quem ela escolhe e ser uma ogra. Ela podia amar a Ada Lovelace, que foi a primeira programadadora e era uma dama da corte. Ela podia, mas ninguém deixa! A Escola de Princesas não deixa!
Dane-se os padrões! Ela pode ser quem ela quiser! Mas as chances dela diminuem muito quando, todo dia, desde pequena, o estereótipo princesa sofredora delicada a espera de um príncipe que precisa salvá-la dos perigos da vida! CHEGA! POR FAVOR! Não destruam mais meninas!
O engraçado é que hoje em dia tem tanto exemplo legal no mundo! Não que antes não tivesse, mas hoje com a internet, com uma liberdade maior (obrigada mulheres fortes que lutaram por esse espaço e vieram antes de mim! ) vemos mulheres ocupando diversos cargos que já foram exclusivamente masculinos. A pergunta que não quer calar: fixar no extremo essas características de gênero é uma atitude justa (para não dizer sensata)? Obrigar as meninas a seguirem um currículo definido como feminino não é cruel?
E se a princesa quiser jogar futebol? Será que ela vai ter força para deixar essa paixão nascer/descobrir mesmo com as amiguinhas achando que ela agora vai virar um menino porque a professora de etiqueta junto com a professora de estética disseram que devemos nos manter limpas e arrumadas não só a mesa, mas em todo os ambientes. Sabe o que vai acontecer? Ela terá de se privar desses prazeres por ser menina. Simples assim! Ela vai ter sua formação prejudicada. Ela corre todos os riscos de se transformar em uma mulher objeto e abjeta de opiniões. Não porque ela decidiu ser assim, mas porque ela foi obrigada. Complicado. Complicadíssimo.
Tornar uma menina princesa é cruel. REPITO! Não que seja errado caso ELA QUEIRA ser princesa, sabe!? Mas ambientes como esses ensinam que elas só podem ser isso. E meninas, vocês vão me desculpar, podem ser princesas, astronautas, mecânicas, engenheiras, cientistas da computação… podem ser o que bem entenderem. Nós podemos ser tudo e muito mais. E acho que é isso que devemos ensinar pras nossas meninas isso. Mas estamos ensinando o quê: “Feche as pernas, menina! Não senta assim. Menina não fala palavrão, menina não beija. Quem quer uma mulher que curte video game? Isso é pra chamar a atenção. Mulher que é Mulher sabe cozinhar e cuidar da casa.” MENTIRA! Mas é tudo isso que uma Escola de Princesas ensina! Ser diferente, significa que você não é uma princesa. Quem não quer ser uma princesa não é mesmo!?
Isso é horrível! Sério! É colocar na cabeça das nossas meninas que elas não podem ser nada além disso, que o papel delas não passa dali. É delimitar os seus sentimentos e vontades, é podar a imaginação. É padronizar. DÁ VERGONHA ALHEIA!
Adultos têm a preocupação de rotular desde cedo que as meninas sejam meninas e meninos sejam meninos. A verdade é que criança é criança e criança precisa brincar. Aí você pensa, magina…que discurso mais antiquado Camila. Todo mundo já pensa assim. Isso precisava ser dito pelas feministas do século XVII, agora é maior clichê. AVAAAAAA!!! Porque né, em pleno 2015 me inaugurarem uma escola que ensina a “se portar”, estética, matrimônio e afazeres domésticos e tem fila de espera mostra que a gente está bem evoluido nessa discussão e que ela não precisa mais existir…. AHÃM! SENTA LÁ!
Independente do que os pais quiserem ou sonharem, a criança tem que se descobrir. Precisa ver o mundo fora da bolha cor de rosa com barbies ou bolha azul com carrinhos. Meninos e meninas podem e devem brincar com o que quiserem. E essa ideia de divisão de gêneros, tarefas e gostos influencia os meninos também. O menino cresce solto, pode fazer o que quiser. E fazer o que quiser implica em dominar uma menina/mulher numa relação injusta de poder em que ela, tadinha, é princesa, né!?… E princesa não pode sair dos moldes de princesa. Ela não pode lutar pelos seus direitos. Ela não pode se impor. É isso que queremos realmente reforçar isso? REALLYYYYY????
Meninas podem ser o que quiserem. Meninos também.
Por favor! De verdade! Deixem as meninas serem crianças!
Sério! Me ajudem! Precisamos ajudar nossas meninas….pode tudo! Menos Escola de Princesas!

