#GHC2015: Dia 0 – Meet & Greet

Ai ai pessoal! Essa Grace Hopper Conference é realmente inspiradora!

Quem está me acompanhando pelas redes sociais e pela página do blog no face sabe que eu estou em Houston, Texas para participar da Grace Hopper Conference, que é a maior conferência de mulheres na tecnologia do mundo). Esse ano seremos mais de 12.000 pessoas. Que são inspirações ambulantes! hahahahah

Sério, é incrível como existem histórias incríveis!!! Ontem durante a recepção das bolsistas conheci mulheres incríveis e queria contar 3 histórias para vocês:

BVKit (Uganda)

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Ontem durante a reunião das bolsistas tinha um grupo MUITO animado! Falando, tirando foto e sorrindo como se não houvesse amanhã, eu obviamente me aproximei!

Elas eram de Uganda e tinham ganho a bolsa, pois fizeram o BVKit e se tornaram referência de inovação em Uganda. Lá o sistema de saúde é um dos piores do mundo, e além disso, muitos problemas relacionadas ao sexo feminino são totalmente neglicenciados. Envergonhadas por se tratar de problemas como DSTs, as mulheres costumam escolher sofrer em silêncio em vez de procurar atendimento médico. O que gera um dos maiores índices de morte feminina do mundo.

Nanyombi Maghi, Namanda Kaweesi Jackline, Ndagire Esther, Pauline Nairubi, e Mendoza Bridget (não está na foto) inventaram o BV Kit.

Foi nesse cenário que essas cinco estudantes com especialização em tecnologia da informação e engenharia (na foto estou só com a Namanda, porque fiquei tão animada que lembrei da foto no caminho de volta para o hotel).

“O BVKit é um aplicativo de auto-teste que ajuda as mulheres a buscar por bactérias vaginais, pois a maioria são tímidas para fazer o teste com médicos e temos um sistema que respeita muito pouco as mulheres, especialmente com questões relativas à sua saúde reprodutiva.” explica Namanda.

Como não empoderar meninas por aí para resolverem esse tipo de problema?

mais infos: http://fusion.net/story/180574/how-the-bv-kit-app-could-help-millions/

PS.: Elas deviam ser celebridades mundiais, sério!? No que depender de mim vou contar pra todo mundo a história delas! As meninas do mundo têm que crescer com essas referências…meninas e meninos como elas mudam o mundo! ❤

Meninas do Brasil

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Queria contar essa história para vocês entenderem um pouco como é o clima aqui na conferênca. Eu sai ontem caçando as brasileiras. Queria saber quem mais estava por lá e saí conversando com as pessoas sobre essa missão, em um dado momento, um coro gritou: “Camila!!! Achamos uma brasileira!!”. Era a Letícia do Paraná! Quase morri quando ela falou que estava me procurando e que conhecia o blog e que sabia do prêmio, enfim! Passamos o resto do jantar conversando sobre como iamos levar tudo isso pro Brasil! E o recado aqui é: JUNTAS PODEMOS FAZER/SER QUEM QUISERMOS!

PS.: Amei te conhecer Le!!!! ❤

Um novo mundo para muitas

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Quem já foi em outras Conferências, principalmente nas técnicas, chega aqui na GHC e não acredita no que vê! Primeiro, miuitas mulheres na tecnologia que conversam e chegam em qualquer roda com toda a confiança e tranquilidade do mundoe falam: “Oi, e aí o que vocês fazem? Posso descobrir o quão incrível você é?”

Aqui o clima é esse….você chegou aqui pois fez algo muito massa, aí você olha em volta e começa a pensar que você tem um mundo para descobrir e construir como todas essas mulheres ainda mais incríveis.

Para muitas a GHC é a primeira conferência, é a primeira viagem internaciona, é a primeira viagem sozinha..enfim, é a primeira vez que se sentem parte de um tudo e isso nos faz sentir que somos capazes de ser quem quisermos.

Bom…imaginem como serea hoje, amanhã e depois se a recepção das bolsistas foi assim?! Fiquem ligados! Vou contar tudo!

Twitter: @CamilaAchutti

Snapchat: camilaachutti

Insta: camilaachutti

Facebook: https://www.facebook.com/mulheres.computacao

beeeeijos!

POST CONVIDADO: O que programação tem a ver com correr uma maratona?

Estamos vivendo um momento muito especial na área de tecnologia. A cada dia são criadas diversas ferramentas e ideias que irão melhorar nossas vidas, seja na área de saúde, organização, praticidade e diversas outras. E prejulgamos que seus criadores sejam pessoas de talento acima da média e que realizar estas façanhas seja coisa de quem realmente nasceu para aquilo.

Mas isso está certo?

Vamos falar um pouco sobre correr uma maratona

Quando há uma maratona temos diversos tipos de pessoas: corredores profissionais, corredores amadores, brincalhões (aqueles que vão fantasiados só para se divertir), aspirantes a corredor amador e diversos outros. Essas diferenças são marcadas de acordo com as experiências e práticas de cada um, onde obviamente os mais experientes irão correr na frente e mais rápido.

Mas o que isso tem a ver com programação? Tudo.

Você percebeu que dentro dessa galera há diversos tipos de pessoas e experiências? Na área de TI é a mesma coisa, só que com nomes diferentes: Aspirante a programador, programador baby (aprendendo os primeiros passos), programador júnior, pleno ou sênior. Tudo isso é baseado de acordo com suas experiências e práticas. Certo?

A síndrome do impostor

Uma das coisas que acontece muito para quem não é da área é pensar que mexer com computadores ou linhas de código é coisa de outro mundo. Ou até para quem é aspirante a programação, quando começa a ouvir as milhares de tecnologias que deveria conhecer e os problemas cabeludos que surgem ao longo do tempo, ele já desiste antes de começar.

Aprender algo novo não é uma ciência exata. Pegue aquele livro ou aquele tutorial que dará tudo certo. Cada um tem uma forma de aprender as coisas, e grande parte nem sabe como aprender algo. Já reparou nisso?

O grande problema que deve se relevar não são os resultados, até porque eles são frutos do que você for aprendendo ao longo do processo. Isso, processo!

Processos são mais importantes que resultados.

Então, quando observamos pessoas mais experientes que nós, esquecemos os processos que elas passaram antes de alcançarem seus resultados. Nisso, criamos um sentimento estranho onde nos sentimos inferiores, a chamada síndrome do impostor (https://ericstk.wordpress.com/2015/07/29/o-impacto-da-sindrome-do-impostor-nos-profissionais-de-ti/).

A maratona

Tudo parte do princípio que é necessário dar o primeiro passo para chegar em algum lugar. Claro que no início haverá tropeços, capotes e caídas, e claro, dói. E dor é algo que precisamos passar para crescer, é inevitável.

Se lembra de quando era adolescente (ou se você é) e que seu corpo doía pois seus ossos estavam crescendo? Pois é, tudo isso faz parte de um processo de crescimento e amadurecimento.

Participar de uma maratona é a mesma coisa que aprender a programar. Sempre haverá pessoas mais experientes, mais rápidas e etc, sendo que os corredores mais experientes estão focados em sair na frente, enquanto os que estão atrás estão lá para aprender, se divertir e crescer. Mas lembre-se: Todos fazemos parte do mesmo meio e objetivo, não existe melhor ou pior, existe aqueles que persistem mais, até porque se você não errar quer dizer que não está aprendendo algo novo.

Programar

Programar é igual a qualquer outra coisa que você faz na vida, tipo desenho, por exemplo. No começo é uma porcaria, depois vai melhorando pouco a pouco, até conseguir fazer alguns desenhos que sejam realmente legais. E o melhor, para aprender algo é necessário apenas 20 horas.

Não pense que porque você escreveu 1 linha de código seja menos importante do que a outra pessoa que escreveu 100 linhas. Tudo faz parte de agregar, participar, interagir e principalmente, de divertir.

Tudo faz parte de um ciclo, cabe você saber em qual parte dele está e saber aproveitar o processo e aprender com isso. O mito do talento, junto com a síndrome do impostor fazem você abandonar preconceituosamente a área de TI previamente.

E o melhor de tudo, há diversas outras pessoas que estão passando pelo mesmo processo que o seu, tendo as mesmas dificuldades e dúvidas, basta você se conectar com elas e juntos crescerem.

Aqui no Mulheres na computação há diversas iniciativas que estão criando oportunidades para vocês darem seus primeiros passos no mundo da programação. Se de repente não tem disponibilidade para participar de nenhuma delas, vai lá e crie a sua. Foi assim que grupos como Pyladies, Rails Girls, Rodada Hacker e diversos outros foram criados.

Tenho certeza que após um tempo, se você olhar para trás, verá o quanto do trajeto de sua maratona já percorreu e o tamanho do aprendizado e amizades que colheu ao longo do tempo farão total sentido. Até porque para conseguirmos conectar os pontos de nossas ações só iremos conseguir lá na frente.

Por último, gostaria de deixar a dica de uma palestra que me inspirou esse post. O Jacob Kaplan-Mossé um dos criadores do Django, uma ferramenta para desenvolvimento de aplicações web. Nessa palestra ele fala sobre seu sentimento de mediocridade e como isso afeta as pessoas, e principalmente, as mulheres.

—————–AUTOR———————

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Evangelista Python e desenvolvedor web. Membro e atual co-organizador do Grupy-SP e um dos responsáveis pelas mídias sociais da Python Brasil(Facebook, Twitter).