Vozes Femininas – Valerie Aurora (Ada Initiative)

Agora acabou meu buffer de entrevistas com super mulheres da computação! : (

Mas para fechar com chave de ouro aqui está a entrevista com a Valerie Aurora que aconteceu agora no FISL14, uma das grandes ativistas da causa das mulheres na technologia, principalmente open source. Ela é conhecida principalmente por ter fundado a Ada Initiative, uma ong que luta pelo crescimento da participação feminina no movimento de software e cultura livre. Ela também é reconhecida pela participação na comunidade do Linux advogando prinicpalmente pelo desenvolvimento de um novo sistema de arquivos. Em 2012, ela e a co-fundadora da Ada Initiative, Mary Gardiner, foram consideradas duas das pessoas mais influentes da área de segunrança da informação pela SC Magazine.

Fiz nossas 3 perguntas básicas e passei vergonha falando inglês! hahahaha

Transcrevi e traduzi as perguntas para o português para que todo mundo pudesse entender : )

1. Como você descobriu a tecnologia?

Valeria Aurora: Eu tenho uma história diferente, minha mãe era programadora e eu me lembro de com três anos de idade brincar com cartões perfurados, que no universo dela eram usado para programar. Nós sempre tivemos computadores em casa e nossa mãe programava com a gente  e jogava jogos conosco. Aquilo me fez pensar que computacão era coisa de mulher. Mas o que me fez escolher computação para a minha vida mesmo, foi quando eu fui para uma conferencia de segurança chamada DefCon quando eu tinha 17 anos com a minha mãe e minha irmã e eu percebi finalmente que aquelas pessoas faziam coisas que elas realmente gostavam no computador, elas se vestiam de uma maneira que eu achei muito legal, jaqueta de couro preta, sombras e elas ganhavam muito dinheiro com isso! Parecia perfeito. O que havia de errado?

2. Porque você acha que temos tão poucas mulheres na área?

Eu acredito que isso acontece em qualquer profissão com grande status ou poder. Na nossa cultura, homens fazem sucesso. Basicamente, tudo que é legal e você quer fazer, os homens entram e acabam por dominar, como programação e ciência da computação. Antes era uma carreira de mulheres, quando começaram a perceber que era uma carreira poderosa, eles começaram a entrar e passaram as mulheres para trás de diversas maneiras. Existe até um livro chamado de Computer Boys Take Over, que conta como programação se tornou o que é hoje, por exemplo, como cursos superiores de ciências de computação podem ser totalmente irrelevantes, você pode hoje deixar a faculdade sem saber  programar e trata também sobre essa mudança de status da programação de uma coisa que as mulheres dominavam para o que é hoje. Por isso acho tão importante que mais mulheres entrem na carreira, pois é uma carreira poderosa.

3. O que podemos fazer a respeito? Como trazer mais mulheres?

As coisas específicas que eu trabalho hoje são com a sensibilização e fim do assédio na área, aumentando a confiancça das mulheres, pois não é uma carreira fácil por diversas razões. Tem muitas pessoas que podem pensar, ingênuamente, que mulheres simplesmente não estão interessadas, pela genética, de não serem programadoras. A única razão que eu vejo é que elas se quer têm conhecimento sobre esse mundo e todas as suas maravilhas, elas são desde a educação infantil até o colegial formadas como garotinhas. E mesmo depois de escolher a carreira ainda temos que enfrentar várias coisas terríveis, como assédio. Quem sabe trazendo isso para a cabeça das pessoas,  o que é díficil pois profissionais da área se acham justiceiros sociais, são mais liberais, de esquerda, progressistas. Você vai lá e mostras: esse é o sexismo que está presente na indústria e essa não é a imagem que queremos para ela.
Eu penso que a computação é muito poderosa pois temos a internet e mostrando o sexismo na área podemos afetar toda a nossa cultura.

É isso pessoal, espero que gostem e que ouçam a própria Valerie falando e não minha tradução : )

E queria também compartilhar com vocês o presente que ela me deu no final da entrevista. Pensa na emoção da garota aqui!? hahaha

2013-07-05 16

Siiim, um pingente lindo da Ada Lovelace que vocês já conhecem aqui do blog certo!? Não é lindo! Vou confessar que fiquei emocionada!

beijos!

Vozes Femininas: FISL14 e /MNT

Acho que eu já contei para vocês que estive no FISL14 que aconteceu em Porto Alegre na primeira semana de julho. Lá pude conhecer mulheres muito especiais de um grupo chamado Mulheres na Computação que é bastante alinhado com o blog e eu faço parte! : )

Quem ficou curiosa(o) e quiser conhecer mais sobre o grupo o site delas é esse aqui: http://mulheresnatecnologia.org/

As entrevistadas são duas membras da gestão atual do grupo, a Márcia e a Danielle.

Tive o prazer de conhecê-las pessoalmente e fiz a entrevista para vocês também poderem ter esse prazer : )

Aproveitem!

Entrevista da Danielle:

Entrevista da Márcia:

beijos!

Vozes Femininas: Rebecca Parson

rebecca-parsons-profileHoje nossa entrevistada é internacional! Olha que chique!

Dra. Rebecca Parsons é Diretora de Tecnologia da ThoughtWorks. Ela tem mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de aplicações, em setores que vão desde as telecomunicações aos serviços de internet emergentes. Ela tem uma vasta experiência de liderança na criação de grandes aplicações distribuídas e integração de sistemas. Já trabalhei na Austrália, Canadá, África do Sul, Reino Unido e EUA.

Como a entrevista está em inglês fiz uma tradução livre. Aproveitem:

Porque você decidiu seguir carreira na área de tecnologia?

Comecei a programar quando tinha 13 anos de idade. Sempre gostei de programar. Sempre gostei de linguagens. Me vejo mais como matemática do que como cientista da computação, mas hoje me considero sim uma cientista. Meus pais me fizeram acreditar que eu podia fazer qualquer coisa que eu quisesse, então saber que teriam muitos homens em volta não me impediu de fazer o que eu queria.

Porque você acha que tem tão poucas mulheres no mundo da TI?

Parte disso é um esteriótipo de que desenvolvedores vivem no sotão da casa da mãe, não tomam banho regularmente e nunca vêm o sol. Ele é de fato forte e muitas mulheres não se identificam com isso. Mas exitem também motivos culturais, tem coisas que nos fazem sentir que estamos num mundo masculino, por exemplo, quando vemos um anúncio que exalta o fato de terem bartender mulheres. E isso é um fato…se tem um desenho de uma bartender mulher num bar novo, quer dizer que eles estão esperando que homem frequentem aquele lugar. São esses pequenos sinais que desestimulam as mulheres.

Mas o que podemos fazer para mudar isso?

Acredito que muita da responsabilidade vai para pessoas como eu, sendo cada vez mais visíveis. Outra grande parcela da responsabilidade vai para os homens que devem se opor quando eles escutam coisas como essa, pois não serão somente mulheres dizendo, “desculpe, não há nenhuma mulher falando nessa conferência” ou “porque essa propaganda é tão ofensiva para as mulheres?”, pois não são só mulheres que mudarão essa cultura, não somos suficientes, deve haver mais homens que se indignem quando essas coisas acontecerem e digam: “Essa não é a cultura que queremos, queremos que ela seja mais receptiva para as mulheres”.

Aqui está o áudio original e em inglês: rebecca

beijos e espero que gostem : )

PS.: A voz de homem é do meu namorado que foi fofo e foi entrevistá-lo enquanto eu estava entrevistando a Mariana Bravo (post passado!). Fofo, né!? : )