Para as meninas que entraram em Tecnológicas

Não é um curso fácil, mas qual curso é? Você vai encontrar por ai com tantas pessoas te perguntando se você cursa História, Pedagogia ou qualquer outro curso poético da área de Humanas, porque o esteriótipo que se criou de aluno de tecnológicas é totalmente oposto ou quase oposto do que você é, principalmente por ser mulher. Miga, se você gostar de usar aquele batom vermelho, de vestir aquele vestido florido e usar aquele salto alto… Armaria vão enlouquecer quando te virem entrando em uma sala cercada por homens e destilando seu maravilhoso perfume e purpurina.

Mil barreiras surgirão em teu caminho, especialmente por ser mulher, mas vai conseguir superar cada uma porque você é capaz, você já demonstrou isso em diversas outras situações e você deve encarar como sendo apenas mais uma função que precisa ser chamada para que consigas executar teus próximos projetos de vida.

Sabe, ano passado quando fui aprovada em BSI para a UFRN postei um pouco da minha ansiedade e indecisão em ir estudar em curso superior na área de exatas e mais ainda sendo uma das poucas mulheres na sala. Mas…O que aconteceu nos dois últimos períodos?

A imagem pode conter: 12 pessoas, pessoas sorrindo

Participação da Soraya Roberta durante o Rails Girl RJ em Novembro do ano passado.

Muito empoderamento, muitas lágrimas porque errei bastante, mesmo já vindo de um curso técnico em Informática,mas os erros me ajudaram para caramba posteriormente, parece que a gente não percebe no momento da nota baixa em Cálculo ou Algoritmos, que ela poderá servir de base para te fortalecer ainda mais, é meio louco isso, ne?! Todavia, esta Filosofia tem um pouquinho de razão,rsrs. Contudo, além disso participei de vários eventos de TI, desde eventos sobre o empoderamento das mulheres na área de TI, passando pelos eventos da comunidade Python até levando minha Poesia Compilada para diversos lugarzinhos.
Ademais, sofri sim com diversos discursos machistas, como, por exemplo, um colega de curso chegar para mim em um dia ensolarado e florido de Inverno(sim, era inverno e tava assim) e me perguntar se minha amizade com um professor tinha feito eu tirar uma boa nota em uma unidade. Doeu muito, mas eu já sabia que uma hora ou outra eu iria me deparar com isso, pois, infelizmente, por sermos mulheres temos que provar incansavelmente que somos boas em algo. Em contrapartida também ouvi muitas poesias de diversos companheiros de curso, como um deles que chegou para mim e falou que tinha orgulho de estudar comigo.

E é aquela coisa: você não precisa da opinião de ninguém para ser boa em algo, você só precisa de dedicação e amor pelo que está fazendo que o resto… O resto ,miga, é só passar batom vermelho, tomar uma xícara de café e deixar que o código do sucesso execute, porque continuaremos empoderando e compartilhando muito feminismo compilado e executado por este mundão.

/* Ah! Além disso, você pode contar com a ajuda de muita gente massa como as meninas dos Rails Girls, Pyladies, um lugarzinho super poético para encontrar eventos correlatos que é o Codamos, a própria page do Poesia Compilada que criei e sempre posto poesias empoderadas e o nosso Mulheres na Computação. */

// Xero grande e até qualquer momento

Já ouvi muitos questionamentos e críticas sobre minha capacidade técnica para área e até hoje ainda me perguntam se escolhi o curso certo.

Gente, estes dias pude conversar com uma alagoana arretada que está fazendo aquela zoada maravilhosa quando o assunto é mulheres na Computação. Ela é a Júlia Albuquerque, tem 20 anos, estuda Ciência da Computação da UFAL, é pesquisadora no Laboratório de Tecnologias Inteligentes, Personalizadas e Socias (TIPS) do Instituto de Computação, Colaboradora-Voluntária do Wo Makers Code, bolsista TIM-OBMEP (IMPA), Técnica em Informática pelo Instituto Federal de Alagoas. Enfim, já deu para perceber que a Júlia é aquele tipo de pessoa que amamos, né?! Então, com vocês a minha conversa com a Júlia.

 

Mulheres: De onde veio esta vontade de cursar  BCC?

Júlia:Eu sempre tive a certeza, desde o ensino fundamental, de que iria cursar algo na área de exatas, mas não sabia o que exatamente. Foi ao ingressar no curso técnico de informática (como um acaso e não uma escolha minha propriamente) que me apaixonei por programação na disciplina de Algoritmo do primeiro ano.

Infelizmente, apesar do encanto que tive ao estudar pela primeira vez programação, não era estimulada nem dentro nem fora de casa a seguir na área. Talvez por falta de representatividade, não tinha nenhuma mulher na família que trabalhasse com Computação ou professora de Informática no Instituto, nem mesmo tinha uma referência além das paredes de casa ou da escola. A decisão de fato, depois de muito pensar, só veio no final do curso, quando comecei a participar mais de eventos.

Esses eventos de tecnologia não só abriram minha visão sobre o leque de possibilidades que a área poderia me oferecer, como também me deram, como uma lindo presente, a representatividade feminina em TI que antes não tinha. E a cada dia tenho mais certeza de que estou no caminho certo e ajudando a construir algo que pode mudar a vida de muitas pessoas. Esse é o objetivo. ^_^

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Júlia Albuquerque

Mulheres: Já enfrentou algum tipo de preconceito por estar na área de TI?

Júlia:Sim, já sofri preconceito. Começou no ensino médio técnico, não só por querer me aprofundar na área, mas também me envolver desde muito cedo com competições de matemática, física e exatas no geral. No caso dessas competições, ser uma das poucas mulheres e ainda assim ganhar uma medalha, gerava desconforto em algumas pessoas acompanhado de alguma piadinha. Já ouvi muitos questionamentos e críticas sobre minha capacidade técnica para área e até hoje ainda me perguntam se escolhi o curso certo.

 

Mulheres: Já organizou algum evento?

Júlia: Sim, já organizei e pretendo continuar. Por ter nascido no interior de Alagoas, poucas vezes tive contato com eventos dessa natureza. Após buscar muito e ter tido várias oportunidades de conhecer e entender a importância que esses eventos possuem para comunidade, comecei a organizá-los. Me trouxe muita alegria várias vezes ter escutado de meninas que participaram desses eventos que foi um grande incentivo para que elas tomassem a decisão de seguir na área.

Atualmente estou apoiando a organização de alguns eventos de TI, e os voltados para empoderamento feminino são: Rails Girls Maceió (com Marina Limeira), Wo Makers Code (com Esther de Freitas) e PyLadies Maceió (com Alessandra Aleluia).

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Júlia participando do WMC.

Mulheres: Qual a tecnologia que não pode faltar no seu dia a dia?

Júlia: Atualmente eu tenho utilizado bastante JAVA com os projetos da faculdade. Mas o meu engajamento maior, das tecnologias que já utilizei, foram PHP e JavaScript; essas sempre estou utilizando. Mas eu amo aprender, acredito que um programador precisa estar aberto a sempre utilizar e testar coisas novas e se adaptar a depender do trabalho que esteja desenvolvendo.

Mulheres: Algum comentário extra?

Júlia: Eu acredito muito no potencial que todas as pessoas têm para fazer qualquer coisa que elas quiserem fazer. Que as meninas sejam encorajadas a fazer Computação se essa for a vontade delas, e saiba que estamos aqui para ajudá-las e fazermos juntas aquilo que nos traga brilho no olho. E essa é a palavra-chave: brilho no olho. A vontade de mudar o mundo e a vida das pessoas, de fazer a diferença e ser parte da mudança que tanto queremos. Independente de gênero, o que mais importa é fazer o que se faz com amor e propósito.

“Temos que empoderar as mulheres a serem seguras de si, se sentirem confiantes de que podem e que são capazes.”

E aí, galera, tudo massa? Então, estou de férias de BSI e aproveitei estes dias pra conversar com a Lhaís Rodrigues, uma Mulher na Computação super empoderada e que empodera diversas outras. A Lhaís tem apenas 19 anos e já tem uma biografia recheada. Confere aí:

Estudante de Engenharia da Computação do CIn-UFPE possui curso Técnico de Manutenção e Suporte em Informática pela ETEPAM (Escola Técnica Estadual Professor Agamenon Magalhães), já participou  e palestrou em eventos como Campus Party Recife e Brasil (figura 4), EXPOTEC em João Pessoa-PB e Congresso da Sociedade Brasileira de Computação. Isto rendeu-lhe outros convites para produção de Workshops Makers, como Workshop com Arduino + App Inventor no ArduRec e Women Makers Day; e Arduino + JavaScript no JSDay Recife.o.

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Lhaís Rodrigues (Fonte: Arquivo Pessoal Lhaís Rodrigues)

Mulheres na Computação: Lhaís, o que te motivou a seguir carreira em tecnológicas e o que mais te desmotivou/desmotiva até aqui?

Lhaís: A escolha na carreira de TI foi motivada pelos meus pais. Desde cedo, eles percebiam que eu tinha uma ‘facilidade’ para atuar na área, onde eu consertava alguns eletrodomésticos em casa. Só que eu não me via atuando na área devido a nunca ter um perfil de mulher para me espelhar. Com o passar do tempo, eu fui aprovada numa escola técnica no curso de Manutenção e Suporte em Informática e isso me possibilitou ver que eu gostava de atuar e queria ser da área de tecnologia. Não há nada que tenha me desmotivado, em algum momento, quando eu decidi atuar na área e que me desmotiva, a única coisa que acontece é que fico muito triste quando vejo comentários machistas sobre mulheres na área, como prova de querer testar os conhecimentos e atuação da mulher dentro da área, porque isso complica cada vez mais motivar mais mulheres para atuar dentro da área.

Mulheres na Computação: Qual a importância do empoderamento nesta área ?

Lhaís: O empoderamento é importante em qualquer área. Nós mulheres somos desafiadas todos os dias por diversos fatores, temos que lidar com problemas físicos, psicológicos e sociais, e se não nos ajudarmos e nos empoderamos, é uma dificuldade a mais para enfrentar qualquer barreira. No caso da área de tecnologia, o empoderamento se faz necessário quando somos postas a dúvida de capacidade, ele é primordial, porque sempre somos motivadas a ter que mostrar que somos capazes, quando na verdade devíamos ser motivadas a sermos seguras de que somos capazes sem a necessidade de uma prova intelectual. Temos que empoderar as mulheres a serem seguras de si, se sentirem confiantes de que podem e que são capazes.

Mulheres na Computação: Existe machismo na área tecnológica?

Lhaís: Sim, e me sinto muito triste por isso. Quando comentamos sobre o machismo na área de tecnologia, muitas pessoas acreditam que isso seja parte de um ‘mimimi’, a verdade é que vai muito além de um ‘mimimi’. Quando Stanford conseguiu ter mais mulheres no curso de Ciência da Computação do que homens e eles comemoraram, é um prova do machismo na área, eu fiquei feliz porque era uma vitória porém quando eu refletia, eu ficava horrorizada, isso devia ser uma coisa natural, só que não é, porque não somos motivadas a sermos desenvolvedoras, engenheiras e etc.

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Hackathon Microsoft com o Women Who Code Recife (Fonte: Arquivo Pessoal Lhaís Rodrigues)

Mulheres na Computação: Você participa de algum projeto voluntário?

Lhaís : Sim, já participei de vários, no momento atuo no Women Makers. O Women Makers é um projeto que busca inspirar e motivar mulheres e meninas para as áreas de STEM alinhando uma atitude empreendedora, fazemos isso através de eventos, palestras e mídias sociais. O Women Makers foi uma realização individual, eu o fiz porque eu queria atuar como protagonista e inspirar mulheres e meninas desde a base mostrando a igualdade de gênero até a profissional mostrando que ela é capaz. Para saber mais sobre o Women Makers acessa a nossa página do facebook: fb.com/WomenMakers

Mulheres na Computação: Qual aquela tecnologia/ferramenta que não pode faltar no seu dia a dia?

Lhaís: Boa. Eu sou fã girl Microsoft. Muitas pessoas se assustam porque eu sou bem ativa em diversas outras comunidades como Python, por exemplo, porque eu acredito que temos que estar abertos para qualquer coisa. Mas, eu adoro tecnologias Microsoft tanto que sou Microsoft Student Partnet, eu uso Windows 10, gosto de programar do Visual Studio e atualmente, estou apaixonada pelo Visual Studio Code. Eu adoro C#, entretanto, minha linguagem favorita é C. Eu não consigo imaginar uma coisa que me faça falta no dia a dia, acho que por ainda estar em desenvolvimento, qualquer tecnologia pode fazer parte do meu dia a dia. Eu tendo meu notebook por perto e um tempinho, estou disposta a aprender qualquer coisa rs

Mulheres na Computação: gosta de assistir alguma série/ jogar algo?

Lhaís: Eu não sou muito fã de séries porque não dedico tempo para assistir, mas gosto de séries como Game of Thrones, por mais que estou bastante desatualizada, Narcos, Jessica Jones, Demolidor, The Big Bang Theory entre outras que consigo ver de vez em quando. Eu costumo ser mais fã de filmes e principalmente ação e aventura, se eu gostar de um filme, costumo ver o mesmo várias vezes, como a série Harry Potter, gosto muito e assisto diversas vezes o filme pelo simples fato de me satisfazer vendo novamente.

Eu não jogo muito jogos virtuais, alguns de smartphone, fiquei curiosa por Dota devido a meu namorado, mas depois não tive tempo para manter o ritmo. Eu gosto de futebol, assisto alguns jogos, jogo quando tenho tempo e tenho um cartola rs O futebol é um esporte que gosto bastante, sou rubro-negra (Sport Club do Recife) e desde pequena jogo em escolinhas.

Mulheres na Computação: Algum comentário extra que queria fazer…

Lhaís: Eu queria dizer a todas as mulheres que elas são capazes, elas podem o mundo se elas quiserem e se elas tem duvida sobre isso, que elas continuem seguindo em frente porque elas vão consegui e queria dizer para as mulheres que já atuam que sou fã de cada uma delas e que elas continuem atuando para motivar a futura geração para atuar na área.