print( “ E este lance de Feminismo em TI ajuda em alguma coisa? ” )

Continuar seguindo carreira em TI ouvindo diariamente que este não é um lugar para mulher ou que até mesmo a culpa de terem poucas mulheres em Tecnológicas é nossa e tão somente nossa, porque simplesmente não queremos ou porque por sermos mulher deveríamos optar por áreas que não envolvam lógica ou cálculo, reduz o contexto histórico a nada reforça diversos estereótipos.

Por causa dessas questões surgem grupos de discussões sobre a nossa atuação na área de TI. São em grupos como esses que mulheres são capacitadas e que homens também podem ser, afinal, os grupos não buscam excluir os meninos, até porque se isso acontecesse não faria nenhum sentido a sua existência. O que acontece é que nesses espaços busca-se dá maior prioridade de participação às meninas, já que infelizmente ainda somos minoria, e, às vezes, é mais fácil expor uma situação em que estejamos passando por problemas, seja em casa com nossos familiares ou na facul/trabalho sobre a área de TI, em ambientes em que existam mais mulheres, porque já temos pouco espaço para fala e se formos deixar que os meninos falem por nós ou que nos aconselhem no lugar de outras manas, a questão talvez nem seja realmente de conforto para quem se encontra em tal situação.

Quando ouvimos indagações como: por que a existência de grupos como esses, por que fazer uma campanha para financiar a participação de mulheres em um evento de TI e não de homens ? É nessas horas que precisamos ampliar as discussões sobre o Feminismo em TI, criando mais grupos de discussão e fortalecendo os já existentes, para que mais mulheres estejam inseridas em eventos das comunidades, porque o que buscamos não é a superioridade, mas sim a igualdade, para que tenhamos a certeza de que ao participarmos de um evento/aula e ao fazermos uma pergunta não sejamos ridicularizadas só porque somos mulheres e fizemos aquela pergunta.

Até meus 18 anos não entendia o significado do Feminismo muito menos como ele poderia contribuir para meu empoderamento na área de TI. Eu dizia que machismo em TI não existia porque nunca tinha presenciado nada, nem tão pouco minhas amigas falavam sobre isso, e eu acabava reproduzindo o discurso de que tudo não passava de “mimimi”, mas foi por meio de um evento como o Code Girl que me foi apontado um cenário de inclusão e atuação das mulheres na área, bem como as suas dificuldades em ter que lidar com os discursos e práticas machistas em distintos ambientes e então eu comecei a estudar sobre o Feminismo e a me empoderar enquanto estudante da área.

E aí, aqui eu quero deixar registrado algo bem importante: Feminismo é chegarmos em um evento da Python ou da JS e [INSIRA_AQUI_SUA_COMUNIDADE] e vermos que tem várias de nossas colegas na grade de palestrantes, isso tem um nome e se chama representatividade. Eu vi representatividade na Python Nordeste 2015, estou vendo pelas Python Brasil e espero continuar vendo por diversos outros eventos porque isso IMPORTA E MUITO. Mas só representatividade não basta, é preciso que toda a comunidade entenda o objetivo desses grupos.

É de suma relevância que quando os meninos afirmarem “ Eu sou a favor da participação das mulheres na área de TI e colaboro com esses grupos” eles digam isso porque realmente concordam com o que está por trás dessa frase, e que não estejam camuflando e reforçando a ideia de “Quanto mais mulheres trabalhando/estudando com eles, mais oportunidades de conseguir namorar com alguma”. Sim, pois quando vemos ALGUNS meninos empoderando nossa participação percebemos que esses ALGUNS não falam isso porque realmente querem nossa atuação/nos admiram, mas sim porque nos querem como um objeto bonitinho de enfeite para aquele ambiente. A eterna coisificação da mulher também entra aqui.

Quanto às pessoas que fazem críticas a existência de comunidades de empoderamento das mulheres na área de TI, convido elas a participarem de algum evento organizado por estes grupos e compreenderem a sua dinâmica. A desconstrução é diária e não é nada feio ou vergonhoso voltar atrás em um pensamento, feio e vergonhoso é continuar repercutindo o discurso machista em busca de likes.

Bem, dito isso, acho que só me resta fazer uma última pontuação:

Return Feminismo em TI++;

[S.R.]

Publicado originalmente em :

Medium

Para as meninas que entraram em Tecnológicas

Não é um curso fácil, mas qual curso é? Você vai encontrar por ai com tantas pessoas te perguntando se você cursa História, Pedagogia ou qualquer outro curso poético da área de Humanas, porque o esteriótipo que se criou de aluno de tecnológicas é totalmente oposto ou quase oposto do que você é, principalmente por ser mulher. Miga, se você gostar de usar aquele batom vermelho, de vestir aquele vestido florido e usar aquele salto alto… Armaria vão enlouquecer quando te virem entrando em uma sala cercada por homens e destilando seu maravilhoso perfume e purpurina.

Mil barreiras surgirão em teu caminho, especialmente por ser mulher, mas vai conseguir superar cada uma porque você é capaz, você já demonstrou isso em diversas outras situações e você deve encarar como sendo apenas mais uma função que precisa ser chamada para que consigas executar teus próximos projetos de vida.

Sabe, ano passado quando fui aprovada em BSI para a UFRN postei um pouco da minha ansiedade e indecisão em ir estudar em curso superior na área de exatas e mais ainda sendo uma das poucas mulheres na sala. Mas…O que aconteceu nos dois últimos períodos?

A imagem pode conter: 12 pessoas, pessoas sorrindo

Participação da Soraya Roberta durante o Rails Girl RJ em Novembro do ano passado.

Muito empoderamento, muitas lágrimas porque errei bastante, mesmo já vindo de um curso técnico em Informática,mas os erros me ajudaram para caramba posteriormente, parece que a gente não percebe no momento da nota baixa em Cálculo ou Algoritmos, que ela poderá servir de base para te fortalecer ainda mais, é meio louco isso, ne?! Todavia, esta Filosofia tem um pouquinho de razão,rsrs. Contudo, além disso participei de vários eventos de TI, desde eventos sobre o empoderamento das mulheres na área de TI, passando pelos eventos da comunidade Python até levando minha Poesia Compilada para diversos lugarzinhos.
Ademais, sofri sim com diversos discursos machistas, como, por exemplo, um colega de curso chegar para mim em um dia ensolarado e florido de Inverno(sim, era inverno e tava assim) e me perguntar se minha amizade com um professor tinha feito eu tirar uma boa nota em uma unidade. Doeu muito, mas eu já sabia que uma hora ou outra eu iria me deparar com isso, pois, infelizmente, por sermos mulheres temos que provar incansavelmente que somos boas em algo. Em contrapartida também ouvi muitas poesias de diversos companheiros de curso, como um deles que chegou para mim e falou que tinha orgulho de estudar comigo.

E é aquela coisa: você não precisa da opinião de ninguém para ser boa em algo, você só precisa de dedicação e amor pelo que está fazendo que o resto… O resto ,miga, é só passar batom vermelho, tomar uma xícara de café e deixar que o código do sucesso execute, porque continuaremos empoderando e compartilhando muito feminismo compilado e executado por este mundão.

/* Ah! Além disso, você pode contar com a ajuda de muita gente massa como as meninas dos Rails Girls, Pyladies, um lugarzinho super poético para encontrar eventos correlatos que é o Codamos, a própria page do Poesia Compilada que criei e sempre posto poesias empoderadas e o nosso Mulheres na Computação. */

// Xero grande e até qualquer momento

Já ouvi muitos questionamentos e críticas sobre minha capacidade técnica para área e até hoje ainda me perguntam se escolhi o curso certo.

Gente, estes dias pude conversar com uma alagoana arretada que está fazendo aquela zoada maravilhosa quando o assunto é mulheres na Computação. Ela é a Júlia Albuquerque, tem 20 anos, estuda Ciência da Computação da UFAL, é pesquisadora no Laboratório de Tecnologias Inteligentes, Personalizadas e Socias (TIPS) do Instituto de Computação, Colaboradora-Voluntária do Wo Makers Code, bolsista TIM-OBMEP (IMPA), Técnica em Informática pelo Instituto Federal de Alagoas. Enfim, já deu para perceber que a Júlia é aquele tipo de pessoa que amamos, né?! Então, com vocês a minha conversa com a Júlia.

 

Mulheres: De onde veio esta vontade de cursar  BCC?

Júlia:Eu sempre tive a certeza, desde o ensino fundamental, de que iria cursar algo na área de exatas, mas não sabia o que exatamente. Foi ao ingressar no curso técnico de informática (como um acaso e não uma escolha minha propriamente) que me apaixonei por programação na disciplina de Algoritmo do primeiro ano.

Infelizmente, apesar do encanto que tive ao estudar pela primeira vez programação, não era estimulada nem dentro nem fora de casa a seguir na área. Talvez por falta de representatividade, não tinha nenhuma mulher na família que trabalhasse com Computação ou professora de Informática no Instituto, nem mesmo tinha uma referência além das paredes de casa ou da escola. A decisão de fato, depois de muito pensar, só veio no final do curso, quando comecei a participar mais de eventos.

Esses eventos de tecnologia não só abriram minha visão sobre o leque de possibilidades que a área poderia me oferecer, como também me deram, como uma lindo presente, a representatividade feminina em TI que antes não tinha. E a cada dia tenho mais certeza de que estou no caminho certo e ajudando a construir algo que pode mudar a vida de muitas pessoas. Esse é o objetivo. ^_^

julia

Júlia Albuquerque

Mulheres: Já enfrentou algum tipo de preconceito por estar na área de TI?

Júlia:Sim, já sofri preconceito. Começou no ensino médio técnico, não só por querer me aprofundar na área, mas também me envolver desde muito cedo com competições de matemática, física e exatas no geral. No caso dessas competições, ser uma das poucas mulheres e ainda assim ganhar uma medalha, gerava desconforto em algumas pessoas acompanhado de alguma piadinha. Já ouvi muitos questionamentos e críticas sobre minha capacidade técnica para área e até hoje ainda me perguntam se escolhi o curso certo.

 

Mulheres: Já organizou algum evento?

Júlia: Sim, já organizei e pretendo continuar. Por ter nascido no interior de Alagoas, poucas vezes tive contato com eventos dessa natureza. Após buscar muito e ter tido várias oportunidades de conhecer e entender a importância que esses eventos possuem para comunidade, comecei a organizá-los. Me trouxe muita alegria várias vezes ter escutado de meninas que participaram desses eventos que foi um grande incentivo para que elas tomassem a decisão de seguir na área.

Atualmente estou apoiando a organização de alguns eventos de TI, e os voltados para empoderamento feminino são: Rails Girls Maceió (com Marina Limeira), Wo Makers Code (com Esther de Freitas) e PyLadies Maceió (com Alessandra Aleluia).

wmc

Júlia participando do WMC.

Mulheres: Qual a tecnologia que não pode faltar no seu dia a dia?

Júlia: Atualmente eu tenho utilizado bastante JAVA com os projetos da faculdade. Mas o meu engajamento maior, das tecnologias que já utilizei, foram PHP e JavaScript; essas sempre estou utilizando. Mas eu amo aprender, acredito que um programador precisa estar aberto a sempre utilizar e testar coisas novas e se adaptar a depender do trabalho que esteja desenvolvendo.

Mulheres: Algum comentário extra?

Júlia: Eu acredito muito no potencial que todas as pessoas têm para fazer qualquer coisa que elas quiserem fazer. Que as meninas sejam encorajadas a fazer Computação se essa for a vontade delas, e saiba que estamos aqui para ajudá-las e fazermos juntas aquilo que nos traga brilho no olho. E essa é a palavra-chave: brilho no olho. A vontade de mudar o mundo e a vida das pessoas, de fazer a diferença e ser parte da mudança que tanto queremos. Independente de gênero, o que mais importa é fazer o que se faz com amor e propósito.