Vozes femininas: Paola Katherine

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Paola tem 24 anos, é desenvolvedora web atualmente mas já foi vendedora, professora de informática básica, de photoshop e illustrator, analista Sap(FI) e também por montagem e manutenção. Além disso, colabora com comunidades que incentivam a inclusão feminina no mercado de TI relatando sua história na área tecnológica.

 

Como foi sua decisão quanto a que carreira seguir?

Eu passei por áreas diferentes antes de chegar em programação,pra começar, no meu ensino médio eu fiz um curso técnico de informática minha turma foi a “cobaia” então minha grade foi bem conturbada, quase não tivemos o conhecimento das diversas área de TI, no final  eu gostei de lógica de programação e do processo de criação de um software mas com todos os “gaps” eu  acabei optando por fazer faculdade de Estatística por gostar bastante de matemática e por não saber das inúmeras áreas em TI que existem.

Quando eu cursei matérias de programação na UERJ, eu me apaixonei por programação e decidi que queria trabalhar com isso. Foi ai que eu mudei de faculdade, comecei Sistemas de Informação, logo no primeiro semestre eu vi que não era nada daquilo que eu queria, eu não gosto muito de gestão eu gosto de código, lógica. Ai depois de pesquisar e ter ajuda do meu coordenador eu achei Análise de sistemas.

Depois de decidida, em algum momento você sofreu algum preconceito por ter escolhido uma carreira predominantemente masculina?

Demorei um tempo pra decidir mudar de área, tanto que fiquei um semestre cursando duas faculdades, tinha medo, por saber da predominância masculina na área e de alguns preconceitos, mas chegou uma hora em que eu precisava decidir e ficar só com uma faculdade pois eu trabalhava. Acabei optando por TI pois era algo que eu queria muito. Apesar disso sofri alguns preconceitos como: piadinhas, comentários, desdenho de meninos da sala. Dei um pouco de sorte pois eu tinha um pouco de conhecimento em matemática, o que me fez ter boas notas e ser um pouco mais aceita pela turma, acabei virando uma monitora da turma. Mas não é algo que eu queria que acontecesse, acho que poderia sim ser aceita como qualquer outro aluno na sala, sem precisar provar nada.

Você acha que as mulheres são desencorajadas a seguir carreira na Computação? Se sim, por quê?

Infelizmente sim, ainda temos o preconceito do lado das empresas que estão muito acostumadas a ter homens na área e na faculdade pelos alunos. Ainda temos pessoas que acham que os homens tem mais potencial do que as mulheres na área.Infelizmente acabou virando uma questão cultural, mas hoje temos varias iniciativas para levar mulheres para a área e para compartilhar histórias de superação que incentivem a nós mesmas.

Você já teve alguma experiência com licenciatura?

Um pouco, eu tive a maravilhosa oportunidade de poder estagiar em um pequeno curso de informática que tinha foco na  terceira idade, mas tinham alunos da minha idade também. Porém antes disso,mais nova eu sempre tentava ajudar colegas de classe ensinando, tirando dúvidas, também já dei aulas particulares. Gosto bastante de ensinar, é muito prazeroso você ter como retorno uma boa nota por exemplo mas sem sombra de dúvidas que a melhor retribuição que eu tive foi com a terceira idade, é uma faixa de analfabetos digitais ( no melhor sentido), uma geração que não acompanhou o crescimento digital, não sabe o que é Word, Internet mas quer aprender o que é Facebook pois os netos usam, ai você tem um longo caminho desde o que é esse tal de computador até o dia em que eles compartilham, curtem suas publicações no Facebook, usam WhatsApp como qualquer adolescente, é realmente o melhor agradecimento que você pode ter.

Você já participou/participa de eventos tecnológicos?

Claro, eu comecei a frequentar pra tentar me engajar com as linguagens e tecnologias, meu marido é desenvolvedor também então ele me levava na “mala” quando ia palestrar. Com isso fui pegando o gosto de ir em eventos, no início eu não absorvia quase nada, acabava me perdendo em várias talks, meus conhecimentos eram acadêmicos e básicos. Ainda hoje muitas coisas são novas para mim mas eu já consigo absorver o conhecimento passado. Mas o mais importante pra mim são as pessoas, a comunidade, o tal networking que você faz em um evento. Esse tal Networking me entusiasmou de tal maneira que  depois de ter ido em uma Python Brasil, hoje eu ajudo na organização do Django Girls, um projeto super bacana de inclusão de mulheres, dando para elas um dia inteiro de workshop onde ao final do dia elas constroem um blog em Django e saem com noções de Git, Html e Css.

Tens alguma linguagem de programação preferida?

Python, por alguns motivos, um deles é por eu ter feito estatística, então quando eu comecei a tentar entender o universo da programação eu tive alguns resultados como mathlab, R, C e claro Python que foi meu amor a primeira vista por ser simples de manusear e de ler, além de ser super didático, existem ate escolas que ensinam Python para crianças para que elas formem o conceito de lógica e pelo motivo de se web, já que eu gosto muito de C, acho que para aprendizado é uma ótima linguagem, tive maravilhosos professores mas encontrei mais mercado de trabalho para Python.

Teve alguma dificuldade durante o curso superior em relação a disciplinas, tecnologias?

Tive um pouco de dificuldade com Java , a temida, sempre passei nas matérias com boas notas mas tinha o sentimento de que muitos conceitos não estavam concretos na minha cabeça, acabei resolvendo isso depois com outras linguagens e lendo outros livros, vendo vídeos e com o tempo também programando os conceitos ficam mais claros do que nos exercícios da faculdade.

Alguns outros pensamentos…

Eu sempre tive o pensamento de que precisava ajudar as pessoas de alguma maneira, retribuir a sociedade com alguma coisa, trabalhos voluntários, criando aplicativos para comunidade ou ensinando.

Depois de ir em uma Python Brasil, onde eu não conhecia ninguém e  fui acolhida por todos, conheci os projetos de inclusão de mulheres eu acho que consegui dar meu primeiro passo, afinal eu precisava retribuir de alguma maneira, então comecei a ajudar as meninas no Django Girls Rio até que elas “lyndas” me convidaram para ser uma das organizadoras do evento, fiquei muito feliz por poder organizar algo que dará a oportunidade a muitas meninas que as vezes nem conhecem muito da área mas que tem interesse, que tem medo da área, ou que não conhecem nada da área  e tem curiosidade de como é trabalhar com desenvolvimento. Dar a oportunidade para elas terem um primeiro contato maravilhoso com programação em um ambiente onde predominam mulheres, com meninas compartilhando suas histórias,com treinadoras e organizadoras podendo ser como espelhos mostrando que cada uma ali pode sim ser desenvolvedora.

Meu objetivo é que não só meninas mas cada pessoa ajude, participe, forme comunidades, eventos, workshops e que a minha entre todas as outras histórias sirvam de inspiração e motivação para quem está passando ou passou pela mesmas coisas.

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