Vozes femininas: Edith Ranzini

Hoje começa uma nova seção no blog:  Vozes femininas!

Conheço mulheres maravilhosas e quero que vocês também conheçam cada uma delas. Essa seção trará pequenas entrevistas em aúdio para vocês ouvirem o que essas grandes mulheres tem pra contar. Espero que vocês curtam tanto quanto eu.

E antes de vocês ouvirem, perdoem a minha pouca habilidade como entrevistadora! hahahah

A nossa primeira voz feminina é: Edith Ranzini.

edithranzini

Ela se graduou em Engenharia de Eletricidade pela Universidade de São Paulo em 1969, uma época em que as mulheres tinham menos espaço ainda na universidade. Continuou na universidade e fez mestrado em Engenharia de Sistemas em 1975 e doutorado em Engenharia Elétrica em 1981, ambos na USP. Atualmente é professora doutora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, diretora – presidente da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia e professora voluntária da Universidade de São Paulo. Foi na aula de Laboratório Digital que conheci essa grande mulher, professora incrível e exemplo de ser humano. Preciso dizer que ela é uma Mulher na Computação? Acho que não!

Fiz 4 perguntas para não ficar muito longo e vocês escutarem inteira e se surpreenderem como me surpreendi!

A lição que fica para mim é: Vamos educar nossas meninas!

beijos!

EMPREENDER: Saber não é suficiente.

Saber não é suficiente, devemos aplicar. Querer não é suficiente, devemos fazer. Johann Goethe

Muitos estão pensando: “Isso não é novidade, o Goethe já falava isso em 1800!”, “Minha nossa, ela só descobriu isso agora?”

Mas quantos de vocês sentiram isso na pele? Se você foi, é ou será um empreendedor, sem dúvida nenhuma, aprendeu, está aprendendo ou aprenderá que: ler livros, seguir blogs, acompanhar tudo que acontece, ver aula, workshops e toda e qualquer outra coisa relativa a teoria de empreendedorismo nunca vai te transformar num empreendedor de verdade se você não “botar pra rodar”, não “colocar a mão na massa”, não “dar a cara a tapa”. Nada!

Quero que vocês não me entendam mal e pensem que eu estou dizendo que tudo isso não é importante. Muito pelo contrário, acho que temos que fazer tudo isso, sim. E talvez seja a melhor maneira de começar sua história como gente grande. Estudar e se informar nunca vai ser demais.

O que eu quero dizer pra vocês é que é surpreendentemente enorme o abismo entre saber e fazer. É como um cirurgião que estudou somente pelos livros, vendo fotos e radiografias, sabe tudo, mas nunca praticou, nunca viu sangue jorrando, sabe!? ( ok, fui longe demais, mas vocês me entenderam agora, né!? rs ).

Tem um monte de meandros e exceções que livro nenhum vai te contar, que palestrante nenhum vai te falar, que professor nenhum vai te ensinar. Não porque eles são incompetentes ou qualquer outra coisa, mas sim porque essas coisas são empíricas e vão depender diretamente de você, dos seus sócios, do seu plano, da sua ideia, da sua empolgação…essa infinidade de variações possíveis não foram e nunca serão totalmente mapeadas ou se quer encaradas por alguém sobre a face da Terra.

Na minha visão, “Você provavelmente não vai conseguir fazer exatamente com está aqui!”, “Você vai ter que estragar tudo pelo menos uma vez!”, “ Isso não é um mapa da mina!”, “Sei o que não fazer, mas o que fazer vou ficar devendo!” deviam ser frases mais frequentes no mundo do empreendedorismo, afinal descobrir não é trivial. Especialização leva tempo. Empreender é coisa séria.

Sendo assim, a melhor resposta para as perguntas desse universo é DEPENDE.

Conselhos, depoimentos, teorias são mais do que bem vindos, mas não são como o código de um programa que é facilmente executado se cumprir cada um dos requisitos. São mais parecidos com as coordenadas de um mapa incompleto que exigem habilidade, contexto, ousadia e criatividade.

Bom, minha esperança é que no final de tudo isso possamos te dar ferramentas como lápis, régua, borracha pra vocês desenharem seus próprios mapas ou serem capazes de completar aquele com as coordenadas mal feitas…então aí vai um conselho:

Diga não a patentes de software!

 

Sei que esse não é o assunto mais apropriado para  um domingo de manhã, mas…

 

Enfim, essa carta foi escrita por membros do CCSL ( Centro de Competência de Software Livre) da Universidade de São Paulo ao INPI. Isso tem que ser divulgado. Leiam. Reflitam.

Prezados senhores,

Vimos por meio desta expressar nossa preocupação a respeito do entendimento do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) e do MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia) a respeito da patenteabilidade de softwares no Brasil. É nosso entender que a posição atualmente adotada por essas entidades não está perfeitamente adequada nem ao texto da lei correspondente nem aos interesses do país. Abaixo, expomos nossa visão sobre o assunto.

A Lei 9279/96 exclui explicitamente da proteção oferecida através do mecanismo de patente “métodos matemáticos”, “concepções puramente abstratas” e “programas de computador em si”. Ainda assim, aparentemente há interpretações conflitantes a respeito da aplicabilidade de patentes a software dependendo do contexto.

De acordo com o FAQ do INPI disponível na Internet, “não pode uma invenção ser excluída de proteção legal pelo fato de que, para sua implementação sejam usados como meios técnicos programas de computador”, e “assim, o programa de computador em si, isto é, aquele que não apresenta um efeito técnico, é excluído de proteção patentária, ao passo que se tal programa altera tecnicamente o funcionamento da máquina em que é executado, este processo de controle ou a máquina resultante, pode configurar uma invenção patenteável”.

De fato, essa interpretação nos parece adequada; nesse espírito, fica evidente que o que é patenteável, nesse caso, é a máquina que faz uso do software ou o comportamento do software no contexto do invento, e não o software ou seus algoritmos, que nada mais são que concepções abstratas ou métodos matemáticos. Assim, por exemplo, num sistema de controle de voo baseado em ailerons vibratórios com frequência variável, o mecanismo de vibração dos ailerons para o controle da aeronave é alvo da proteção; o modelo matemático usado para determinar a frequência de vibração adequada a cada instante não; e o software e correspondentes mecanismos para determinar e ajustar a frequência de vibração também não. Ou seja, aplica-se a proteção apenas ao uso de vibrações determinadas pelo software (o que corresponde ao “processo de controle” citado acima); o software tem papel secundário nesse contexto. Num outro exemplo, um sistema de voo baseado em manipulações de campos gravitacionais ao invés dos atuais modelos aerodinâmicos pode constituir uma invenção, mas o software que viabiliza seu funcionamento e os correspondentes algoritmos não.

Em suma, trata-se de casos análogos ao uso, em uma invenção, de técnicas fora do escopo da invenção, como por exemplo: fornecimento e armazenamento de energia necessária ao invento, peças elétricas ou mecânicas que compõem o invento, técnicas para a construção das peças necessárias, etc. É evidente que esses componentes não são parte do objeto da patente em si. De forma análoga, o software e suas técnicas também devem ser excluídos do escopo da patente.

Apesar desse entendimento, a página http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/4989.html relata que “os pedidos de patente relacionados a software envolvem o conhecimento abstrato que permeia um programa de computador, tais como, descrição das funções executadas pelo programa, fórmulas matemáticas e interfaces gráficas”, o que, a nosso ver, vai claramente de encontro com a legislação vigente. O mesmo texto continua: “podemos citar como exemplos de patentes relacionadas a software já concedidas pelo INPI: algoritmos de compactação de dados, tratamento de imagens, protocolos de comunicação, gerenciamento de arquivos, controle de impressão, interfaces gráficas (destacando o aumento da capacidade de interação do usuário e meramente formas estéticas), controle de processos industriais, softwares usados em centrais telefônicas”. É difícil compreender o significado exato dos itens “gerenciamento de arquivos”, “controle de impressão”, “controle de processos industriais” e “softwares usados em centrais telefônicas”; no entanto, nos parece que os itens “algoritmos de compactação de dados”, “algoritmos de tratamento de imagens”, “protocolos de comunicação” e “interfaces gráficas” nitidamente violam o espírito e o texto da lei.

Pode-se citar como exemplos de patentes inadequadas nesse sentido as patentes cujos números de pedido são PI0505190-8 e PI0419011-4. A primeira trata de um algoritmo de compactação de dados, que é uma concepção puramente abstrata. A segunda versa sobre o uso de compactação de dados para o tráfego de informações sobre redes a cabo. O mero uso de uma técnica de software no contexto da transmissão via cabo não deveria ser alvo de proteção; somente seria admissível pensar em patente de compactação de dados em redes a cabo se o mecanismo de compressão fosse baseado em novas técnicas de transmissão de sinais eletromagnéticos através do cabo.

Essa discrepância de interpretação pode ter impactos negativos no Brasil. Patentes de software têm sofrido críticas em vários círculos internacionais, tendo sido rejeitadas duas vezes na União Européia e sendo alvo de campanhas importantes nos Estados Unidos. A ênfase dada pelo governo federal ao apoio ao software livre também esbarra nas patentes de software. Essas preocupações inclusive se refletem no texto da lei, onde os legisladores explicitamente excluíram os itens que poderiam dar espaço às patentes de software. Assim, solicitamos ao INPI rever seus atuais procedimentos internos para evitar a proliferação de patentes desse tipo, bem como ao MCT rever seus materiais de divulgação e incentivo à produção científica para não fomentar o interesse por patentes desse tipo.

Atenciosamente,

Membros do Centro de Competência em Software Livre da Universidade de São Paulo.

Quem quiser mais informações entre no site, na sessão DIGA NÃO AS PATENTES!

É isso…como estudante de Ciência da Computação me sinto na obrigação de divulgar e discutir o assunto!

Beijos!