Inteligência Artificial está na moda. Tecnologia, também.

Quem me acompanha nas redes sociais sabe que durante esta semana fui ao São Paulo Fashion Week. Vi desfile e tudo! Mas estava interessada mesmo é no stand da Microsoft. WTF? Microsoft no SPFW? WHY?

Sim, pessoal! E se você já é leitora ou leitor do blog talvez você não tenha se espantado tanto, afinal sempre digo por aqui que tecnologia está em todo lugar, mas de fato existe um primeiro estranhamento no fato.

Bom, logo na chegada percebi que era um recorte de ambiente muito diferente do meu, mas que tinha muita personalidade, vi um milhão de estilos e fiquei pensando que não existia qualquer regra por ali… cada um tinha seu estilo e ponto.

Aí cheguei no stand da Microsoft, me identifiquei, tinha câmera, monitor e um laptop. Só. Tinham amigos e uma galera se divertindo com a proposta que eu ainda não tinha entendido bem, mas que tinha como slogan: Inteligência Artificial está na moda.

O Januzzi que é diretor de inovação da Microsoft me recebeu e explicou tudo: usando os produtos de IA da Microsoft, um caracterizador de estilo e um recomendador de desfile foi implementado. Com algumas fotos, em pouquíssimo tempo e com o processamento de um laptop, o programa descrevia toda a sua aparência, inclusive com a sua idade, e com isso definia qual era o seu estilo e se tivesse algum desfile na agenda com seu estilo no dia, ele recomendava! 🙂 Muito amor né?! Amei a solução e fiquei encantada com as novidades de IA da Microsoft!

Mas, o que eu queria contar mesmo foi a minha leitura dessa ocupação de um espaço como moda por tecnologia. E fiquei feliz e triste pelo mesmo motivo: as pessoas que interagiam com a experiência ficavam maravilhadas com a “mágica “. Vou me explicar:

Porque isso é bom: tenho convicção que todos saíram de lá pensando como podiam fazer diferente e repensar tecnologia e, inclusive, moda. Provocou a reflexão da mudança de paradigma e curiosidade em todas as pessoas que interagiram com a ferramenta e não foram poucas.

Porque isso é ruim: todo mundo acha que é mágica. Não consegui ver ninguém querendo saber como funciona de verdade, para maioria ser mágica está bom. Só que na sociedade atual essa falta de literacia digital ainda é muito grande e muito arriscada. Tem um milhão de problemas aí fora no mundo real que poderiam estar resolvidos com tecnologia.

Reflitam. Precisamos entender de uma vez por todas que tecnologia está em tudo.

POST CONVIDADO: Onde estão as mulheres?

O Waze é um dos maiores aplicativos de trânsito e navegação do mundo, baseado em uma comunidade. Mas, muitas pessoas não têm o conhecimento de que, além de colaborar compartilhando informações de trânsito em tempo real através do app, qualquer um pode colaborar editando mapas. Assim, podemos dizer que o Waze é uma ferramenta de crowdsourcing. Mas, o que seria editar mapas?

O Waze disponibiliza uma ferramenta, online, chamada WME (Waze Map Editor), onde é possível editar o mapa dos locais por onde você realiza os seus trajetos, ou seja: por onde você dirige. Através dessa ferramenta é possível criar e editar vias, inserindo nomes, numerações, sentidos, locais, dentre outras várias funcionalidades.

No WME é possível instalar alguns scripts que ajudam na edição. Alguns desses scripts foram desenvolvidos pela própria comunidade; assim, utilizamos bastante a tecnologia e, tudo isso, de modo colaborativo. No Brasil temos uma comunidade bastante ativa de editores de várias regiões, idades e profissões. Mas, o que isso tem a ver com a ausência da participação feminina?

Em maio de 2015, a Revista Época (edição nº 99), publicou o seguinte: “Nas salas da faculdade de engenharia ou nas divisões mais técnicas das gigantes do setor elas são sempre minoria (…) A verdade é que o mercado de tecnologia é ainda mais restritivo a mulheres do que empresas de outros setores (…) A qualidade é igual. O problema, observam especialistas, em uníssono, é cultural. Começa na infância. O computador virou um brinquedo de meninos. Não à toa, metade das famílias americanas coloca o PC doméstico no quarto do filho (…).”

A realidade acima também está agregada à realidade da Comunidade Brasileira de Editores do Waze, que é aberta a quaisquer pessoas, independente de serem, ou não, da área de TIC.

Atualmente, no Waze, a maioria dos usuários do aplicativo são do sexo feminino. No entanto, o percentual de participação de mulheres, como editoras, é bem inferior. Embora muitas utilizem a tecnologia do aplicativo, poucas participam – de alguma forma -, da construção dele, não existindo uma boa reciprocidade quanto a colaboração nas edições de mapa. Ainda não há um percentual real dos colaboradores do Waze, mas podemos dizer que, dentro da comunidade, a predominância de editores do sexo masculino é bastante notória.

Objetivando mudar essa realidade, a comunidade resolveu, por conta própria, desenvolver um projeto com diversas ações para aproximar as mulheres ao aplicativo (comunidade). O Waze utiliza ferramentas que facilitam, e muito, a familiarização da Tecnologia.

Dentre essas ações, destacamos uma discussão no fórum da comunidade, que identificou possíveis fatores que inibem a participação das mulheres, tais como: ausência feminina no mercado de TI, falta de tempo, sensação de isolamento, falta de conhecimento de tecnologias etc. Outra ação é exatamente esta que fazemos aqui: discutir abertamente esta realidade da Comunidade Brasileira do Waze com todos.

Promover uma maior sensibilização do público feminino, a fim de aproximar as mulheres da tecnologia e da Comunidade é uma das metas. Porém, o intuito vai muito além de acolher mais mulheres na comunidade do Waze: o nosso interesse final é, principalmente, a contribuição social que podemos alcançar, utilizando o Waze como instrumento.

Entretanto, sabemos que abraçar o novo, de certa forma, assusta muitas pessoas porque o novo não nos traz uma certeza definida das coisas; se vai ou não dar certo, se vai ou não adiante. Cremos que este pode ser um dos grandes empecilhos que inibem as mulheres de participarem e adentrarem com mais segurança, com mais firmeza nas áreas relacionadas à tecnologia que, nítida e comprovadamente, atualmente são comandadas, na sua grande maioria, por homens.

Não levantando bandeiras supostamente feministas ou quaisquer outras, lembramos que tabus podem ser quebrados e derrubados, como foram quebrados tantos padrões ao longo da história da Humanidade, quando somente homens poderiam ser eleitores; quando somente homens poderiam ser soldados; quando somente homens poderiam pilotar aviões, ou quando somente mulheres poderiam lavar louças e cuidar da faxina da casa.

Vale ressaltar, ainda, acerca da tão ‘famosa’ e acomodável ‘zona de conforto’ que, na verdade, gera, na maioria dos casos, pensamentos como “Por que mudar se estou bem assim?”; “Por que buscar o novo?”. Mas, o fato é que o novo sempre vai existir em quaisquer áreas da existência humana e ninguém pode fugir dele. Nunca, jamais o novo vai desaparecer, ainda mais em se tratando dos avanços e novidades tecnológicas que avançam dia a dia em uma velocidade extrema.

A tendência natural do Ser Humano é para a alternativa mais cômoda, mais fácil, aquela já conhecida. Temos, em geral, muito medo do desconhecido. Fazendo um comparativo (analogia) a situações do nosso cotidiano, exemplificamos: quando temos nosso primeiro dia de aula na autoescola, sentamos no carro e perguntamos: “e agora o que eu faço? Será que consigo fazer essa baliza? Ai, meu Deus, onde eu fui me meter!” ; ou, então, no primeiro emprego que, de cara, participamos de uma reunião onde estão falando y, e você entendendo x, e é exatamente aí, que geralmente chega aquele momento meio de desesperador, sem saber se aprenderemos o suficiente, e se rapidamente ou não.

Enfim, essa trava, esse empecilho que nos impede de encarar o novo, o desconhecido, pode fazer com que muitas pessoas desistam de novas perspectivas, inclusive assim como nas aulas da faculdade na área da tecnologia, para quem nunca programou ou até mesmo não sabe o que um algoritmo. Na hora, tudo aquilo parece coisa de outro mundo, mas a medida que você vai compreendendo, aprendendo, conhecendo pessoas que compartilham do mesmo interesse, tudo vai se clareando e se tornando mais fácil e divertido.

No momento dessa vivência um pouco assustadora (podemos assim dizer), você vai enxergando que a TI é um mundo e você pode optar por diversos ramos dentro dela. Da mesma forma acontece quando se começa a editar mapas, abrimos a ferramenta de edição (wme) e, de momento, pensamos “E agora o que faço? Será que posso fazer isso?. Por muitas vezes, muitos acabam desistindo com medo de errar, de não conseguir a compreensão, mas se existir a persistência descobriremos o quanto tudo é divertido e fácil e que poderíamos ter perdido a boa oportunidade de fazer parte dessa comunidade.

Mas, diferente de muitos relatos onde um ambiente predominantemente masculino posse se mostrar hostil para as mulheres, a Comunidade Brasileira do Waze tem, de fato, um outro cenário. É um ambiente bastante receptivo, dedicado e paciente, independente de sexo e, vale aqui ressaltar e afirmar que quando se trata de mulheres a Comunidade se mostra ainda mais receptiva, dedicada e paciente. Isto não indica, absolutamente, algum tipo de interesse pessoal ou de outras vertentes que poderiam ser oriundas dos homens participantes – longe disso – , mas sim, porque são muito educados, entusiastas e, essencialmente, excelentes editores. E poder participar de uma comunidade que tem como foco o colaborativo e, a partir dela podermos desenvolver várias ações que de algum modo possam trazer benefícios à sociedade, é simplesmente entusiasmante e maravilhoso.

Acreditamos que utilizar o Waze, de uma maneira ou de outra, facilita a nossa familiarização, a familiarização de nós, mulheres, com a tecnologia e, com isso, existe verdadeiramente a possibilidade de várias mulheres se interessarem mais por esse ramo.

Portanto, não tenhamos medo do novo. Por medo do novo deixamos de vivenciar ótimas descobertas. Vamos nos empoderar dos assuntos que nos interessam. A cada dia, nós consumimos mais tecnologia. Então, por que não participarmos da construção da mesma? Por que não tentar conhecer o novo? O que faz mover o mundo são as ações…movam-se!

————————— AUTORA ———————————-

FullSizeRender (1)Caroline S. Guerra, analista de TI com foco em gestão de TIC, prestando serviço para o Governo do Estado do Ceará. Pós-Graduanda em Gestão da Informação e Business Intelligence. Líder de um projeto de desenvolvimento de aplicativo. Canceriana. Adora tanta coisa que não cabe aqui. Apoiadora de causas que de alguma forma possam impactar na melhoria do mundo.

Estudo gigante revela gap gênero na tecnologia e mais vários outros insights!

Quem aqui é do mundo de tecnologia e não conhece o Stack Overflow?! Esta é uma plataforma gigante de perguntas e respostas relacionadas a tecnologia! Eles indagaram mais de 50 mil pessoas e criaram um mapa com o perfil dos profissionais que trabalham com desenvolvimento de sistemas. E pra variar um gap de gênero gigante foi escancarado!!

Todos os anos, a Stack Overflow indaga dezenas de milhares de desenvolvedores na tentativa de revelar cenários e tendências do universo da programação. A edição de 2015, que coletou respostas junto a 50 mil pessoas, e descobriu pontos interessantes.

Alguns dos insights foram:

LINGUAGEM MAIS USADA

O levantamento mais recente identificou que JavaScript continua como a linguagem de programação mais popular em uso. Mais da metade (55%) dos respondentes indicou que tem usado essa ferramenta. E Microsoft Visual Basic é considerada a linguagem “mais temida”.

FORMAÇÃO DOS DESENVOLVEDORES

O levantamento também descobriu que 46% dos desenvolvedores não possuem uma formação acadêmica em ciências da computação ou qualquer curso relacionado à aula e mais de 57% programam praticamente todos os dias.

ATIVIDADE MAIS COMUM

De maneira geral, a descrição de trabalho mais comum entre os desenvolvedores é “Full-Stack Web Developer”, com 28% das classificações; seguido por “Back-End Developer” (com 12%) e “estudante” (11%).

IDADE MÉDIA

O estudo indicou que a idade média dos profissionais gira entre 25 e 29 anos – faixa etária de 28% dos respondentes. O segundo maior grupo (23%) é composto por jovens entre 20 e 25 anos.

DIVERSIDADE

A pesquisa, tristemente, comprova um sentimento bastante comum na indústria: não há equilíbrio entre gêneros. Os resultados apontam que 92% dos programadores que responderam o questionário são do sexo masculino. Além disso, a pesquisa mostra que as mulheres são mais propensas a estarem ligadas a design e quality assurence!

Há outros insights interessantes estampados no relatório. Para ver o relatório completo acesse esse link.

Mil beijos!