POST CONVIDADO: Onde estão as mulheres?

O Waze é um dos maiores aplicativos de trânsito e navegação do mundo, baseado em uma comunidade. Mas, muitas pessoas não têm o conhecimento de que, além de colaborar compartilhando informações de trânsito em tempo real através do app, qualquer um pode colaborar editando mapas. Assim, podemos dizer que o Waze é uma ferramenta de crowdsourcing. Mas, o que seria editar mapas?

O Waze disponibiliza uma ferramenta, online, chamada WME (Waze Map Editor), onde é possível editar o mapa dos locais por onde você realiza os seus trajetos, ou seja: por onde você dirige. Através dessa ferramenta é possível criar e editar vias, inserindo nomes, numerações, sentidos, locais, dentre outras várias funcionalidades.

No WME é possível instalar alguns scripts que ajudam na edição. Alguns desses scripts foram desenvolvidos pela própria comunidade; assim, utilizamos bastante a tecnologia e, tudo isso, de modo colaborativo. No Brasil temos uma comunidade bastante ativa de editores de várias regiões, idades e profissões. Mas, o que isso tem a ver com a ausência da participação feminina?

Em maio de 2015, a Revista Época (edição nº 99), publicou o seguinte: “Nas salas da faculdade de engenharia ou nas divisões mais técnicas das gigantes do setor elas são sempre minoria (…) A verdade é que o mercado de tecnologia é ainda mais restritivo a mulheres do que empresas de outros setores (…) A qualidade é igual. O problema, observam especialistas, em uníssono, é cultural. Começa na infância. O computador virou um brinquedo de meninos. Não à toa, metade das famílias americanas coloca o PC doméstico no quarto do filho (…).”

A realidade acima também está agregada à realidade da Comunidade Brasileira de Editores do Waze, que é aberta a quaisquer pessoas, independente de serem, ou não, da área de TIC.

Atualmente, no Waze, a maioria dos usuários do aplicativo são do sexo feminino. No entanto, o percentual de participação de mulheres, como editoras, é bem inferior. Embora muitas utilizem a tecnologia do aplicativo, poucas participam – de alguma forma -, da construção dele, não existindo uma boa reciprocidade quanto a colaboração nas edições de mapa. Ainda não há um percentual real dos colaboradores do Waze, mas podemos dizer que, dentro da comunidade, a predominância de editores do sexo masculino é bastante notória.

Objetivando mudar essa realidade, a comunidade resolveu, por conta própria, desenvolver um projeto com diversas ações para aproximar as mulheres ao aplicativo (comunidade). O Waze utiliza ferramentas que facilitam, e muito, a familiarização da Tecnologia.

Dentre essas ações, destacamos uma discussão no fórum da comunidade, que identificou possíveis fatores que inibem a participação das mulheres, tais como: ausência feminina no mercado de TI, falta de tempo, sensação de isolamento, falta de conhecimento de tecnologias etc. Outra ação é exatamente esta que fazemos aqui: discutir abertamente esta realidade da Comunidade Brasileira do Waze com todos.

Promover uma maior sensibilização do público feminino, a fim de aproximar as mulheres da tecnologia e da Comunidade é uma das metas. Porém, o intuito vai muito além de acolher mais mulheres na comunidade do Waze: o nosso interesse final é, principalmente, a contribuição social que podemos alcançar, utilizando o Waze como instrumento.

Entretanto, sabemos que abraçar o novo, de certa forma, assusta muitas pessoas porque o novo não nos traz uma certeza definida das coisas; se vai ou não dar certo, se vai ou não adiante. Cremos que este pode ser um dos grandes empecilhos que inibem as mulheres de participarem e adentrarem com mais segurança, com mais firmeza nas áreas relacionadas à tecnologia que, nítida e comprovadamente, atualmente são comandadas, na sua grande maioria, por homens.

Não levantando bandeiras supostamente feministas ou quaisquer outras, lembramos que tabus podem ser quebrados e derrubados, como foram quebrados tantos padrões ao longo da história da Humanidade, quando somente homens poderiam ser eleitores; quando somente homens poderiam ser soldados; quando somente homens poderiam pilotar aviões, ou quando somente mulheres poderiam lavar louças e cuidar da faxina da casa.

Vale ressaltar, ainda, acerca da tão ‘famosa’ e acomodável ‘zona de conforto’ que, na verdade, gera, na maioria dos casos, pensamentos como “Por que mudar se estou bem assim?”; “Por que buscar o novo?”. Mas, o fato é que o novo sempre vai existir em quaisquer áreas da existência humana e ninguém pode fugir dele. Nunca, jamais o novo vai desaparecer, ainda mais em se tratando dos avanços e novidades tecnológicas que avançam dia a dia em uma velocidade extrema.

A tendência natural do Ser Humano é para a alternativa mais cômoda, mais fácil, aquela já conhecida. Temos, em geral, muito medo do desconhecido. Fazendo um comparativo (analogia) a situações do nosso cotidiano, exemplificamos: quando temos nosso primeiro dia de aula na autoescola, sentamos no carro e perguntamos: “e agora o que eu faço? Será que consigo fazer essa baliza? Ai, meu Deus, onde eu fui me meter!” ; ou, então, no primeiro emprego que, de cara, participamos de uma reunião onde estão falando y, e você entendendo x, e é exatamente aí, que geralmente chega aquele momento meio de desesperador, sem saber se aprenderemos o suficiente, e se rapidamente ou não.

Enfim, essa trava, esse empecilho que nos impede de encarar o novo, o desconhecido, pode fazer com que muitas pessoas desistam de novas perspectivas, inclusive assim como nas aulas da faculdade na área da tecnologia, para quem nunca programou ou até mesmo não sabe o que um algoritmo. Na hora, tudo aquilo parece coisa de outro mundo, mas a medida que você vai compreendendo, aprendendo, conhecendo pessoas que compartilham do mesmo interesse, tudo vai se clareando e se tornando mais fácil e divertido.

No momento dessa vivência um pouco assustadora (podemos assim dizer), você vai enxergando que a TI é um mundo e você pode optar por diversos ramos dentro dela. Da mesma forma acontece quando se começa a editar mapas, abrimos a ferramenta de edição (wme) e, de momento, pensamos “E agora o que faço? Será que posso fazer isso?. Por muitas vezes, muitos acabam desistindo com medo de errar, de não conseguir a compreensão, mas se existir a persistência descobriremos o quanto tudo é divertido e fácil e que poderíamos ter perdido a boa oportunidade de fazer parte dessa comunidade.

Mas, diferente de muitos relatos onde um ambiente predominantemente masculino posse se mostrar hostil para as mulheres, a Comunidade Brasileira do Waze tem, de fato, um outro cenário. É um ambiente bastante receptivo, dedicado e paciente, independente de sexo e, vale aqui ressaltar e afirmar que quando se trata de mulheres a Comunidade se mostra ainda mais receptiva, dedicada e paciente. Isto não indica, absolutamente, algum tipo de interesse pessoal ou de outras vertentes que poderiam ser oriundas dos homens participantes – longe disso – , mas sim, porque são muito educados, entusiastas e, essencialmente, excelentes editores. E poder participar de uma comunidade que tem como foco o colaborativo e, a partir dela podermos desenvolver várias ações que de algum modo possam trazer benefícios à sociedade, é simplesmente entusiasmante e maravilhoso.

Acreditamos que utilizar o Waze, de uma maneira ou de outra, facilita a nossa familiarização, a familiarização de nós, mulheres, com a tecnologia e, com isso, existe verdadeiramente a possibilidade de várias mulheres se interessarem mais por esse ramo.

Portanto, não tenhamos medo do novo. Por medo do novo deixamos de vivenciar ótimas descobertas. Vamos nos empoderar dos assuntos que nos interessam. A cada dia, nós consumimos mais tecnologia. Então, por que não participarmos da construção da mesma? Por que não tentar conhecer o novo? O que faz mover o mundo são as ações…movam-se!

————————— AUTORA ———————————-

FullSizeRender (1)Caroline S. Guerra, analista de TI com foco em gestão de TIC, prestando serviço para o Governo do Estado do Ceará. Pós-Graduanda em Gestão da Informação e Business Intelligence. Líder de um projeto de desenvolvimento de aplicativo. Canceriana. Adora tanta coisa que não cabe aqui. Apoiadora de causas que de alguma forma possam impactar na melhoria do mundo.

Estudo gigante revela gap gênero na tecnologia e mais vários outros insights!

Quem aqui é do mundo de tecnologia e não conhece o Stack Overflow?! Esta é uma plataforma gigante de perguntas e respostas relacionadas a tecnologia! Eles indagaram mais de 50 mil pessoas e criaram um mapa com o perfil dos profissionais que trabalham com desenvolvimento de sistemas. E pra variar um gap de gênero gigante foi escancarado!!

Todos os anos, a Stack Overflow indaga dezenas de milhares de desenvolvedores na tentativa de revelar cenários e tendências do universo da programação. A edição de 2015, que coletou respostas junto a 50 mil pessoas, e descobriu pontos interessantes.

Alguns dos insights foram:

LINGUAGEM MAIS USADA

O levantamento mais recente identificou que JavaScript continua como a linguagem de programação mais popular em uso. Mais da metade (55%) dos respondentes indicou que tem usado essa ferramenta. E Microsoft Visual Basic é considerada a linguagem “mais temida”.

FORMAÇÃO DOS DESENVOLVEDORES

O levantamento também descobriu que 46% dos desenvolvedores não possuem uma formação acadêmica em ciências da computação ou qualquer curso relacionado à aula e mais de 57% programam praticamente todos os dias.

ATIVIDADE MAIS COMUM

De maneira geral, a descrição de trabalho mais comum entre os desenvolvedores é “Full-Stack Web Developer”, com 28% das classificações; seguido por “Back-End Developer” (com 12%) e “estudante” (11%).

IDADE MÉDIA

O estudo indicou que a idade média dos profissionais gira entre 25 e 29 anos – faixa etária de 28% dos respondentes. O segundo maior grupo (23%) é composto por jovens entre 20 e 25 anos.

DIVERSIDADE

A pesquisa, tristemente, comprova um sentimento bastante comum na indústria: não há equilíbrio entre gêneros. Os resultados apontam que 92% dos programadores que responderam o questionário são do sexo masculino. Além disso, a pesquisa mostra que as mulheres são mais propensas a estarem ligadas a design e quality assurence!

Há outros insights interessantes estampados no relatório. Para ver o relatório completo acesse esse link.

Mil beijos!

Educatic Code Wars, a Maratona de Aplicativos e o Blog Mulheres na Computação, somam forças para fortalecer a educação!

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Na sede do CUBO em São Paulo, em uma reunião com a Camila Achutti e Felipe Barreiros, estabeleceu-se a parceria entre o Educatic Code Wars, a Maratona de Aplicativos e o Blog Mulheres na Computação.

Mudanças e transformações são gradativas, mas pedem ações imediatas, na educação, na percepção, e no senso crítico. Somente aqueles que tiverem consciência das opções que possuem, tem condições de optar pelas melhores alternativas.

Aliando e alinhando os objetivos de cada projeto, que somados buscam potencializar habilidades pessoais e profissionais desde a infância, dando condições para que possam fazer suas escolhas futuras de forma consciente. O  Educatic Code Wars, parte do princípio que quanto mais cedo começamos a superar nossos limites, mais longe seremos capazes de chegar. Para isso, elaborou um desafio online, que contempla um conjunto de missões que guiam crianças, adolescentes e professores por ferramentas digitais, que lhes possibilitam incluir tecnologias no processo de educação, ensinando aos estudantes, programação, matemática e línguas.

A Maratona de Aplicativos em um modelo de competição, coloca os estudantes do ensino médio frente a frente com a possibilidade de praticar o que aprendem nas ferramentas e plataformas disponíveis na internet, e indica caminhos que facilitam a criação de um aplicativo que melhore a vida deles na escola, ou até mesmo na educação como coletivo, desde a ideação, a programação e a apresentação do produto final em um pitch, A FIAP promovendo a Maratona de Aplicativos, quer criar meios de compartilhar o conhecimento e motivar empreendedores na busca por soluções sociais atuais e futuras.

O Blog Mulheres na Computação incentiva a discussão e difusão de assuntos relativos a computação, visando a capacitação e inserção de mulheres neste campo.

São muitos postos de trabalho (vagas e preenchidos), e ainda é um campo que em grande parte está ocupado por pessoas do sexo masculino. O mercado de trabalho que mais cresce em número de vagas é o de Tecnologia da Informação, as melhores vagas são neste setor e as demandas se ampliam proporcionalmente, gerando mais postos de trabalho do que profissionais aptos.

Esta parceria visa promover o acesso e a capacitação, que levará muito além deste mercado de trabalho. Pretende estimular melhores condições de pensar, criar e se relacionar em muitas áreas. Aprimorando habilidades necessárias no seculo 21, com criatividade e colaboração para a resolução de problemas cada vez mais complexos da sociedade.