Mulheres, não tenham medo de pedir ajuda!

Por Déborah Oliveira*, ITForum365

Aruna Ravichandran, vice-presidente de Marketing Global de Produtos e Soluções da CA Technologies, tem mais 20 anos de experiência em marketing de produto em vários mercados. Ela iniciou sua carreira como engenheira na Hewlett Packard e tem em seu currículo cargos de liderança em engenharia e marketing. Após 17 anos na Hewlett Packard, passou a comandar o departamento de Marketing e Estratégia para Redes Definidas de Software na Juniper Networks antes de se juntar à CA em 2014.

Por ter iniciado sua trajetória do lado técnico e somente depois migrado para o Marketing, ela sabe muito bem como lidar com os desafios de um ambiente majoritariamente composto por homens. E durante sua carreira um de seus maiores aprendizados foi não ter medo de pedir ajuda.

“Peça suporte para quem está com você. Eu sempre tive mentores na minha vida. Se você tem um foco e estabelece um ecossistema de confiança, você seguramente crescerá”, aconselha Aruna, que em 2016 foi nomeada uma das 100 mulheres mais influentes no Vale do Silício pelo San Jose Business Journal, bem como recebeu o Prêmio da Mulher Mais Poderosa e Influente de 2016, pelo National Diversity Council (Conselho Norte-Americano de Diversidade).

Logo no início da sua carreira, Aruna desenvolveu uma estratégia nesse sentido. “Quando eu admirava uma pessoa, mesmo que eu não a conhecesse e ela estivesse em uma conferência, eu pedia para ela ser minha mentora”, diz. “Minha filosofia é a de que nunca dói perguntar, e o máximo que você vai ouvir é um ‘não’. Se for um sim, você certamente se beneficiará disso”, completa.

Ambiente positivo

Aruna acredita que manter um ambiente positivo é fundamental para o desenvolvimento das mulheres. Nem sempre foi assim em sua trajetória, mas nem por isso ela se calou ou desistiu. Ela conta que sua primeira filha nasceu prematura e teve de trabalhar de casa no começo. “Minha gerente me suportou, mas meu time essencialmente composto por homens, não. Eu não sabia que o meu maior desafio seria enfrentar meu time. Não foi fácil”, lembra.

Mas ela não se deixou abalar e resolveu escalar a situação. “Algumas pessoas me falaram que eu me queimaria se contasse para o RH. E eu pensei: o máximo que pode acontecer é eu ser demitida. Eu levei para o próximo nível da empresa e eles fizeram ações internas, conscientizando pessoas e ajudando na mudança do comportamento. Eu poderia ter ficado calada, mas outra mulher passaria pela mesma situação”, comenta orgulhosa.

Para seu time, Aruna busca sempre contratar mulheres. Não que essa seja uma obrigação, mas ela sempre pede que o RH apresente candidatas mulheres. “Busco os melhores e dou uma chance. Aconteceu comigo. Eu tive uma chance, mudei de engenharia para marketing. Fui entrevistada para 30 empregos e eles diziam que eu não tinha a experiência ou preferiam um homem. Um gerente decidiu me dar uma chance mesmo eu não tendo experiência. Eu acredito em dar chances para as pessoas”, revela.

Mulheres na TI, um trabalho de formiga

A executiva acredita que não é apenas no Vale do Silício, nos Estados Unidos, onde mora e trabalha, que há pouca representatividade de mulheres, especialmente exercendo cargos de liderança. “É um desafio geral”, reflete, apontando que é preciso criar um forte ecossistema para as mulheres.

Aruna pessoalmente encoraja mulheres a ingressarem na área de tecnologia. Recentemente, ela obteve sucesso ao incentivar sua filha mais velha, Monica Ravichandran, a seguir seus passos. Atualmente, Monica está no segundo ano de Ciência da Computação na California Polytechnic State University, nos Estados Unidos, e em princípio seguir uma carreira em tecnologia definitivamente não estava em seus planos.

“Levei minha filha para falar com outras mulheres da minha rede. Uma das minhas amigas tem posição de destaque na Oracle e há outra no Google. Ela conversou com várias pessoas e tomou a decisão”, relata Aruna, reforçando que o apoio familiar é fundamental nessa jornada. “Disse que se ainda assim ela não gostasse, tudo bem. De toda forma, ela precisaria ao menos tentar.”

Já no primeiro ano da universidade sua filha sentiu na pele o motivo pelo qual muitas mulheres desistem da disciplina. “A sociedade não torna a trajetória fácil para mulheres que querem seguir a carreira em ciência da computação. Ela foi negligenciada no grupo de meninos. Eu a disse para enfrentar o problema. Mas nem todas as meninas fazem isso. Agora, toda menina que entra na universidade tem um mentor”, afirma, completando que muita gente não consegue lidar com a pressão e tranca a faculdade.

Mas não é somente dentro de casa que ela ajuda na trilha da busca por uma carreira em TI. Aruna visita escolas constantemente para falar sobre tecnologia e mostrar as oportunidades na área. “Evangelizar é fundamental”, alerta.
Ela também incentivou a Santa Clara University, universidade que cursou, a criar um programa para levar meninas ao campus e conhecer as disciplinas de engenharia, vendo de perto como são as aulas. “Elas têm de ser expostas a isso”, argumenta.

Para Aruna, se todos fizerem um pouco e abraçarem a causa, ajudando outras mulheres, é possível engajar o público feminino em TI. Com Monica, sua filha, a semente foi plantada. Recentemente, a jovem escreveu um artigo em seu LinkedIn apontando que quer ser uma voz ativa para facilitar outras mulheres a alcançarem seus objetivos, tornando-se parte da equipe na Girls who Code, organização sem fins lucrativos dos EUA que incentiva o ingresso de meninas na TI.

*A jornalista viajou a Las Vegas (EUA) a convite da CA Technologies

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