9 tabus já superados pelo mercado de trabalho

Por Déborah Oliveira, CIO

Até pouco tempo, era comum encontrar em ofertas de emprego pré-requisitos descritos nos anúncios como frequentar faculdades de primeira linha e ter boa aparência. Hoje, essas e outras exigências não estampam mais as ofertas de emprego, seja por questões de ajuste de mercado ou até mesmo por mudanças culturais. Muitas das informações que constavam em um currículo acabaram caindo em desuso e sendo substituídas por novas demandas da sociedade, empresas e recrutadores.

“O mercado de trabalho é extremamente dinâmico. O que se incluía em um currículo há dez ou quinze anos não faz mais sentido hoje. O papel aceita tudo e hoje os processos de seleção são cada vez mais criteriosos. Conseguimos detectar durante as entrevistas o que realmente importa às empresas e o que elas buscam em um candidato. A exigência hoje é diferente. São valorizados candidatos com resiliência, proatividade, entrega e com boa qualificação comportamental. Há outros valores envolvidos na hora de selecionar um candidato”, explica Renato Trindade, gerente da Page Personnel, empresa global de recrutamento especializado em profissionais de nível técnico e suporte à gestão, parte do PageGroup.

Confira alguns tabus que foram eliminados do mercado, de acordo com o consultor:

 

1. Faculdade de primeira linha
Era muito comum encontrar em anúncios de emprego que o candidato tivesse frequentado faculdade de primeira linha. Hoje, essa exigência já não existe mais e praticamente foi abolida pelos recrutadores. “Não adianta nada o candidato frequentar uma faculdade de primeira linha e não ter uma entrega de primeira linha.

O mercado olha e avalia mais o que esse profissional tem para entregar em questões de resultados do que simplesmente ver onde ele estudou. Vale muito mais um profissional com bom desempenho e dedicação. Hoje, a questão comportamental tem prevalecido sobre a técnica”, avalia Trindade, da Page Personnel.

 

2. Demissão
Outra questão que assombrava candidatos era incluir em seu currículo que havia sido demitido. Ter essa experiência no histórico profissional era sinônimo de fracasso e insucesso. Hoje, esse fantasma não assusta mais profissionais em busca de recolocação.

“É muito comum que um profissional tenha experiência em diferentes empresas. Era comum que um executivo fizesse carreira numa mesma empresa e por lá permanecesse por 20 ou 30 anos. Agora, por diversas questões conjunturais, como crise, adequação de equipe, perfil inadequado, impactam na demissão de um funcionário. E não é demérito nenhum ser demitido nesses casos. O que não é permitido é mentir no currículo. Não vale dizer que foi desligado por um motivo e na verdade ter outro. Isso sim pega muito mal”, conta o consultor.

 

3. Fracasso como empreendedor
E quando um profissional decide mudar sua carreira, se aventurar pelo empreendedorismo e acabar fracassando? “O mercado vê com muito bons olhos profissionais que decidiram empreender e, por algum motivo, acabou não tendo uma experiência bem-sucedida. Esse tipo de perfil pode ser de grande valia se essa pessoa aplicar na empresa o que aprendeu em sua passagem como empresário. Essa pessoa pode ter conhecimentos de marketing, vendas, gestão, finanças e aplicar seu conhecimento no dia a dia da empresa. Ele tem a visão do todo e chega com mais bagagem no seu novo desafio”, diz Trindade.

 

4. Pouco tempo num mesmo emprego
Um currículo com experiências profissionais de curta duração não era bem visto pelos avaliadores até pouco tempo. Entendia-se que essa pessoa não tinha estabilidade e por isso não permanecia no emprego. Hoje a avaliação precisa ser mais criteriosa.

“Se um profissional permanece por menos de dois anos numa empresa, é preciso entender o motivo dos dois lados. Hoje um candidato é movido a trocar de emprego por desafios que perpassam a proposta salarial. Antes os empregados permaneciam por cinco ou dez anos numa mesma empresa. É preciso investigar os motivos dessas mudanças e se elas fazem sentido”, reflete o especialista.

 

5. Nervosismo na entrevista
Um dos momentos mais tensos para candidatos em processos de recrutamento e seleção é a hora da entrevista. Tem muita gente que fica nervosa e acaba esquecendo de contar detalhes importantes da carreira que não estão reportados no currículo. Segundo Trindade, o nervosismo tinha um peso maior na hora da seleção, era mais eliminatório. “Hoje procuramos conversar mais com o candidato e utilizar técnicas que o deixem mais à vontade. Ficar nervoso durante uma entrevista é comum, o que não pode é que essa sensação se prolongue muito e comprometa a conversa. O candidato precisa entender que se trata apenas de um papo com o recrutador para ele entender e conhecer mais sobre ele”.

 

6. Pretensão salarial
Muitas empresas solicitavam esse tipo de informação com o intuito de entender as expectativas salariais dos candidatos de acordo com a experiência apresentada e se estavam alinhadas com a política salarial da empresa. Hoje já é bem menos comum colocar esse tipo de informação. “Os profissionais não buscam só uma boa remuneração. Querem trabalhar em empresas que ofereçam valores, boas propostas e projetos desafiadores. Se ele acrescentar sua pretensão, pode deixar de trabalhar em alguma empresa que admire simplesmente por informar o quanto deseja ganhar”, revela Trindade.

 

7. Filhos
A gravidez já foi interpretada por muitas mulheres como interrupção na carreira, tamanha era a pressão para que elas não atrapalhassem suas atividades profissionais em decorrência da maternidade. “Não há mais essa mentalidade tanto de mulheres como do mercado. As empresas evoluíram e até estimulam suas profissionais por meio de programas e benefícios. O home office, a licença-maternidade, a flexibilidade de horário e outras ações ajudam a acolher e deixar a mulher mais segura diante da maternidade”, aponta o consultor.

 

8. Ter 40 anos ou mais
Ter experiência já foi sinônimo de preocupação. Profissionais que atingiam os 40 anos sabiam que o fantasma da demissão rondava sua cadeira por ter atingido a faixa etária mais vulnerável a demissões. “Felizmente hoje, com o aumento da expectativa de vida, profissionais mais velhos e experientes frequentam e frequentarão o mercado de trabalho. É uma ótima notícia para contrastar com os tristes períodos onde somente mais jovens estavam aptos a trabalhar. Hoje os profissionais mais experientes são bem avaliados pelo mercado porque já passaram por crises, momentos adversos e situações de risco e pressão. A experiência deles ajuda bastante em momentos como esses. Não dá para contratar um jovem experiente”, analisa.

 

9. Boa aparência
Requisito comum e muito frequente em anúncios de emprego, hoje não é mais comum encontrar exigências como esta na hora de ofertar uma vaga de trabalho. “O que se espera de um profissional é que ele tenha boa apresentação. Que tenha postura, desenvoltura, articulação e comunicação. Solicitar um profissional com boa aparência soa até preconceituoso. É preciso diferenciar beleza de postura”, esclarece Trindade.

Mulheres ganham 30% menos do que homens no setor de TI

Por Déborah Oliveira, Computerworld

A remuneração média mensal de mulheres no setor de Tecnologia da Informação (TI) é 30,4% menor que a de homens (R$ 4,3 mil frente a R$ 6,1 mil).

É o que aponta estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com informações colhidas na Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTb). Segundo a RAIS, em 31 de dezembro de 2016, o setor empregava 159.135 trabalhadores em São Paulo, sendo 54.136 (34%) mulheres e 104.999 (66%) homens.

Os números do levantamento mostram que os profissionais de TI no estado de São Paulo são altamente escolarizados, muito acima das médias vigorantes no mercado de trabalho brasileiro. Em dezembro de 2016, mais da metade das trabalhadoras (59,1%) tinha ensino superior completo, 9,4% estavam fazendo um curso universitário ou haviam ingressado e depois abandonado, e um quarto (25,5%) havia concluído o ensino médio. Agregando-se esses percentuais, tem-se que 60,2% das mulheres do setor haviam completado o ensino superior ou mais (mestrado e doutorado) e 95,1% tinham o ensino médio completo ou mais.

 

Desigualdade salarial de gênero segundo a escolaridade

A remuneração cresce no setor de TI à medida que o profissional alcança faixas superiores de escolaridade, tanto para homens como para mulheres. Em todas as faixas de escolaridade, no entanto, as trabalhadoras ganham menos do que os homens.

“Pode-se apontar, no setor de TI paulista, uma tendência ao crescimento da desigualdade entre a remuneração da mulher e do homem a partir do momento em que ambos concluem a graduação, repetindo-se com maior intensidade quando da conclusão do mestrado e mais ainda quando da obtenção do doutorado”, explica Marco Antonio Pereira, economista do Dieese.

 

Faixa etária e sua relação com o mercado de trabalho

Os profissionais de TI entre 18 e 39 anos representam três quartos das mulheres (76,5%) e dos homens (77,0%). Entre 40 e 49 anos, situam-se pouco menos de 15% dos trabalhadores. Pouco mais de 8% têm 50 anos ou mais.

7 histórias inspiradoras de mulheres brasileiras em TI

Por Déborah Oliveira, Computerworld

Quantas mulheres você vê na TI nas empresas que conhece? Poucas, não é? Mas no evento Por um Planeta 50-50: mulheres e meninas na ciência e tecnologia, realizado pela Serasa Experian em parceria com a ONU Mulheres, elas estavam em peso e compartilharam histórias sobre suas carreiras, que podem servir de inspiração para profissionais de hoje e do futuro, e suas contribuições para uma TI com mais força de trabalho feminina. A maioria traz um enredo comum: preconceito e dúvidas. Mas a superação é, sem dúvidas, o destaque. Acompanhe abaixo.

 

Elaine Matos, gerente de Produto da Dow para América Latina e líder da Rede de Diversidade African-American Network (AAN)
“Represento um case de diversidade na empresa”, sintetizou Elaine, afirmando que tinha tudo para ser o contrário, por carregar muitos dos esteriótipos alimentados pela sociedade. “Tenho 34 anos, sou negra, filha de nordestinos e não sou formada em ciência da computação e, sim, em administração”, contou.

A executiva, que há 16 anos trabalha na Dow, uniu-se à luta pela diversidade, bandeira empunhada há anos pela empresa do setor químico. “Quando olhamos para as lideranças, temos 33% de mulheres e somente duas líderes negras. Aí veio a necessidade de criar a rede African American, grupo de empoderamento de mulheres negras, da qual represento há dois anos, trabalhando com ações afirmativas”, comentou.

Para ela, o pensamento mais perigoso é “sempre fizemos assim”. A executiva alerta que é preciso quebrar as regras e mudar o cenário. “Temos de trabalhar a questão das mulheres, acreditar que podemos exercer o cargo que nós quisermos”, afirmou.

 

Flavia Roberta Silvia, gerente de Projetos da IBM
Flavia cita a avó, que era da Marinha, e ainda seu pai, considerado por ela um verdadeiro ‘nerd’, como seus grandes exemplos e incentivadores do seu ingresso na tecnologia. “Tinha dez anos, quando meu pai me deu um TK 90, microcomputador lançado em 1985. Aquilo foi um sonho”, lembrou.

Anos depois, ela ingressou na Fatec e formou-se em Ciência da Computação. Em seguida, veio a oportunidade de trabalhar na IBM, onde está há 22 anos. “A IBM sempre levantou a bandeira da diversidade. Eu, como negra, me identifiquei”, contou.

Mas nem tudo foram flores em sua trajetória. “Perdi noites de sono, comecei a tomar portas na cara. Mas conheci o mundo pela IBM e gerenciei projetos internacionais. Casei e engravidei. Em três meses, obitive certificações em tempo recorde, com planejamento e foco. Fique grávida de novo, mas isso me custou, pois tive depressão pós-parto no retorno”, listou ela.

São altos e baixos que fazem parte da carreira de muitas pessoas, reconheceu. “Tem momento de glória, mas tem muito rock and roll. E é assim que nos fortalecemos. Não temos ideia de onde podemos ir, imaginamos uma história e os caminhos vão mudando. É preciso centrar, parar e pensar”, observou. Como recomendação, Flavia sugere que as mulheres estejam sempre prontas e invistam pesado no networking, pois ele faz a diferença.

 

Renata de Biasi, engenheira eletricista da Divisão de Programação e Estatística (OPSP.DT) da Itaipu
Filha de engenheiro, Renata desde criança teve o apoio dos pais para seguir a carreira. Depois de fazer um curso técnico, em seguida, graduou-se em engenharia, em que afirma ter conhecido professores inspiradores.

Há 20 anos atuando como engenheira em Itaipu, por boa parte deles, ela foi a única mulher da área. Hoje, o cenário mudou. “Há mulheres, mas em minha equipe sou a única.” Ela relata não ter sentido preconceito. “Ao contrário, os homens do departamento sempre me ensinaram muito. Nunca me senti diferente por ser mulher. Claro que tem dificuldades, mas isso faz parte da carreira de todas as pessoas.”

Segundo ela, o segredo para se desenvolver é não esperar. “Temos de ir atrás das oportunidades e agarrar as que aparecem”, recomendou.

 

Regina Acher, cofundadora da Laboratoria
O Dia das Mulheres em Ciência e Tecnologia nunca foi tão importante. Essa é a opinião de Regina. “Quando falamos da qualificação das mulheres não dá para falar só da igualdade, mas especialmente sobre diversidade de pensamento da indústria, além do impacto social”, afirmou ela.

Regina queria fazer a diferença na vida de meninas e mulheres e incentivá-las a seguir carreira em TI. Assim, quando conheceu uma das fundadoras do Laboratoria, ONG peruana que capacita mulheres para a área de tecnologia, decidiu trazer a ideia para o Brasil.

Em abril de 2018, a Laboratoria capacitará sua primeira turma em São Paulo, desenvolvendo 60 meninas. A ideia é replicar o modelo de sucesso da ação na América Latina, que formou 560 alunas nos últimos três anos.

 

Sueli Nascimento, gerente de Produtos e líder da Rede Mulheres da SAP
Quando criança, Sueli queria ter uma Rosie, a governanta dos Jetsons. “Meu irmão se formou em engenharia e foi para a IBM. Vi ali uma chance de ter a minha robô”, brincou.

Foi quando ela teve o primeiro contato com a computação, com o microcomputador TK 85. “Me apaixonei e percebi que eu poderia ajudar o mundo todo. Já com 17 anos sonhava em ajudar o mundo a rodar melhor e a melhorar a vida das pessoas”, contou.

 

Ana Lucia Salmeron, diretora de Healthcare & Hotels Segment da Schneider Electric para América Latina
Engenheira eletrônica há 30 anos, Ana sempre trabalhou na área técnica. A influência do pai engenheiro contribuiu para esse cenário. “Meu pai foi um excelente exemplo. Eu queria ganhar bem e ser bem-sucedida. Como gostava muito de matemática e física, ciência da computação foi um caminho natural”, relatou.

Para ela, o difícil é relativo e ao longo da sua carreira entendeu que não há problemas em entregar projetos não-perfeitos. “Sempre busquei a perfeição e muitas vezes isso faz com que nós mulheres evitemos entrar em situações para não falhar. A mania de fazer tudo perfeito da primeira vez nos impede de crescer, sendo que 80% é sensacional, depois vêm os ajustes”, aconselhou.

Apesar da história bem-sucedida, Ana lembra que já pensou, sim, em desistir da carreira. “Depois de ter meu primeiro filho, quis largar tudo, mas minha família me segurou. No segundo filho nem pensei nisso. Passados 30 anos de carreira, foi fácil? Foi, afinal, vida bem vivida é fácil.”

 

Rejane Jardim, gerente de Projeto da White Martins
Há 13 anos na White Martins, multinacional brasileira que atua no mercado de fabricação de gases industriais, Rejane convivia com os números desde cedo. Afinal, seu pai era comerciante e os cálculos faziam parte da rotina. “Quando cresci, sabia que queria cursar engenharia, mas me sentia sozinha, não sabia qual caminho seguir”, lembrou.

Foi quando, então, no colégio, o professor de Química convidou um colega engenheiro químico para palestrar para os alunos. Ele a encantou com a profissão e a fez tomar a decisião de seguir essa trilha. Veio o vestibular e o resultado foi o ingresso em duas universidades públicas, fora da sua cidade, no interior do Rio de Janeiro.

“Na Rodoviária, vi minha mãe chorando. A abracei e disse que tudo daria certo”, lembrou. O aprendizado que Rejane tira desse momento foi que é preciso liderar seu futuro. “Desenvolva suas habilidades. Pensei que voltar não era opção, então fui fazer um estágio em automação industrial. Formei-me em 2000, fui efetivada nessa empresa. Mas os líderes tomavam algumas atitudes que eu não concordava. Então saí. Isso me fez pensar que não se pode deixar ninguém tomar uma decisão por você. Só você sabe onde quer chegar”, finaliza.